
  Seu Melhor Erro
      His Best Mistake
   Kristi Gold
      
      
      
      
      Descobrir que era estril arruinou a vida do reprter Kevin O'Brien. A noticia era suficientemente ruim, mas qual seria o impacto em sua relao com a dra. 
Leah Cordero? Era melhor terminar antes de comear a desejar o que jamais conseguiria ter. Para sua surpresa, meses depois, Leah apareceu com uma criana. Sua filha! 
Aps o choque, ele insiste em fazer parte da vida do beb, e a melhor forma seria levando ambas para sua casa. Kevin logo se apaixona pela menina e se lembra de 
tudo que o levou a se apaixonar por Leah, mas ainda precisa provar que esta famlia pode ser feliz para sempre.
      

      
     Digitalizao: Crysty
     Reviso: Deliane
     
       
     
      Traduo Eugnio Barros
      HARLEQUIN
      B   O   O   K   S
      2010
      
      
      PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S..r.l.
      Todos os direitos reservados. Proibidos a reproduo, o armazenamento ou a transmisso, no todo ou em parte.
      Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.
      
      Ttulo original: HIS BEST MISTAKE
      
      Copyright (c) 2010 by Kristi Goldberg
      Originalmente publicado em 2010 por Harlequin Superromance
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     PRLOGO
     
     
        - TRATA-SE DE uma anemia aplstica... pode ser fatal...
        Como ex-colunista de uma proeminente revista de esportes, Kevin O'Brien possua um vasto vocabulrio. Mas as palavras anemia aplstica no significavam nada 
para ele. Fatal, certamente sim.
        Nem cinco minutos atrs ele estava no seu apartamento de Houston, fazendo as malas para uma viagem, depois de conseguir uma rara entrevista com um famoso 
jogador de futebol. Agora, seu irmo mdico estava lhe dizendo que ele podia estar morrendo.
        De modo algum aquilo podia estar lhe acontecendo agora. Kevin tinha uma grande profisso, que lhe custara anos para construir. Estava envolvido num relacionamento 
de oito meses com uma mulher que passara a significar mais para ele do que algum dia pensara ser possvel. Tinha apenas 35 anos e muita coisa para fazer antes de 
morrer. Mas, considerando a aparncia do rosto de Devin, ele no podia ter muita escolha no que se referia ao assunto.
        Precisando sentar-se rapidamente, Kevin tirou um jornal de cima de sua espreguiadeira favorita.
        - Voc tem certeza disso?
        - Absoluta. - Depois de tomar um lugar no sof, Devin inclinou-se para a frente e disse: - Voc est com um nvel perigosamente baixo de clulas sangneas 
vermelhas e brancas, e de plaquetas. Isso significa que est na classificao moderada da doena.
        Kevin pensou sobre como ele levara a vida no limite, a fim de alcanar proeminncia no seu campo, e como algumas vezes abria mo do sono. Tambm cometera 
mais do que suas cotas de erros ao longo do caminho.
        - O que causou isso, pelo amor de Deus?
        -  idioptico, o que significa causa desconhecida. S acontecem aproximada-mente trs casos para cada milho de pessoas neste pas anualmente.
        Sorte minha.
        - Ento eu simplesmente fico sentado, esperando a morte, ou h algo que voc pode fazer para resolver isso?
        - Eu sou mdico plantonista, Kevin, e voc um parente, portanto, no posso trat-lo. Apenas concordei em pedir o exame de laboratrio como um favor, quando 
voc comeou a ter fadiga e o nariz sangrando. Mas conheo um bom hematologista que cuidar do seu caso.
        Kevin comeou a ficar com raiva. Raiva direcionada ao irmo, que estava decidido a abandon-lo, o que no era muito lgico. Mas ele no podia perceber lgica 
naquele momento.
        Levantando-se, comeou a andar de um lado para o outro.
        - No pode me dizer alguma coisa sobre o que estou enfrentando, Dev,ou mame e papai desperdiaram todo aquele dinheiro nos seus estudos?
        Seu irmo levantou as mos com as palmas para a frente.
        - Calma, Kevin.                                       
        Se ele tivesse mais energia, atravessaria a parede com um soco.
        - Tente permanecer calmo quando algum acaba de lhe decretar uma sentena de morte.
        - Isto no precisa ser uma sentena de morte. Voc pode fazer um transplante de medula ssea.
        Depois de dar alguns suspiros profundos, Kevin retomou seu lugar na espreguiadeira.
        - O que isso envolve?
        - Voc ter de ser submetido a um processo para destruir toda a sua medula ssea antes do transplante. Isso envolve duas semanas de quimioterapia. Ps-transplante, 
necessitar de seis meses a um ano para se recuperar. Precisar limitar seu contato com o pblico em geral, at que seu sistema imunolgico volte ao normal.
        Alm de um grande cansao, Kevin no se sentia to doente. Entretanto, no tinha inteno de deixar que a doena interferisse no seu trabalho.
        - De modo algum posso considerar o transplante por no mnimo trs meses. Os campeonatos de futebol comeam em algumas semanas e tenho pelo menos dez entrevistas 
agendadas. Necessito ganhar a vida.
        - No se estiver morto.
        A declarao do irmo golpeou-o em cheio.
        - No existe um remdio que posso tomar para deter isso? 
        Devin suspirou.
        - Voc pode fazer transfuses por alguns meses, mas isso  apenas paliativo, no uma cura. Mais cedo ou mais tarde ter de fazer o transplante, a fim de 
sobreviver.
        Pelo menos isso era algo positivo. Mas ele ainda tinha perguntas a fazer.
        - Esse transplante garante a cura?
        - Nada  cem por cento garantido, Kevin. A preparao do prprio transplante envolve riscos. Mas se quiser arriscar uma recuperao completa,  sua nica 
alternativa. Felizmente, voc tem um gmeo idntico, que  uma combinao gentica perfeita de possvel doador.
        No uma opo. No quando ele quase no falava com seu irmo nos ltimos anos.
        - No vou pedir a Kieran para fazer isso, e, mesmo se eu pedisse, ele no concordaria. D-me outra escolha.
        - Podemos fazer testes em outros irmos para ver se so compatveis, e eu tambm estaria disposto a ser testado. Ou voc pode procurar por algum compatvel 
atravs de registro de doadores fora do parentesco. Mas, com qualquer dessas opes, voc est aumentando suas chances de rejeio.
        - No posso esperar que nenhum de vocs vire a vida de cabea para baixo por mim, portanto, vou arriscar e recorrer ao cadastro de doadores.
        Devin parecia to frustrado quanto Kevin.
        - Voc est excluindo a famlia, como sempre, Kevin. No seja to teimoso.
        - Estou sendo prtico.
        Praticidade sempre lhe fora til no que dizia respeito a mascarar suas emoes. E, agora, suas emoes estavam passando de fria para medo. Mas medo era 
contraproducente, e ele jurou no se render ao sentimento.
        - No tenho tempo para lidar com isso agora. Preciso pegar um avio em menos de duas horas, e tenho uma entrevista daqui a aproximadamente quatro horas. 
- Qualquer coisa para afastar sua mente da notcia.
        - Cancele a viagem e arranje algum para ir em seu lugar, Kevin. At que v ao hematologista e decida um plano de tratamento, seu sistema imunolgico no 
pode suportar a mais leve infeco. Avies so terrenos frteis para infeces.
        timo. Ele no somente havia sido apresentado  perspectiva de perder sua vida, como tambm podia perder seu emprego.
        - Eu trabalhei duro para ser bem-sucedido na revista para jogar tudo fora agora.
        - Um pouco de rejeio  esperada nessa situao, mas  melhor voc comear a encarar a realidade... e logo. Est doente e no tem nenhuma chance de melhorar, 
a no ser que receba a ateno mdica necessria.
        A mente dele queria rejeitar aquela realidade, mas seu instinto lhe dizia que era melhor aceitar o conselho do irmo.
        - Cancelarei a viagem.
        - timo - disse Devin quando ele se levantou. - Ligarei para o hematologista e pedirei que o atenda amanh. Nesse nterim, voc deveria falar com mame e 
papai, porque vai precisar de todo apoio possvel, especialmente durante a fase da quimioterapia.  um perodo duro.
        Se ele contasse aos pais agora, sua me imediatamente assumiria o modo superprotetor, exatamente o que fazia desde o dia que ele nascera e fora o gmeo frgil. 
Ele preferiria evitar aquela cena pelo mximo de tempo possvel.
        - Esperarei para contar aos nossos pais at saber exatamente o que vai acontecer em seguida.
        - Certo, mas no espere muito tempo, Kevin. E h mais uma coisa que precisa saber. Voc tem cinquenta por cento de chance de ficar estril, por causa da 
quimioterapia. Se seu relacionamento com sua namorada est firme, precisa discutir isso com ela. Todavia, uma vez que ela  mdica, ser capaz de ajud-lo a obter 
todas as informaes.
        Naquele momento, Kevin estava sobrecarregado de informaes, mas uma coisa ficara bem claro: no podia sobrecarregar Leah com seus problemas, no quando 
ela estava to perto de concluir seus estudos. No quando ele poderia no ser capaz de dar-lhe uma coisa que ela sempre dissera que queria... muitos filhos. Mais 
importante: se o tratamento falhasse, ele no gostaria que ela o visse morrer.
        - Leah e eu rompemos a relao. - Uma mentira, mas ele planejava tornar isso verdadeiro, e logo.
        - Lamento que no deu certo - disse Devin. - E sinto muito por no t-la conhecido. Ouvi dizer que  uma boa mulher.
        Ela era mais do que isso. Era a melhor coisa que j havia acontecido a Kevin.
        Devin caminhou para a sada, mas parou antes de abrir a porta.
        - Eu o informarei mais tarde sobre o horrio de sua consulta. Tente descansar, e ligue se precisar de mim, mesmo que seja s para conversar.
        - Obrigado, Dev. Gostei de ouvir isso.
        -No duvido. E mais uma coisa:  normal estar com medo.
        Quando Kevin no conseguiu dar uma resposta, seu irmo saiu, deixando-o sozinho para planejar o que precisava fazer em seguida, e que envolvia dar diversos 
telefonemas.
        Ele pensou em cancelar seu vo primeiro e contatar a revista depois. Mas uma ligao era prioritria sobre as outras, e tambm a que ele mais temia.     
        Melhor acabar logo com aquilo, antes que tivesse tempo para reconsiderar. Foi para o escritrio, pegou o telefone, segurou o aparelho com fora por alguns 
segundos, antes discar o nmero que o conectaria com o hospital onde Leah passava a maior parte de seu tempo.
        Depois de diversos toques, ela cumprimentou-o com seu usual:   
        - Dra. Cordero.
        Apenas o som da voz dela encheu-o com opressivo remorso.
        - Oi, Leah. Aqui  Kevin.
        - Eu no esperava notcias suas to breve. Pelo que me contou esta amanh, pensei que estivesse a caminho de Dallas agora. Seu vo est atrasado?
         -No. Eu somente quis falar com voc.
        - Estou feliz por ter ligado. Isso me d a chance de me despedir de voc duas vezes num dia.
        Ele queria dizer permanentemente, e isso o estava dilacerando.
        - H uma coisa que preciso lhe dizer.
        - Est tudo bem, Kevin? Voc parece estranho.
        Ele estava qualquer coisa, menos bem. Talvez nunca mais ficasse bem.
        - Oua, Leah. Estive pensando, e a verdade  que minha vida est  louca no momento, e a sua tambm. Decidi que  melhor ns darmos um tempo.
        Houve um silncio antes que ela dissesse:
        - Um tempo? Ou voc quer romper a nossa relao? 
        Ele apresentou todas as velhas desculpas que mantinha  mo como jeans usado.
        - Est ficando srio demais entre ns. No estou pronto para firmarmos a relao, e duvido que voc esteja tambm.
        - Entendo: Ento este  o famoso discurso de rompimento. Teria sido mais bonito de sua parte se tivesse sido menos covarde e falado isso pessoalmente.
        Se Kevin fizesse isso, Leah sentiria que ele estava mentindo, e talvez ele acabasse se entregando.
        - Estou ocupado, Leah.
        - Mas no to ocupado para me levar numa viagem de quatro dias num resort uma semana atrs? - Ela soltou uma risada amarga. - O que foi aquilo, Kevin? Uma 
despedida com estilo? E todas as coisas que voc disse sobre o quanto gostava de mim? Eu nunca deveria ter acreditado em voc.
        Na ocasio, ele tinha sido sincero em todas as palavras que dissera. Meu Deus, ainda sentia tudo aquilo.
        - Eu realmente gosto de voc, Leah.
        - E eu o odeio por fazer isso comigo, Kevin.
        Ele podia sentir a tristeza na voz dela e desprezou a si mesmo por ser o causador.
        - Sinto muito. - Uma declarao totalmente inadequada, mas a nica coisa que ele poderia dizer.
        - Tambm sinto muito. Sinto por termos nos conhecido, e por voc ser um grande patife. Que Deus proteja a prxima mulher que se envolver com voc.
        Quando ela desligou o telefone, Kevin experimentou uma terrvel sensao de perda que nunca conhecera. Embora ainda acreditasse que no tinha outra alternativa, 
seno abrir mo de Leah, no pde deixar de se questionar se no acabara de cometer o maior erro de sua vida.
        Da vida que lhe restava.
        
        
        
     CAPTULO UM
     
     
        Seo de Esportes de O 'Brien Edio de Junho
        DURANTE OS ltimos meses eu aprendi uma importante lio: encarar a morte, definitivamente, mudar sua vida.
        Ele imediatamente selecionou o texto e apertou o boto "deletar" com raiva. No era seu dever personalizar uma coluna sindicalizada, cujo pblico alvo era 
focado em esportes radicais, competies e manchetes comerciais. Mas o fato de que tinha at mesmo considerado revelar sua batalha de vida e morte para o pblico 
em geral indicava exatamente o quanto sua vida mudara. O quanto ele mudara.
        Durante sua luta contra a doena que quase o matara Kevin havia se tornado muito mais introspectivo, mais centrado. Deus, at mesmo comprara uma casa num 
bom bairro de Houston! Um ano atrs, jamais previra trocar viagens de avio atravs do pas por um escritrio em casa. Se no tivesse ficado doente, no teria passado 
tanto tempo avaliando seus erros, tambm, e cometera muitos. Um em particular continuava a assombr-lo diariamente, mas no podia pensar sobre aquela deciso agora. 
No se quisesse cumprir sua agenda da segunda-feira.
        Quando a campainha da porta tocou, Kevin recostou-se na cadeira e suspirou. Muito provavelmente era sua me, que passara por ali sem avisar, para perguntar 
por que ele no comparecera ao tradicional almoo de domingo dos O'Brien, quando na realidade tinha ido se certificar se ele no sofrer uma recada. Por mais que 
ele apreciasse a preocupao de sua me, tornara-se incrivelmente irritado com a obsesso dela pelo seu bem-estar.
        Ento, novamente, Lucine O'Brien tinha uma verdadeira obsesso no que dizia respeito a ele.
        A campainha soou novamente, e por um momento Kevin pensou em ignorar aquela intromisso. No era uma boa idia. Seu carro estava estacionado na garagem aberta, 
o que poderia gerar pnico na sua me, assim como uma ligao desnecessria aos paramdicos. Inclinando-se para a direita, ele puxou a cortina da janela que dava 
para o gramado. Mas em vez de encontrar a minivan de sua me, estacionada junto  calada, avistou outro carro. Um carro muito familiar.
        De modo algum poderia ser ela. Antes de tudo, ela no sabia onde ele morava. Segundo, detestava-o, o que dissera textualmente na ltima vez que eles haviam 
se falado ao telefone, meses atrs. Mas Kevin no conhecia nenhuma outra alma solitria que possua um Volkswagen conversvel cereja.
        Curiosidade enviou Kevin para a entrada da frente, a fim de verificar se seu passado tinha realmente batido  sua porta.
        A confirmao chegou quando ele olhou atravs da janela e deitou os olhos na mulher parada na beira da calada, imvel, como se seus ps estivessem congelados 
no cimento.
        Ele teria reconhecido aquele corpo mesmo  distncia de um campo de futebol, mesmo que estivesse coberto por um vestido solto, esvoaante, sem mangas, em 
vez de em seus jalecos. No havia engano quanto queles olhos castanhos exticos, amendoados, que quase combinavam com o tom da pele dela. Kevin os observara tornando-se 
pesados e enevoados quando eles faziam amor... e mais escuros quando ele a irritava. Tambm no podia esquecer-se daqueles cabelos sedosos, castanhos, com reflexos 
dourados. Recordava-se em detalhes como era a textura deles contra sua pele nua.
        Desde o momento que a conhecera, a dra. Leah Cordero tornara-se uma de suas maiores fraquezas. Ela no era somente linda e inteligente, mas tambm a melhor 
amante que ele j conhecera. Sexy ao extremo. Selvagem e desinibida. Incrvel. O tipo de mulher que chama a ateno imediata de um homem. Todas as partes dele.
        E era melhor que ele se certificasse de que estava bem decente antes que a encarasse novamente, motivo pelo qual esperou alguns momentos antes de abrir a 
porta. Tambm precisava tempo para calcular por que Leah o procurara.
        Talvez ela houvesse decidido dar-lhe a bronca que ele merecia, desta vez pessoalmente. Talvez, de alguma maneira, soubera que ele estivera doente, a mentira 
com a qual Kevin convivera... por doze longos meses. E apenas talvez, se ele tivesse sorte, ela queria uma segunda chance. E acreditar nisso seria pura tolice.
        
       LEAH POSSUA somente um motivo para confrontar Kevin O'Brien, mesmo se estivesse tentada a guardar a revelao at outro dia. Contudo, recentemente decidira 
que tomar a grande deciso parecia a coisa mais correta a fazer.
        Infelizmente, parecia que no teria chance de falar com Kevin hoje, porque, ou ele no estava em casa ou a estava evitando. Isso significava que teria de 
voltar mais tarde, se no perdesse a coragem.
        Leah comeou a voltar para o carro, mas parou no meio da calada para virar-se e dar uma ltima olhada para a slida residncia que Kevin comprara aps o 
rompimento. Uma casa deslumbrante, para dizer o mnimo. E o fato que ele se estabelecera numa vizinhana familiar amigvel tambm era notvel. Aquilo a fez imaginar 
se ele vivia com algum, isto , com uma mulher.
        Francamente, o que Kevin O'Brien fazia ou no fazia no era de sua conta. Ele podia morar com dez mulheres que Leah pouco se importava. Ele no significava 
mais nada para ela... ou pelo menos foi o que pensou at que ele saiu pela porta da frente e caminhou na sua direo.
        Por mais que tentasse ignorar o impacto que Kevin ainda tinha sobre ela, Leah no conseguiu. No podia ignorar sua firmeza, seu andar autoconfiante, sua 
aura de fora... coisas que haviam atrado sua ateno na noite que eles se conheceram na inaugurao do clube noturno em Houston, em uma das raras ocasies que 
ela sara  noite. Certamente, no foi capaz de ignorar o comprimento mais longo dos cabelos dele ou a sombra de restolhos no rosto normalmente bem barbeado, embora 
aqueles detalhes inesperados no comprometessem sua incrvel aparncia.
        Mas ela precisava se lembrar de sua misso, ali, agora.
        Lembrar que o que existira entre eles um dia terminara no curto tempo de uma conversa telefnica de trs minutos, um ano atrs.
        Kevin parou a alguns metros de Leah e enganchou os polegares nos bolsos do jeans.
        - Ol - disse ele numa voz que soava quase arrependida.
        Leah reuniu toda fora que possua, usando o mximo de coragem.
        - Ol, Kevin.
        Ele mediu-a de cima a baixo.
        - Voc est tima.
        Ele tambm estava. Nada melhor do que um homem sexy usando camiseta branca e jeans desbotado. Mas ela no planejou fazer-lhe nenhum elogio, mesmo se tivesse 
inteno de ser friamente educada.
        - Voc tem alguns minutos para conversar?
        - Sou todo seu.
        Em outra poca, Leah honestamente acreditara nisso. Mas no agora. Nem nunca mais.
        Quando notou algumas pessoas juntando-se em frente do gramado da casa vizinha, resolveu que  ltima coisa que queria era uma platia quando ela revelasse 
seu segredo.
        - Podemos ir a algum lugar mais particular?
        - Podemos entrar - disse ele. - Eu lhe mostrarei a casa.
        - Eu no gostaria de incomodar ningum que possa estar dentro da casa.
        Kevin franziu o cenho. 
        - Estou sozinho aqui.
        - No divide a casa com ningum?
        - No. Sou somente eu.
        Pelo menos aquilo respondia  sua pergunta. Ainda assim, ela no ousaria passar um momento sequer sozinha na casa com Kevin O'Brien. Especialmente numa casa 
com uma cama. Ou um sof, ou um assoalho.
        - Eu preferiria a varanda.
        -  muito mais fresco dentro da casa, Leah. - Ele observou-a atravs de olhos estreitos. - Ou voc est com medo que eu v toc-la se estivermos sozinhos 
juntos?
        Sim, e igualmente com medo que pudesse esquecer que ele ferira seus sentimentos, e de que ela pudesse toc-lo.
        - No seria a primeira vez, Kevin.
        -- Voc me conhece suficientemente bem para saber que eu no faria nada contra a sua vontade, Leah. A no ser partir-lhe o corao.
        -Ainda acho que seria melhor permanecermos do lado de fora.
         A reao dele revelou uma ponta de impacincia.
        - Poderamos pelo menos ir ao quintal e nos sentarmos numa cadeira na sombra?
        Aquilo pareceu um plano slido para Leah. Kevin poderia precisar de uma cadeira, quando ela terminasse o que tinha a dizer.
        - Tudo bem.
        Ele gesticulou em direo ao caminho  sua esquerda.
        - Por aqui.
        - Um momento. - Leah voltou ao carro, abriu a porta e pegou sua bolsa no assento traseiro. Uma bolsa que continua dois itens representando suas razes para 
a visita.
        Depois de colocar a ala no ombro, caminhou com Kevin pelo longo corredor, mantendo um razovel espao entre eles. Mesmo um roar de braos traria velhas 
lembranas que ela no gostaria de reviver, embora, s vezes, as recordasse. Cada momento maravilhoso e excitante, assim como arrasador.
        Ela havia ficado tolamente encantada pelo charme simples de Kevin, intrigada por sua personalidade complexa. Fascinada pela sua habilidade como amante. Aprendera 
muito sobre ele nos oito meses que tinham convivido. Claramente, no aprendera o detalhe mais importante antes de apaixonar-se: ele no era homem para um compromisso 
permanente.
        Aps terem rodeado o canto da casa, Kevin abriu um porto de ferro preto; e eles entraram num quintal cercado por um muro branco de tijolos. Quando ele gesticulou 
para que ela seguisse em frente, Leah julgou estar entrando num perfeito osis. Havia uma cachoeira que alimentava uma piscina funda de cristalina gua azul, e uma 
cozinha externa moderna, ao lado de um pequeno chal.
        - Uau! - Aquilo foi a nica coisa que Leah conseguiu dizer, surpreendida.
        - Maravilhoso, heim?
        Ela virou-se e viu o sorriso de Kevin. Grande engano! Aquele sorriso tinha sido a morte de sua determinao para resistir em mais de uma ocasio. Depois 
de uma breve reflexo, Leah disse:
        -  um lugar muito bonito. timo para entretenimento.
        - Sim, mas no tive chance de entreter ningum ainda. S estou aqui h um ms.
        Como se ela realmente acreditasse que um ms no era tempo suficiente para entreter vrias belezas de biquni.
        - Corri falou que voc mudou-se recentemente.
        A nica informao slida que sua cunhada lhe dera quando Leah conseguira coragem de entrar em contato com ela.
        O sorriso de Kevin esvaeceu-se num franzir de testa.
        - Foi como voc me encontrou?
        - Sim. Eu liguei para ela depois que parei no seu apartamento e descobri que se mudara.
        - Ela no lhe deu o nmero de meu telefone?
        - Deu, mas decidi que precisvamos conversar pessoalmente. - Na verdade, ela havia considerado revelar a notcia por telefone, dispensando--lhe a mesma falta 
de cortesia que ele lhe dispensara quando terminara o relacionamento deles. Em vez disso, optara por ser adulta e enfrentar um encontro cara a cara, embora no momento 
questionasse sua deciso.
        Mas estava l agora, portanto, faria o que tinha de ser feito. Com este pensamento, perguntou:               
        - Podemos nos sentar agora?
        - claro. - Kevin conduziu-a para uma mesa situada debaixo de pinheiros e carvalhos e puxou-lhe uma cadeira de tiras marrons.
        Leah ocupou a cadeira designada enquanto Kevin escolhia a cadeira do lado oposto, satisfeita por que a mesa proporcionava um espao muito necessrio entre 
os dois.
        Ela colocou a bolsa no cho aos seus ps e passou as mos sobre a superfcie de vidro da mesa.
        - Essas rvores ajudam com o calor. - Pelo menos de um ponto de vista meteorolgico. Notar todos os mais finos detalhes de Kevin no ajudou o calor interno 
de Leah.
        Parecia que ele perdera algum peso, mas indubitavelmente ganhara musculatura. Ele sempre estivera em grande forma, mas seus bceps pareciam mais volumosos, 
o peito mais largo. O estmago reto estava bem-delineado contra a camiseta justa. E se ela soubesse o que era melhor, manteria os olhos longe dos atributos fsicos 
de Kevin.
        - O calor de junho em Houston  sempre brutal, especialmente s 16h -- disse ele, trazendo a ateno dela de volta para seu rosto.
        - Eu tive uma manh ocupada, caso contrrio, teria vindo aqui muito mais cedo. - Ela passara a melhor parte do dia envolvida com um debate interno, at que 
se forara a parar com os adiamentos. Depois de outro momento de silncio, Kevin perguntou:
        - Como vai sua residncia no hospital?
        Embora estivesse evitando a novidade de que era portadora, Leah no via razo para no ser civilizada.
        - Est indo bem. A rotatividade do hospital pode ser dura, mas trabalho parte do tempo numa clnica.
        - O que significa mais horas normais - disse ele.
        Estranho que Kevin se lembrasse de todos os detalhes que eles haviam discutido durante seu tempo juntos. Ento, novamente, ele fora muito atencioso, tanto 
na cama como fora dela.
        - Estou muito ansiosa por terminar em agosto, de forma que possa finalmente comear a praticar o que aprendi. - Ela teria concludo os estudos agora, se 
no tivesse tido necessidade de um intervalo na sua cidade natal, antes de retornar a Houston, dois meses atrs.
        Kevin afastou uma folha seca da mesa com um movimento da mo.
        - Voc decidiu o local em que vai praticar a medicina? 
        De alguma maneira, aquela deciso fora tomada por ela.
        - Vou para casa, no Mississipi. Uma vez que minha residncia focalizou-se em cuidar de indigentes, planejo trabalhar meio perodo numa clnica gratuita e 
possivelmente abrir minha prpria clnica para pagar as contas.
        - Voc no sentir falta do estilo de vida da grande metrpole?
        O tom de voz dele insinuava desapontamento, ou talvez ela estivesse dando ateno demais ao assunto.
        - Eu sentiria mais falta de minha famlia. - Ela tambm precisava do apoio deles, agora, mais do que nunca.
        - Estou certo que voc se sair muito bem, onde quer que v - disse ele. - Boa sorte.
        Por alguma razo, Leah gostaria que ele tivesse dito que iria sentir falta dela. Que cometera um grande erro de julgamento ao terminar o relacionamento dos 
dois. Que desejava que ela ficasse em Houston. O que era insanamente ridculo. Mesmo se ele dissesse essas coisas, ela no poderia acreditar.
        A conversa morreu por um tempo, at que Leah deu um rpido olhar na direo dele para v-lo esfregando os olhos. 
        - Voc parece cansado. 
        -Ando ocupado com trabalho.
        - Viajando muito?
        - Na verdade, no. A maior parte do tempo estou trabalhando em casa agora. Escrevo uma coluna sindicalizada e mantenho um blog esportivo para a revista.
        Aquilo a surpreendeu quase tanto quanto o longo comprimento dos cabelos dele.                                         
        - Voc sempre amou entrevistar todos aqueles astros do esporte. O que aconteceu?
        A expresso de Kevin revelou definitivo desconforto.
        -As coisas mudam, Leah.
        Sim, mas ela desconfiava que ele no mudara. Talvez no estivesse viajando por todo o pas, procurando sua prxima conquista feminina, mas ela no tinha 
dvida de que as mulheres ainda o perseguiam, regularmente, e ele estava alegremente acomodando-as. Isto no lhe importava mais, ou no deveria importar.
        Ela fora at l para dizer algo importante e precisava falar agora, sem mais delongas. Todavia, quando Kevin dirigiu seus olhos escuros sobre ela, Leah temporariamente 
perdeu sua linha de raciocnio. E quando ele inclinou-se e passou a ponta do dedo no seu queixo, ela ficou tensa e murmurou:
        - No faa isso.
        Se Kevin a tocasse de novo, Leah poderia momentaneamente esquecer o quanto ele a ferira, no corao e na alma. Recusava-se a fazer isso. Recusava-se a sucumbir 
ao charme que ele utilizava como uma rede para seduzir mulheres desprevenidas. Ela j estivera naquela situao, e no queria repetir a experincia.
        - Desculpe. - As feies de Kevin tornaram-se taciturnas quando ele mais uma vez se endireitou na cadeira.- Voc se importa de contar-me por que est aqui?
        - No para retomar do ponto que deixamos, Kevin. - Mentir no era um hbito de Leah. Na verdade, sempre exigia transparncia e honestidade em situaes normais. 
Todavia, nada sobre a atual situao era normal. Ela faria o que fosse necessrio para desencoraj-lo, mesmo se aquilo significasse criar um relacionamento com outro 
homem. - Alm do mais, estou me relacionando com algum. Kevin inclinou-se para a frente e contemplou-a por longo momento.
        - Quem  ele?
        Leah ficou atnita com a pergunta, assim como pelo cime no tom de voz dele. Uma reao tipicamente machista de quem dizia: Eu no a quero, mas no quero 
que ningum mais a tenha.
        Como era em seu trabalho, ela precisava pensar rapidamente.
        -  algum que conheo h muito tempo. Ns nos reencontramos quando eu estava visitando meus pais no Mississipi. - No exatamente uma mentira, mas no a 
verdade toda, tambm. Ela revira seu amigo de infncia, J. W. Camp, algumas vezes quando estivera na casa dos pais. Mas J. W. era mais um irmo para ela, um detalhe 
que preferiu omitir. - Ele tem seu prprio negcio.  um bom homem. Estvel. Firme. Honesto.
        - Qualidades que voc no acredita que eu possuo? 
        Algum tempo atrs, ela acreditava.
        -No importa o que eu penso, Kevin. Est terminado entre ns.
        - Seu relacionamento com esse sujeito  srio? - Ele parecia quase desanimado.
        Leah comeou a esboar uma negao, mas reconsiderou.
        - Oua, Kevin, no estou aqui para falar sobre minha vida pessoal com voc. Mas ns ainda temos algo muito importante para discutir.
        - Ento fale. Estou ouvindo. - O tom de voz dele tinha um toque de raiva, muito diferente do Kevin que ela conhecera antes. Ele costumava possuir um charme 
terrivelmente persuasivo e gentil, mas agora parecia muito mais srio. Ou talvez apenas quisesse que ela sasse de sua vida para sempre.
        Aquilo era precisamente o que Leah planejava fazer... ficar fora da vida dele... to logo apresentasse seu motivo para estar ali. Com isso em mente, abriu 
a bolsa, retirou a carteira e segurou-a com firmeza.
        - Antes de tudo, agonizei por semanas sobre o que estou prestes a contar-lhe - comeou ela. - Passei diversas noites de insnia tentando calcular exatamente 
como lhe contar. Mas poucos dias atrs ocorreu-me que prorrogar isso no facilitaria as coisas. Voc vai ficar furioso de qualquer maneira.
        Ele deu-lhe um sorriso cnico.
        - Isso seria uma mudana, voc me deixar furioso, em vez do contrrio.
        Leah podia somente se lembrar com preciso de uma vez quando ele a deixara furiosa... e fora no dia que Kevin lhe telefonara e a descartara sem razo justa.
        -Acredite-me, voc no vai ficar feliz sobre o que vai ouvir.
        Os olhos penetrantes de Kevin demonstravam total confuso.
        - Fale de uma vez, Leah.
        Como dizia o velho provrbio, uma foto valia mil palavras, motivo pelo qual Leah escolheu retirar uma foto de uma repartio plstica da carteira. Uma fotografia 
que estava entre outras, de amigos e da famlia, e todas aquelas preciosas na sua vida, incluindo uma sua e de Kevin tirada durante o final das frias deles no Mxico, 
que por alguma razo ela no tivera desejo de rasgar. Mas aquela foto em especial era a mais preciosa de todas.
        Ela jogou a carteira de volta na bolsa e entregou a foto para Kevin sem explicao. Logo tudo seria esclarecido.
        Ele examinou a foto por um tempo antes de voltar a olh-la.
        - Quem  ela?
        O presente dela. O milagre. Seu mundo inteiro.
        -  sua filha, Kevin.
        
        
        
                           CAPTULO DOIS
     
     
       KEVIN PARECEU to perplexo quanto Leah ficara quando confirmara a gravidez meses atrs. Ela esperou pacientemente pela reao verbal dele, e quando no ocorreu 
nenhuma, disse:
        - O nome dela  Carly.
        Carly, tirado de Carl, o garotinho que seus pais haviam criado quando Leah era adolescente. Um garotinho especial que ningum queria por causa de seus incontveis 
problemas de sade. Mas Leah o amara com paixo, ajudara a tomar conta dele at o dia que ele foi para o hospital e no voltou. Ele fora a razo pela qual ela escolhera 
pediatria como sua especialidade, mas Kevin sabia disso.
        Kevin olhou para a foto antes de voltar a encar-la.
        - Quanto tempo ela tem?
        - Trs meses.
        - E s agora voc est me contando?
        Ela considerara no lhe contar em absoluto, mas mudara de idia depois que sua me a lembrara de todas as crianas que tinham ido para elas sem histrico 
mdico, sem saber quem eram os pais verdadeiros.
        - Telefonei para voc uma semana depois que confirmei a gravidez. Uma mulher atendeu e eu desliguei. Planejei ligar novamente, no ms que Carly era esperada, 
mas antes que pudesse fazer isso entrei em trabalho de parto, quatro semanas mais cedo.
        - Ela est bem?
        -Est tima. Perfeita. Um pouco abaixo do peso, mas est recuperando rapidamente.
        Ele passou a mo pelos cabelos.
        - No sei como isso aconteceu. Ns ramos sempre cuidadosos.
        - Nem sempre, Kevin. Lembra-se daquela nossa viagem louca a Cabo no vero passado? - A viagem onde Kevin no tinha sido ele mesmo. Ela descobrira a razo 
para a atitude dele uma semana depois, quando ele a dispensara. - Eu tomei margueritas demais na ltima noite que estivemos l. Voc tinha testosterona em excesso.
        - Mas eu sa...
        - No to rapidamente. Alm do mais, ambos sabemos que coito interrompido no  forma eficaz de controle de nascimento. - Todavia, naquela noite, ela no 
estivera pensando com clareza, e aquilo tivera pouco a ver com lcool, porque no eslava embriagada. A paixo avassaladora e descontrolada entre eles fora a nica 
coisa que importara. Uma paixo que costumava anular seu bom senso com freqncia.
        Quando ele ainda parecia em dvida, Leah acrescentou:  - Tudo que voc tem a fazer  olhar para ela, Kevin. Ela  a sua imagem. - Tanto que doa todas as 
vezes que Leah olhava para sua menininha. A menininha deles.
        - Onde ela est agora? - perguntou ele enquanto continuava olhando para a foto.
        - Com a amiga que divide a casa comigo, Macy. - Razo pela qual Leah precisava ir embora o mais cedo possvel, antes que o beb acordasse da soneca e Macy, 
que assumidamente tinha fobia de crianas, tivesse de lidar com Carly.
        Kevin olhou para a foto por mais alguns momentos e quando Leah no podia mais suportar o silncio, murmurou:
        - Diga alguma coisa.
        Ele nivelou o olhar com o dela.
        - No sei o que dizer, Leah.  um tremendo choque.
        Ela entendia isso muito bem. Tambm reconheceu que ele podia levar algum tempo para se acostumar com a revelao. Talvez Kevin decidisse que no queria lidar 
com aquilo. Por isso, ela retirou um envelope da bolsa e entregou-lhe.
        - Pegue.
        Depois de breve hesitao, ele pegou o envelope.
        - O que  isso?
        -  um documento que acaba com seus direitos paternais se voc assin-lo. Voc no  obrigado a envolver-se na vida dela, emocional ou financeiramente.
        Um brilho de desprezo cruzou a face de Kevin.
        - Depois de tudo que voc me contou sobre crianas abandonadas que seus pais recolheram, est querendo cri-la sozinha?
        Se tivesse escolha, Leah preferiria criar sua filha em um lar com dois pais. Mas aquela no era uma opo, pelo menos no com Kevin.
        - Ns estamos indo bem. - De modo geral. - Eu tambm tenho um bom sistema de apoio em casa.
        - Voc quer dizer com seu novo namorado? Leah optou por no fazer qualquer comentrio.
        - Meus pais insistem que eu v morar com eles quando eu voltar ao Mississipi. Voc no precisa se preocupar se ter algum para cuidar de Carly, se decidir 
assinar os papis.
        Sem oferecer qualquer resposta, Kevin abaixou a cabea, o envelope e a foto ainda nas mos. Ele parecia to visivelmente abalado que Leah lutou contra a 
vontade de abra-lo.
        Em vez disso, pegou a bolsa e se levantou.
        - Percebo que  uma revelao muito forte, coisa para voc absorver de repente, portanto, vou lhe dar algum tempo para pensar. Se preferir escapar dessa 
situao, entenderei perfeitamente. Tudo que tem a fazer  assinar os documentos, reconhecer a firma e me envi-los pelo correio. J coloquei o endereo no envelope. 
Nesse nterim, estou com o mesmo nmero de celular, se voc precisar entrar em contato.
        Foi necessria toda fora de vontade para que Leah sasse sem qualquer resposta de Kevin. Ela no estava certa do que esperar... que ele assinasse os papis, 
abrindo mo de seus direitos paternais, finalizando assim o relacionamento deles para sempre, ou que decidisse ser um pai para Carly, ocupando um lugar permanente 
na vida da criana... e na sua vida... pelos anos que viriam. Qualquer que fosse o resultado, ela teria de lidar com as conseqncias de suas aes. De seus erros.
        Mas Leah no via seu beb como um erro. Apaixonar-se pelo pai de Carly tinha sido um erro grave.
        O problema era que uma parte sua ainda o amava, e provavelmente sempre o amaria.
        
        Logo aps o raiar da aurora na manh seguinte Kevin viajou para Bodies by O'Brien, a academia de ginstica de seu irmo gmeo, Kieran. Seus motivos por trs 
da visita eram dois: exercitar-se para clarear a mente e um conselho de algum em quem podia confiar.
        Apesar de mal ter dormido na noite anterior, adrenalina mandou Kevin atravs das portas duplas rapidamente, direto ao escritrio de Kieran, onde ele encontrou 
o irmo sentado atrs da mesa.
        - Voc tem alguns minutos para mim? - perguntou Kevin quando parou na soleira da porta, segurando a sacola de ginstica.
        Kieran levantou os olhos de uma pilha de papis e deixou a caneta de lado.
        - Entre. Voc est me salvando de aprovar faturas, e sabe o quanto detesto essa parte dos negcios.
        Falando como um personal trainer duro, Kevin pensou.
        Mas salvar Kieran da contabilidade no era nada comparado ao que Kieran fizera por ele... salvando-o da morte certa, doando-lhe sua medula ssea. Um presente 
fundamental, no que dizia respeito a Kevin. Desde aquela poca, eles haviam posto de lado suas diferenas e se tornado to ntimos quanto costumavam ser quando garotos, 
uma das poucas coisas positivas que resultara de sua doena.
        Kevin atravessou a sala e sentou-se na cadeira em frente da mesa.
        Decidiu entrar devagar na conversa enquanto preparava o ponto crucial do assunto que o levara at l.
        - Como vo indo os planos do casamento? Kieran sorriu.
        - Pelo menos agora temos um local, o que  bom, considerando que a cerimnia vai acontecer em menos de um ms.
        - Onde vocs decidiram realizar o casamento? - perguntou Kevin.
        - O sogro de Logan ofereceu seu jardim. Vai estar terrivelmente quente, mas Erica quer um casamento ao ar livre. E no vai ser to ruim ao pr do sol. Voc 
ainda estar do meu lado com tais condies climticas?
        -  claro que sim. - Kevin enfrentaria alegremente qualquer clima para cumprir seu dever como padrinho de Kieran.
        Kieran inclinou a cabea e observou o irmo.
        - Se voc no fizer um corte de cabelos antes do casamento, as pessoas no sero capazes de nos distinguir. No quero minha noiva beijando o homem errado.
        Kevin passou a mo pelos cabelos e riu.
        - Pensarei a respeito disso. Nesse nterim, vou deixar os cabelos crescerem. Tenho satisfao de deix-los um pouco mais compridos do que o normal, uma vez 
que perdi tantos durante a quimioterapia. - A mesma quimioterapia que poderia ter alterado suas chances de ter um filho, o que o fez recordar-se da razo de ter 
ido ver seu irmo.
        Preparando-se para a notcia bombstica, Kevin deu um profundo suspiro.
        - Leah passou na minha casa ontem. Kieran reclinou-se na cadeira giratria e coou o queixo.
        - No acredito! O que ela queria?    
        Kevin pegou a sacola de ginstica e retirou os papis que Leah lhe dera no dia anterior, entregando a foto para Kieran.
        - Ela me levou isto. 
        Kieran pegou a fotografia e olhou-a por um longo momento antes de voltar sua ateno para Kevin.
        -  o que eu penso que seja?
        - Se voc est pensando que ela  minha filha, est certo. - Minha filha. Nunca, em mil anos, ele acreditaria que diria aquilo. Nem esperava sentir o que 
sentira depois de receber a notcia.
        -  igualzinha nossas fotos de beb. - Kieran balanou a cabea. - Homem, isso  um choque.
        - Sim. Que bela maneira de comear a semana. - Que maneira de mudar sua vida em questo de minutos.
        Kieran colocou a foto na mesa e empurrou-a para Kevin.
        - No posso acreditar que Leah esperou esse tempo todo para lhe contar.
        - Considerando o que eu fiz para ela, no posso realmente culp-la. E na verdade Leah tentou me contar. Ela desligou o telefone quando uma mulher atendeu, 
e estou quase certo de que a mulher era uma enfermeira de planto l em casa, que fazia as transfuses na ocasio. Mas eu entendo por que Leah interpretou de modo 
diferente.
        - Ela presumiu que tinha sido substituda - disse Kieran. 
        Kevin no podia culpar Leah por aquilo, tambm.
        - Ela ia tentar me contar novamente logo antes de o beb nascer, mas entrou em trabalho de parto prematuro.
        Kieran franziu o cenho.
        - O beb est bem? Exatamente a mesma coisa que Kevin perguntara  me do beb.
        - Ela  saudvel, de acordo com Leah. E uma vez que Leah  pediatra, deve saber.
        Kieran fez uma careta
        - Em minha opinio, Kev, essa  uma boa notcia. Meu conselho  que voc lhe conte a histria inteira, e talvez tenha outra chance com Leah.
        Se ao menos aquilo fosse uma possibilidade. Se ao menos ele tivesse feito as coisas de modo diferente, revelado sobre sua doena em vez de usar a desculpa 
tpica de solteiro assumido. Se ao menos no tivesse feito um estrago irreparvel ao relacionamento deles, tentando proteg-la, talvez no estivesse nessa situao 
desagradvel agora. Ento, novamente, no sabia se teria feito alguma coisa diferentemente, mesmo sabendo o que sabia agora. A ltima coisa que Leah precisaria durante 
a gravidez era lidar com os problemas dele.
        - No vejo qualquer razo para lhe contar a histria inteira.
        - Voc pode dar bons conselhos, Kevin, mas no pode segui-los. 
        Kevin no podia lembrar-se de dar ao irmo qualquer conselho que valesse a pena.
        - Do que voc est falando?
        - Quando voc estava no hospital, disse-me que eu precisava baixar a guarda e confiar em Erica, ou estaria arriscando perd-la. Eu fiz isso, e olhe como 
foi bom. Agora voc tem a chance de fazer o mesmo e no vai sequer tentar. 
        -No h sentido em tentar. Isso no mudaria nada.
        - Por que voc pensa assim?
        Porque alguns problemas ainda prevaleciam. Problemas que impediam Kevin de tentar reconquistar Leah.
        - Antes de tudo, Leah detesta mentiras, e mesmo que minhas intenes tenham sido boas, ela teria dificuldade em acreditar. Segundo, ela quer uma famlia 
grande, e poderei no ser capaz de lhe dar isso por causa da quimioterapia.
        - Por que no deixa que ela decida se isso importa? Agora o motivo principal,
        -  tarde demais para ns, Kieran. Ela j est envolvida com algum de sua cidade natal. Estou certo que ele  a razo pela qual Leah decidiu ir clinicar 
no Mississipi, to logo a residncia termine. E tambm estou certo que esse  o motivo pelo qual ela me deu isso. - Ele ergueu o envelope. - Se eu assinar, renunciarei 
a meus direitos paternos.
        - Voc no est considerando isso seriamente, est? - Kieran parecia incrdulo.
        Kevin havia considerado aquilo seriamente durante a noite inteira. Todavia, todas as vezes que pensava em ficar afastado da filha... uma criana que ainda 
nem conhecia, a nica filha que talvez pudesse ter, sofria com desespero. Sofria to profundamente como quando pensara em se afastar de Leah.
        - Por um lado, continuo dizendo a mim mesmo que de modo algum permitiria que outro homem criasse minha filha. Por outro, talvez isso fosse a coisa altrustica 
a fazer. Talvez eu no tenha nascido para ser pai.
        - No tome nenhuma deciso precipitada at que d um passo mais importante - disse o gmeo.
        Kevin desconfiou que o irmo estivesse prestes a pedir-lhe para fazer algo para o qual ele no estava preparado. No at que soubesse que caminho iria tomar.
        - Se voc vai dizer que preciso contar a mame e papai sobre o beb, no estou pronto para fazer isso.
        - No  o que eu ia dizer.
        A impacincia de Kevin estava prxima do ponto critico.
        - Ento diga, Kieran, assim posso ir fazer minha ginstica.
        - Esquea a ginstica. V ver sua filhinha, Kev.
        
        - H algum aqui querendo v-la, Leah. Ao som do comunicado de sua companheira de casa, Leah afastou o olhar de Carly, que estava dormindo sobre seus seios.
        - Eu no ouvi a campainha da porta.
        Macy moveu-se pelo quarto e prendeu uma faixa em volta de seus cabelos louros ondulados.
        - Isso porque ele no tocou a campainha. Eu estava saindo quando o encontrei de p na soleira da porta, parecendo um co perdido.
        Leah desconfiou que conhecesse a identidade desse co perdido.
        - Voc conseguiu descobrir o nome dele?
        - No me importei em perguntar, mas posso lhe dizer como ele . Cabelos e olhos escuros, bonito de um jeito refinado. Pensando bem, ele se parece muito com 
ela. - Macy apontou em direo da criana adormecida nos braos de Leah. 
        Oh, excelente.
        - S mesmo Kevin para aparecer sem ser anunciado - murmurou Leah, embora no tivesse motivo para critic-lo. No dia anterior, fizera a mesma coisa.
        Os olhos de Macy arregalaram-se.
        - Kevin, o pai do beb?
        - O prprio.
        - Eu pensei que voc no ia lhe contar.
        - Mudei de idia. Ou perdi a cabea, para bem dizer.
        Quando Leah mudou a posio do beb para seu ombro e ficou de p, Carly executou,um pequeno protesto choroso.    
        - Segure-a por um momento. Ela precisa arrotar.
        Macy parecia como se Leah houvesse lhe pedido para fazer uma apendectomia na mesa da sala de jantar.
        - No sei nada sobre arrotos de bebs.
        Leah pegou uma fralda do lado da cadeira de balano, colocou-a sobre o ombro de Macy e entregou-lhe Carly.
        -Apenas bata nas costas dela algumas vezes.
        Quando o beb soltou um arroto moderado, dizer que Macy parecia assustada seria uma declarao muito amena.
        - E se ela vomitar em cima de mim?
        - Para isso existe a fralda, mas ela no vai vomitar.
        Leah, por outro lado, lutou contra a nusea s de pensar em encarar Kevin.
        Depois de abotoar a blusa, ela pegou Carly de volta nos braos, deu um beijo suave no rosto do beb e deitou-a no berinho de vime junto  sua cama.
        - Diga-lhe que irei v-lo to logo esteja apresentvel. 
        Macy fez uma careta.
        - Quem se importa com sua aparncia? Ele  simplesmente o doador do esperma, no seu par para o baile.
        Ignorando a amiga, Leah moveu-se em frente ao espelho da penteadeira e passou uma escova nos cabelos.
        - Seja como for, ele ainda  o pai de Carly.
        - Ele  um canalha, Leah. No merece ser pai. Leah olhou para Macy no reflexo do espelho.
        - Voc nem sequer o conheceu.
        - Mas sei o que ele fez com voc, e isso o torna um imbecil em minha opinio.
        Leah se virou e recostou-se na penteadeira.
        - Diga-lhe que irei num minuto, est bem? Macy deu de ombros.
        - timo. Voc se importa se eu chut-lo no meio das pernas no meu caminho de sada? Se eu fizer isso com bastante fora, talvez possa impedi-lo de procriar 
novamente.
        Leah apontou a escova para a porta.
        - Eu preferiria que voc desse meu recado sem qualquer violncia, e ento fosse trabalhar.
        -Voc no tem a menor graa - disse Macy quando fez meia-volta e saiu do quarto.
        Voltando para o espelho, Leah deu um longo olhar para sua aparncia e fez uma careta. Seu rosto mostrava sinais de fadiga, logo abaixo dos olhos irritados. 
Equilibrar as necessidades do beb com uma agenda movimentada tinha comeado a deixar marcas. Ela aplicou um pouco de batom, depois se repreendeu por acreditar que 
precisava maquiar-se para ver Kevin. Macy estava certa: aquilo no era um encontro. Pelo menos no um encontro amoroso. Um encontro com o destino podia estar iminente, 
dependendo das justificativas de Kevin para aparecer sem ser anunciado.
        Ela andou de volta at o bero para observar Carly, ainda cochilando, os punhos fechados no peito, um sorriso brincando nos cantos da boquinha. Evidentemente, 
sua filha estava tendo um doce sonho de beb, inconsciente que o homem responsvel pelo seu nascimento estava esperando na sala ao lado.
        Leah imaginou se Kevin pediria para ver a filha. Em caso positivo, talvez devesse vestir Carly com algo mais apropriado do que o macacozinho amarelo surrado.
        Outra idia boba. Carly era uma criana, pelo amor de Deus, e no tinha de impressionar o pai. Se Kevin no podia ver a bno sob o traje de sua filha, 
ento Macy estava certa... ele no merecia estar na vida de Carly.
        Como se ele realmente quisesse envolver-se com seu beb, algo que ela verdadeiramente duvidava.
        Depois de dar um profundo suspiro, Leah entrou na minscula sala de estar para ver Kevin sentado no sof de chintz floral, parecendo cansado, de algum modo. 
Mas tambm estava magnfico, num terno de seda azul-marinho com uma camisa branca, sem gravata. Ela detestava o que a viso dele lhe despertava: a lembrana de um 
tempo quando o teria cumprimentado com um beijo. Detestava o fato de que Kevin ainda podia lhe provocar aquelas lembranas, aqueles sentimentos que estariam melhores 
enterrados.                                                
         - Um telefonema antecipado seria bom - disse ela no mximo da exasperao. -Mas, como sempre, voc  cheio de surpresas, Kevin. - Algumas surpresas, muito 
boas, e outras, no to boas.
        Ele levantou-se, encarando-a fixamente.   
        - Tive um compromisso na cidade esta manh. Uma vez que estava to prximo, decidi parar aqui. 
        Aquilo explicava a roupa de executivo, mesmo se no desse a Leah todas as respostas que ela queria.
        - Como voc nos encontrou?
        - Seu endereo estava no envelope que voc me deu, lembra-se? Na verdade, ela no se lembrara.
        - Voc teve uma reunio de negcios?
        - Encontrei com meu contador. - Ele puxou um envelope de dentro do bolso do palet. - Este  o esboo do fundo financeiro que estou criando para Carly. Os 
documentos verdadeiros ainda no foram emitidos porque quero que voc examine primeiro e faa algumas mudanas. Voc ter completo acesso aos fundos, e se precisar 
de mais, somente ter de me dizer.
        Depois de uma breve hesitao, ela pegou o envelope da mo dele.
        - Como eu disse antes, no espero que voc seja financeiramente responsvel por Carly se...
        - Sei o que voc disse, mas ela  minha responsabilidade, e quero prov-la.
        Leah imaginou se uma obrigao monetria era o nico lao que ele planejava ter com o beb. Entretanto, aceitaria alegremente qualquer coisa que proporcionasse 
uma vida melhor  sua filha, pelo menos at que pagasse todos os seus emprstimos de estudante, e tivesse sua clnica particular estabelecida e funcionando.
        - Eu gostaria de v-la.
        Pelo menos aquilo respondia a uma das perguntas de Leah, e trazia algumas preocupaes. Mas agora que envolvera Kevin na situao, no tinha um bom motivo 
para no atender o pedido dele, especialmente quando ele parecia to sincero.
        - Ela estava dormindo quando a deixei h alguns minutos, mas acho que voc pode dar uma olhada.
        Leah conduziu Kevin at seu quarto, que era tambm o quarto do beb. Quando se aproximou do bero de vime, descobriu que sua filha no estava dormindo em 
absoluto. Em vez disso, Carly olhava fixamente para o mobile multicolorido balanando acima de sua cabea.
        Leah deu um rpido olhar por sobre o ombro para ver Kevin parado perto da porta, como se incerto do que fazer em seguida.
        - Ela est acordada, portanto, voc pode se aproximar.
        Ele ficou ao lado de Leah e olhou para Carly, que lhe deu um sorriso, como se, de algum modo, sentisse que ele era um convidado especial.
        - Ela comeou a sorrir bastante no ltimo ms - disse Leah. Kevin no respondeu, mas a admirao nos olhos escuros falava tudo.
        - Ela  bonita.
        Leah no poderia discordar.
        - Ela  um beb bom, uma vez que esteja bem-alimentada e seca. Mas s vezes tem crises de clica, e  um pouco temperamental quando no obtm o que quer 
imediatamente.
        Ele permaneceu quieto por algum tempo antes de perguntar:
        - Posso segur-la?
        Leah certamente no estava preparada para o pedido, mesmo que fosse lgico um pai querer segurar sua filha.
        Ela gesticulou em direo  cadeira de balano prxima ao bero.
        - Sente-se ali e eu a entrego.
        Depois que Kevin obedeceu, Leah ergueu o beb do bero e colocou-o na curva do brao forte. Carly sorriu para ele novamente e Kevin retribuiu o sorriso.
        - Ol, garotinha. Eu sou seu pai - disse ele, num tom de voz suave, quase reverente.
        Leah no podia contar o nmero de vezes que visualizara aquela cena, em circunstncias muito diferentes. Com freqncia, pegava-se fantasiando com uma famlia 
feliz de trs pessoas. Um sonho que nunca se realizaria, mesmo agora. Mas no podia negar quo natural ele parecia segurando sua filha. No pde conter a onda de 
emoes, a ameaa de lgrimas quando Kevin fechou os olhos e pressionou os lbios contra a testinha de Carly, enquanto a abraava bem junto ao corao.
        Aquele homem bonito, que nunca mencionara querer filhos, parecia como se tambm estivesse lutando contra suas prprias emoes por ver sua filha. Mas Leah 
tinha de lembrar-se que aquele era apenas um momento especial. Possivelmente, um momento de adeus.
        Alguns minutos depois Kevin se levantou vagarosamente e deitou o beb de volta no bercinho. Quando encarou Leah de novo, tirou outro envelope do bolso.  
        - Eu passei a maior parte da noite pensando nestes papis. - Ele abriu o envelope e retirou o documento. - E aqui est o que eu realmente penso sobre eles.
        Depois de pr o envelope na cadeira de balano, ele virou-se, rasgou os papis e atirou os pedaos na cesta de lixo prxima.
        - Carly  minha filha, Leah, e quero ser uma parte da vida dela. Eu preciso dela na minha vida.
        Quando Leah foi capaz de falar, aps passar o estado de choque, perguntou:
        - Voc tem certeza absoluta?
        - Sim, e quero provar isso.
        Leah passou os braos ao redor da barriga.
        - E como voc prope fazer isso?
        - Tomando conta dela enquanto voc est trabalhando.
        E Leah acabara de pensar que no podia ficar mais atnita do que j estava.
        - Isso no  necessrio. Eu a matriculei numa boa creche.
        - E eu tenho uma agenda flexvel... posso dedicar meu tempo a ela. Aquela proposta era quase mais do que ela podia esperar.
        - Voc entende o que isso envolve, Kevin? Toda a alimentao e mudana de fraldas e crises de choro sem fim?
        - Entendo isso completamente, e lidarei com tudo. E agora que estou aqui, h algo mais que quero saber. - Ele olhou em volta, focalizando a cama desarrumada 
no canto. - Carly tem seu prprio quarto?
        - Este  apenas um apartamento de dois quartos, e divido a casa com Macy, motivo pelo qual Carly est aqui comigo.
        Ele deu-lhe um sorriso dissimulado.
        - Oh, sim. Sua colega Macy, a que pareceu querer me castrar antes de ir embora.
        Pelo menos Macy no tinha literalmente chutado Kevin.
        - Ela  uma boa pessoa quando voc passa a conhec-la.
        Ele lhe deu um olhar duvidoso antes de examinar o quarto novamente.
        -No sei nada sobre bebs, mas Carly no vai crescer e no vai caber mais nesse bero. E parece-me que voc no tem espao para uma cama maior.
        Aquilo a irritou.
        - Este apartamento  tudo que eu tenho condies de manter agora, Kevin, e lhe prometo que ela ter uma cama quando chegar a hora, mesmo se eu tiver de dormir 
no cho.
        Ele foi totalmente cnico.
        -  uma grande idia, Leah, dormir no cho. Estou certo de que isso lhe proporcionar muito descanso antes que voc tenha de tomar decises mdicas de vida 
ou morte.
        Leah reconheceu que ele estava certo, e deu outra sugesto:
        - Ento, dormirei no sof. 
        O sorriso dele foi quase letal.
        - Aquele com almofadas achatadas? Isso ser excelente para suas costas, pois se me recordo corretamente incomoda voc a cama ser firme demais.
        Exasperada, Leah limitou-se a exigir que ele fosse embora.
        - Novamente, vou me virar pelos prximos dois meses. Carly no sofrer de modo algum.
        - Estou pensando que h uma soluo melhor que impedir qualquer sofrimento ou sacrifcio da parte de vocs duas.
        Leah estava quase com medo de perguntar.
        - Qual seria?
        - Um novo lugar para morar. Um lugar melhor.
        - Eu j lhe disse que no tenho condies...
        - Sem qualquer despesa.
        Ela refletiu sobre naquilo por um momento, muito tentada com a oferta. Kevin era um mgico financeiro com uma carteira de aes que concorria contra qualquer 
diretor-executivo de uma grande corporao. Muitas vezes ele lhe dera conselhos fiscais e modos de planejar o futuro depois que ela terminasse a residncia no hospital. 
Ele tinha total condio de financiar um apartamento maior. Um lugar onde Carly pudesse ter seu prprio quarto, permitindo Leah dormir na sua prpria cama.
        - Voc est realmente falando srio sobre me pagar um aluguel num apartamento maior?
        -No uma apartamento. Uma casa.
        Talvez at mesmo num bairro com um parque, onde Leah pudesse levar o beb nos seus dias de folga. A oferta parecia melhor a cada momento.
        - Uma casa seria timo, mas todas as casas perto do hospital so incrivelmente caras.
         - Eu estava pensando em algo a 15 minutos de distncia. Uma casa maravilhosa, num excelente bairro. Quatro quartos, quatro banheiros, cozinha gourmet e 
um grande quintal com piscina.
        Leah riu.
        - Isso  um pouco de exagero para duas pessoas, no acha?
        - Trs pessoas.
         Leah engoliu em seco.
        - No estou certa se entendo o que voc est propondo, Kevin. - Na realidade, ela sabia exatamente o que ele estava dizendo.
        E ele confirmou sua suspeita quando sorriu e respondeu;
        - Estou falando da minha casa, Leah. Quero que voc e Carly se mudem para l, comigo.
        
        
        
                           CAPTULO TRS
     
     
        - VOC EST falando srio?
        Kevin no ficou nem um pouco surpreso pela reao de Leah, embora tivesse se surpreendido pela sua prpria oferta espontnea. Contudo, a idia toda fazia 
perfeito sentido.
        - Nunca falei to srio na minha vida. Ela franziu a testa numa quase careta.
        - Voc perdeu o juzo, Kevin.
        Possivelmente, por pensar que ela pudesse concordar com aquilo. Mas ele no estava querendo desistir... ainda.
        -  um excelente arranjo, Leah. Voc pode ir trabalhar de manh, sem precisar deixar Carly num lugar ou noutro. Eu posso tomar conta dela durante o dia, 
e voc reassume quando voltar para casa  noite, se no estiver cansada. Ora, posso at mesmo ter um jantar esperando por voc.
        Ela mostrava seu ceticismo na expresso.
        - Voc no sabe cozinhar.
        -No  verdade. Eu fiz jantar para voc uma noite no meu apartamento. 
        Ela sorriu.
        - Voc esquentou um jantar que sua cunhada foi muito gentil em preparar para ns.
        Kevin devolveu-lhe o sorriso, lembrando-se das noites incrveis que eles tinham compartilhado.
        - Voc no reclamou. Na verdade, no me lembro de t-la ouvido reclamar de nada a noite inteira. - Ou pela manh, quando ele havia feito amor com ela pela 
segunda vez. Ou talvez tivesse sido a terceira...
        Leah pigarreou, trazendo Kevin para o presente.
        - Deixando de lado a falta de habilidades culinrias, o que voc sabe exatamente sobre os cuidados de um beb? - perguntou ela.
        No muito.
        - Tenho diversas sobrinhas e sobrinhos, de quem cuidei uma vez ou duas. - Sob superviso direta de seus pais durante reunies informais familiares, um detalhe 
que ele preferiria no revelar no momento,  luz do olhar cnico de Leah.
        Quando Carly choramingou, Leah pegou o beb nos braos e deitou-a na cama.
        - D-me uma fralda e uma caixa de lenos umedecidos - disse ela enquanto comeava a abrir pequenos botes de presso no macaco com pezinhos de Carly.
        Kevin olhou em volta por alguns momentos antes que Leah acrescentasse:
        -A caixa est sobre a cmoda e as fraldas na gaveta.
        Ele pegou uma fralda descartvel e uma caixa de plstico que indicava claramente lenos umedecidos para beb. Depois de entregar a fralda e os lenos para 
Leah, sentou-se na beira do colcho, perto da filha.
        - Voc quer fazer isso? - perguntou Leah, na expectativa.
        Se ao menos ele fizesse uma tentativa, ento provaria o quo pouco sabia lidar com beb.
        - Uma vez que somente fomos apresentados recentemente, observarei enquanto voc a troca.
        - Voc nunca fez isso, fez?
        Ela estava intuitiva demais para seu gosto, pensou Kevin.
        - No.
        - Foi o que pensei - murmurou Leah enquanto trocava a fralda da filha.
        Kevin tentou concentrar-se na tarefa da troca de fralda, mas foi distrado pelos barulhos que Carly emitia.
        - Voc ouviu isso? - Ele parecia como se sua filha tivesse recitado o prembulo da Constituio.
        - Ela comeou a fase do arrulho h uma semana.- explicou Leah enquanto fechava o macacozinho de novo com a habilidade de uma artista em trocas de beb.
        Quando Carly riu para ele novamente, Kevin disse:
        - Ela  seguramente uma menina feliz.
        Leah pegou o beb e segurou-a contra o ombro.
        - Ela no ficar feliz por muito tempo, uma vez que j passou a hora para uma soneca.
        Aquela era a dica para ele ir embora. Kevin se levantou e disse:
        - Excelente. Irei embora a fim de que ela possa tirar uma soneca. Ligarei para voc mais tarde, a fim de discutir a mudana.
        - Eu no falei que iria me mudar para a sua casa, Kevin.
        Pelo menos ela no dissera que no se mudaria, o que significava que ele tinha esperana.
        -Apenas pense sobre como seria conveniente se morssemos juntos. 
        Ela colocou o beb de volta no bercinho e deu-lhe um sorriso irnico.
        - No  a convenincia que me preocupa.
        Ele sabia perfeitamente o que a aborrecia... a possvel exploso sensual devido  proximidade deles.
        - Oua, tenho duas sutes mster, uma em cada ponta da casa, com dois quartos entre elas. Um desses quartos seria de Carly. E voc poderia ter seu prprio 
banheiro privativo, com uma banheira de hidromassagem.
        Deus, agora ele parecia um corretor de imveis.
        - Tenho certeza que  timo, Kevin, mas no estou interessada.
        - Voc no est nem mesmo um pouquinho tentada? - Ele usou uma de suas grandes armas... uma piscadela.
        Leah rolou os olhos, indicando que ele perdera a habilidade de seduzi-la.
        - Tentao nos colocou nessa situao, antes de tudo.
        Ele no podia discutir aquele ponto. No pretendia discutir seu caso de coabitao.
        - Voc no teria de ficar perto de mim, a no ser nos momentos que envolvessem Carly. Na verdade, voc estaria fora a maior parte do dia, o que deixa apenas 
algumas horas durante a noite, quando teria de tolerar minha presena.
        -Verdade, mas, francamente, no estou certa se confio em voc mesmo por cinco minutos.
        Ele lutou contra um acesso de raiva, mesmo sabendo que no fizera nada para obter a confiana dela novamente.
        - Oua, Leah, voc vai embora em agosto. Isso me d menos de dois meses para conhecer meu beb antes que voc a leve para outro estado. No posso fazer isso 
quando ela estiver numa creche o dia inteiro.
        - Voc pode v-la antes de eu partir e depois que eu mudar para o Mississipi, se assim desejar.
        - Voc quer dizer uma semana sim, outra no? Talvez um feriado ou dois? Isso no nos dar tempo para construir um relacionamento de pai e filha.
        Ela suspirou.
        - Vamos discutir isso mais tarde. Agora sua filha precisa dormir. 
        Sua filha. S aquilo alimentou a determinao de Kevin. Ele daria a Leah algum espao, e nesse nterim se prepararia para uma batalha... ter Leah e Carly 
na sua casa... mesmo que no se surpreendesse se ela recusasse.
        - Tudo bem - disse Kevin, dirigindo-se para a porta. - Entrarei em contato dentro de poucos dias. Ligue-me se mudar de idia antes disso.
        - Eu no mudarei, Kevin.
        No minuto que sua colega de casa entrou pela porta da frente, Leah no pde mais conter o silncio.
        - Voc no vai acreditar no que Kevin fez.
        Macy ps a mo na testa com toda a polidez de uma rainha do drama.
        - Com um beb no local? Ele no tem vergonha? 
        Leah suspirou, frustrada.
        - Ele pediu que eu me mude para a casa dele. 
        Macy caiu no sof e recostou a cabea na almofada.
        - Por favor, diga-me que voc no concordou, Leah.
        - Claro que no. - Embora ela tivesse de admitir que no pensara em outra coisa a no ser na proposta de Kevin durante a maior parte do dia.
        - timo. Por um minuto pensei que voc tivesse perdido o juzo - disse Macy enquanto se livrava dos sapatos.
        Leah sentou-se na poltrona oposta ao sof e colocou os ps sobre a mesinha de centro.
        - Ele diz que seria apenas temporrio. Somente at que eu me mude para o Mississipi, em agosto.   
        Macy franziu o cenho.
        - Voc no vai fazer isso, ento por que est me contando?
        Leah no entendeu por que revelar os detalhes a Macy parecia to importante, mas era.
        - Somente quero que voc note que no  o que pensa. Kevin quer conhecer Carly e no posso, de modo algum mant-lo afastado da filha, agora que eu o envolvi 
na vida dela.
        - Vida dela - acrescentou Macy. - Estas so as palavras-chave. Isso no significa que voc tem de morar com ele. Ele pode muito bem t-la por algumas horas 
durante o fim de semana.
        Aquilo parecia lgico, todavia, Leah reconhecia a razo daquele arranjo ser adequado para Kevin.
        - Ele tambm ofereceu tomar conta de Carly durante o dia, enquanto estou no trabalho.
        Macy deu um sorriso afetado.
        - Voc no deve pensar em deixar sua garotinha nas mos de um monumento de m influncia.
        Leah lamentou ter contado a Macy todos os detalhes do passado de Kevin.
        - Ele no  um ogro, Macy.
        - No, ele  um jogador que provavelmente tem uma porta de vaivm no seu vestirio feminino.
        Leah permaneceu silenciosa alguns momentos, antes de continuar.
        - Ele tem uma casa com quatro quartos, quatro banheiros e uma piscina. 
        Macy animou-se como um cachorrinho esperando um agrado.
        - Uma piscina? Comprada pronta ou cavada na terra?
        - Cavada na terra. Com uma cascata e um ofur de gua quente.
        - Uau! Bem, voc fica aqui com o beb e eu me mudarei para a casa dele.
        Leah ficou atnita diante do repentino surto de cime que a inundou com aquele pensamento.
        - Ele no faz seu tipo, Macy.
        - Sim, sei disso. E  bonito demais para mim. Eu prefiro um cara menos refinado. Algum que seja bom com as mos.
        - Kevin  definitivamente bom com as mos. - Entre outras coisas. 
        Macy inclinou-se para a frente e deu a Leah um olhar srio.
        - Eu honestamente acredito que voc est considerando a proposta dele.
        -E claro que no. - Notando o tom defensivo na sua prpria voz, Leah o moderou.
        - Voc tem razo. Com ou sem piscina, isso no daria certo.
        Macy jogou os cabelos louros para trs, que cascateavam at os ombros.
        - Talvez voc tenha medo que d certo. Talvez esteja com medo de se envolver novamente. Mas, oua aqui, nada errado com sexo conveniente, contanto que voc 
no deixe toda carga emocional entrar nisso. E contanto que d ateno dobrada aos preservativos.
        - No estou a fim de qualquer espcie de sexo. - Aquilo no era exatamente mentira. Ela no pensara em sexo por meses... muito. - Alm do mais, eu disse 
a ele que estava saindo com algum.
        Macy ficou boquiaberta por alguns momentos antes de dizer:
        - Quando voc tem tempo para sair com algum?
        - No tenho e no estou saindo. S quero que ele acredite que estou fora do mercado.
        - O que voc vai dizer se ele pedir detalhes sobre esse homem misterioso?- perguntou Macy.                 
        - J lhe forneci detalhes. Fingirei que meu novo amante  J. W., meu amigo do Mississipi.
        Macy bufou.
        - Voc est falando daquele mecnico que ligou uma noite dizendo que tinha uma caixa de ferramentas muito, muito grande, e depois perguntando se eu queria 
v-la?
        Bom velho J. W.
        - Sim, mas no se preocupe com ele, que  do tipo que fala, mas no age.
        -Acreditarei em voc. - Macy bateu as mos sobre as coxas e ficou de p. - Preciso tomar uma ducha agora, porque eu estou a fim de um pouco de amor. Tenho 
um encontro com um bonito, e ele vem me apanhar em menos de uma hora.
        Leah experimentou uma onda indesejvel de inveja. 
        - Boa sorte.
        - Obrigada, Leah. E s mais uma pergunta: voc deixou bem claro para Kevin que no est interessada em bancar a famlia feliz com ele?
        - Eu tentei, mas, conhecendo Kevin, ele no vai desistir facilmente.
        
        - Eu preciso que voc me empreste uma de suas filhas.
        Depois de sua declarao, Kevin daria seu ordenado de um ms por uma cmera para capturar o olhar confuso no rosto do cunhado.
        - Pelas barbas de No, Kevin, do que voc est falando?
        - Se voc me permitir entrar na sua casa, Wht, eu lhe direi. - Ele no gostava da idia de explicar a situao para sua irm, Mallory, mas desespero o fizera 
atravessar Houston durante a hora do rush atrs de uma ajuda muito necessria.
        Depois de um momento de hesitao, Whit abriu a porta por inteiro e murmurou:
        - Entre.
        Kevin entrou na sala de estar e viu Mallory sentada na beira do sof, usando um penhoar de seda rosa. Uma garrafa de champanhe e duas taas de cristal estavam 
sobre um tapete medonho que cobria o assoalho de carvalho. Uma cena aconchegante, indicando uma comemorao ntima. Com certeza, ele no chegara numa boa hora.
        - Seu celular est com algum problema, Kevin? - perguntou sua irm, o tom de voz bem pouco amigvel.
        Ele enfiou as mos nos bolsos e tentou parecer arrependido. 
        -Desculpem. Apenas deduzi que, uma vez que so 18h de uma segunda-feira, eu no interromperia nada, a no ser um jantar.
        - So quase 19h. - Whit sentou-se ao lado de Mallory e colocou a mo sobre a coxa dela. - Se voc tivesse aparecido cinco minutos depois, eu no teria atendido 
a porta.
        Kevin olhou para a bebida no cho.
        - Hoje  aniversrio de casamento de vocs?
        - No. - Mallory apertou a faixa do penhoar e moveu-se para mais perto do marido. - Whit ficou sabendo hoje que vai projetar uma casa de milhes de dlares 
para uma proeminente corporao. Estamos comemorando.
        Kevin estendeu a mo para o cunhado num cumprimento.
        - Meus parabns. 
        Whit sorriu orgulhoso.
        - Obrigado. Ganhei uma concorrncia com diversos outros arquitetos, portanto, estou muito feliz por isso. Comearei a trabalhar no projeto dentro de poucas 
semanas.
        - Parece ser um bom negcio - disse Kevin. - Quem  esse magnata, afinal de contas?
        Mallory suspirou.
        - Vamos cortar a tagarelice de vocs dois. E, Kevin, o que voc est fazendo aqui?
        -Ele quer uma das garotas emprestada. - disse Whit antes que Kevin pudesse responder.                                                  
        Mallory fez uma carranca.
        - Para qu?
        Agora vinha o mago da questo. A explicao que poderia tomar algum tempo. Com isso em mente, Kevin pegou uma cadeira junto ao sof e preparou-se para confessar.
        - Tentarei ser breve.
        - Boa idia - disse Whit. - Temos de voltar  comemorao e voc no est convidado para assistir.
        Kevin entrou em detalhes sobre seu encontro com Leah, relatando sua descoberta sobre Carly e sua mais recente proposta. Concluiu dizendo:
        - Ela no concordou em se mudar para a minha casa ainda, mas mesmo que no concorde quero aprender a tomar conta de bebs. Esta  a razo pela qual estou 
aqui.
        To logo o espanto deixou a expresso de Mallory, ela inclinou-se para a frente e colocou as mos no colo.
        - Isso significa que vocs dois talvez possam voltar a se relacionar? 
        Obviamente, ele tinha nascido numa famlia de casamenteiros frustrados.
        - No, no significa. Ela no est interessada.
        - Mesmo depois que voc contou-lhe sobre sua doena? - perguntou sua irm.                                                                         
        - Eu no contei nada a ela, e no tenho inteno de contar. 
        Whit balanou a cabea.
        - Voc est cometendo um grande erro, camarada.
        Talvez, mas Kevin no pretendia complicar o assunto mais do que j estava.
        - Tenho razes para manter a informao para mim mesmo.
        - No posso imaginar quais seriam - disse Mallory. - Se Leah soubesse o motivo pelo qual voc rompeu sua relao com ela, ento estou certa de que lhe daria 
outra chance.
        Kevin estava mentalmente estressado demais para discutir seus motivos agora, especialmente aps j t-los discutido com Kieran naquela manh.
        - Acredite em mim quando digo que Leah no se importaria. Mas eu ainda quero fazer o certo por minha filha, e  aqui que as gmeas entram.
        Mallory cruzou os braos.
        - Antes de tudo, por mais que eu gostaria de lhe emprestar uma das crianas, Lucy e Maddie esto com mame e papai para passarem a noite. Em segundo lugar, 
elas no usam mais fraldas, no tomam mais mamadeira, comem alimentos slidos e dormem em camas, no em beros. Na verdade, elas vo fazer trs anos e no trs meses. 
Duvido que seriam de alguma ajuda, a menos que voc precise de todas os detalhes sobre os melhores e mais recentes personagens de desenho animado.
        Droga! Ele no tinha considerado que suas sobrinhas estavam muito alm da idade de bebs como Carly.
        - Isso mostra o quanto eu sei sobre crianas. 
        Mallory levantou-se e fez um gesto para ele.
        - Venha comigo. Tive uma idia.
        Whit gemeu quando Kevin seguiu a irm para fora da sala e entrou no hall. Eles seguiram para o quarto de dormir, decorado em tons de amarelo e verde, duas 
camas de solteiro em vez de beros... uma em cada lado das paredes. Mallory atravessou o quarto, pegou uma boneca e duas miniaturas de fraldas de uma prateleira, 
virou-se e ofereceu-as a ele.
        - Voc pode praticar com Sally Sweetness, que  anatomicamente correta. Se quiser, posso lhe dar uma das mamadeiras de brinquedo. Encha-a com gua, enfie-a 
na boca da boneca e em questo de minutos ela molhar a fralda, e voc pode trocar a mesma.
        No exatamente o que ele tinha em mente.
        - Uma boneca no  a mesma coisa que na realidade, Mallory.
        -  um comeo, Kevin. Ou voc poderia esperar algumas semanas at que o beb de Logan e Jenna chegue.
        Ele no tinha semanas para esperar pelo nascimento de outra sobrinha ou sobrinho. No se quisesse provar a Leah que podia cuidar de Carly agora. Pegou a 
boneca das mos de Mallory e enfiou as fraldas no bolso de sua cala folgada.
        - Treinarei com isso.
        - Eu acabei de me lembrar de algo mais que talvez ajude, portanto espere aqui - disse Mallory enquanto saa do quarto. Ela voltou poucos momentos depois, 
dessa vez com um livro, que entregou a ele. - Voc encontrar tudo que precisa saber sobre bebs aqui.
        Ele pegou o livro e folheou as pginas, cheias de ilustraes.
        - Tudo que preciso saber est aqui?
        - Sim, mas se voc tiver alguma pergunta, ligue-me. Pode tambm ligar para mame. Afinal de contas, ela criou seis filhos.
        No era algo que ele iria querer fazer.
        -No quero contar a mame e papai ainda. No at ter certeza se Leah vai concordar com meu plano.
        Mallory inclinou a cabea e examinou-o por um momento.
        -- Voc no quer mame o paparicando, razo pela qual preferiu vir at mim.
        Sua irm o conhecia muito bem.
        - Pode-se dizer isso. Quero fazer tudo sozinho, ou pelo menos a maior parte. Mas tenho de admitir que  muito amedrontador.
        Ela acariciou-lhe o brao.   
        - Voc  um sujeito esperto, Kevin. E no deixe ningum engan-lo em pensar que homens no tm instintos no que diz respeito aos seus filhos. Tudo que tem 
a fazer  seguir esses instintos e amar sua filha.
        A coisa bizarra era que Kevin j amava Carly, mesmo que a tivesse segurado uma nica vez.
        - Eu me lembrarei disso.
        Mallory olhou-o por alguns momentos, antes de dizer:
        -Acredite ou no, eu acho que voc ser um bom pai, Kevin.
        Ento sua irm fez algo totalmente inesperado... puxou-o para um abrao. O momento pareceu desconcertante, a princpio, pelo menos para Kevin. Ele construra 
uma poro de muralhas em sua idade adulta, mesmo no que se referia  famlia. Mas deu boas-vindas  renovada intimidade com seus irmos, agora mais do que nunca.
        Depois que Mallory o liberou, Kevin sorriu.
        - Deseje-me sorte em convencer Leah que morar comigo seria a melhor coisa para ns trs.
        Mallory sorriu.
        - Voc no precisa de sorte alguma, meu irmo. Somente precisa usar esse charme que sempre usou em seu benefcio.
        Kevin no sentia todo esse charme ultimamente.
        - Isso faz parte do passado, Mallory. No tenho certeza que essa pessoa que fui ainda existe.
        - Oh, eu acho que existe. Somente, que  uma verso melhor daquela pessoa.
        Kevin sinceramente esperava que tivesse se transformado numa pessoa melhor. E, mais importante, esperava que Leah, mais cedo ou mais tarde, reconhecesse 
isso.
        - Obrigado, Mallory.
        - Sem problemas. Novamente, se voc decidir que precisa de minha ajuda com qualquer outra coisa, avise-me. Mas da prxima vez ligue antes de passar por aqui.
        Kevin podia pensar em algo que realmente precisava... um milagre. Nada menos do que um milagre convenceria Leah a mudar-se para a casa dele.
        
        - POR favor, durma, meu amorzinho.
        Leah reconheceu o quo tola parecia argumentando com uma criana de trs meses. Mas estava ficando mais desesperada a cada minuto, assim como perdendo a 
pouca pacincia que lhe restara.
        No importava o que tentara a fim de acalmar sua filha para dormir... de um passeio em volta da cidade, alimentando-a diversas vezes e embalando-a pelo que 
parecia horas no fim... nada funcionara.
        Usando todo seu conhecimento mdico, ela havia examinado Carly da cabea aos ps, tomado sua temperatura e determinado que sua filha no tinha nenhum problema 
fsico.
        Ento, basicamente Carly no queria dormir, a despeito da exausto da me. Ela continuava revezando entre arroubos de excitao alegre e acessos ininterruptos 
de choro. Pior ainda, o comportamento vinha acontecendo por trs noites seguidas.  claro, os funcionrios da creche haviam relatado que Carly fora um perfeito anjinho, 
dormindo duas vezes ao dia por pelo menos duas horas de uma vez. Infelizmente, Leah no desfruta daquela bno. Possua uma agenda repleta de consultas com crianas 
que precisavam d sua habilidade e de sua ateno. Dessa forma, no seria capaz de formar uma sentena completa, muito menos fazer um bom exame clnico em bebs.
        Quando Carly comeou a chorar novamente, Leah levantou-se da cadeira de balano e andou pelo quarto, sentindo-se como se tivesse perdido o controle da vida. 
Ela trabalhara duro para ser uma pediatra competente, mas, obviamente, falhava nas suas habilidades como me.
        Se ao menos pudesse fechar os olhos por alguns minutos, ou tomar uma ducha para estar bem-disposta pela manh. E a manh estaria chegando em menos de duas 
horas.
        Pensando dessa maneira, Leah deixou o quarto com Carly nos seus braos e dirigiu-se para o hall, a fim de procurar sua colega de casa. Macy poderia pelo 
menos ficar com Carly tempo suficiente para Leah tomar um rpido banho e talvez tirar uma soneca. Contanto que sua amiga estivesse disposta.
        Quando chegou ao quarto de Macy, Leah abriu a porta silenciosamente a fim de no assust-la. Carly aproveitou-se daquele momento para dar um berro irritante, 
como se sentisse que sua me estava prestes a deix-la com uma mulher que no possua o mnimo sentimento maternal dentro dela.
        Um facho de luz caiu sobre a cama, iluminando os olhos fechados de Macy.
        - Eu realmente preciso de ajuda - sussurrou Leah.
        Macy gemeu, ergueu a cabea e murmurou:
        - Que horas so?
        - Quase 4h. Carly est acordada durante a maior parte da noite e no dormi nem um pouco ainda. Poderia tomar conta dela por uma hora ou coisa assim, enquanto 
tiro uma soneca?
        Macy virou-se de costas e suspirou:
        - Preciso estar numa sala cirrgica em menos de cinco horas.
        Leah no estava a fim de competir com relao a quem tinha a agenda mais cheia, mas faria qualquer coisa que pudesse para conseguir a ajuda de Macy.
        - E eu tenho de atender a primeira, de mais 30 crianas, em menos de quatro horas.
        - Desculpe. Vou operar um corao. Se eu no estiver em perfeitas condies, Brannigan encontrar algum modo de punir-me por pelo menos um ms. No estou 
certa, dr. Lattimer?
        - Certssima - veio uma voz masculina decididamente baixa do lado de Macy.
        Somente ento Leah percebeu que Macy tinha um companheiro de cama. Um anestesista playboy, para ser exata. De algum modo, Macy tinha agido furtivamente, 
levando-o para o apartamento. Provavelmente quando Carly estava gritando no mximo de seus pulmes.
        Leah murmurou:
        - Desculpe incomod-los - enquanto fechava a porta. E Carly sorriu para ela, como se achasse a situao muito divertida.
        Leah no estava com vontade de rir. Estava muito cansada e com um pouco de cime de Macy. No que trocaria sua filha por um lance casual. No que gostaria 
de ter uma vida sem Carly, independentemente do quanto fosse difcil criar um beb sozinha.
        Todavia, quando voltou para o quarto minsculo e comeou a balanar sua filha novamente, conteve as lgrimas. A vontade de chorar aumentou quando considerou 
seu relacionamento anterior com Kevin e como havia sonhado por um futuro com ele.
        Leah podia ter errado sobre isso, mas no estava errada sobre uma coisa... Kevin se importava com a filha deles. Provara isso no momento que segurara Carly 
nos braos. Afirmara isso quando tinha estabelecido um fundo de investimento e, depois, oferecido seu lar para elas duas. E notavelmente, ele no a pressionara para 
tomar uma deciso sobre a mudana desde que fizera a oferta, seis dias atrs.
        Quanto mais Leah pensava na proposio de Kevin, mais acreditava que aquilo seria melhor tanto para ela quanto para o beb. Ela realmente teria alguma ajuda 
em noites como aquelas, quando se sentia como se estivesse falhando como me. Quando se sentia to sozinha!
        Com Kevin, poderia achar alguma estabilidade por enquanto, ou pelo menos at que se mudasse para o Mississipi.
        E quando a hora chegasse, seria ela quem iria embora, em vez de o contrrio. Isso deveria ter lhe trazido alguma satisfao, todavia, Leah somente se sentiu 
triste, e foi quando as lgrimas comearam a cair de modo determinado, suave e tranqilo, como o pequeno beb nos seus braos.
        Leah ouviu o som da respirao estvel de Carly e percebeu que ela finalmente adormecera. Mas no ousou tentar pr o beb na cama com medo de acord-la novamente. 
Em vez disso, inclinou a cabea contra a cadeira de balano e fechou os olhos. Contudo, antes que a fadiga a dominasse completamente, tomou uma deciso. Pelo bem 
de sua sade mental, sua profisso e o mais importante, pelo bem de sua filha, iria mudar-se para a casa de Kevin.
        E, agora que decidira, tinha somente mais uma deciso a tomar... exatamente como e quando lhe contar.
        
        
        
                                           CAPTULO QUATRO
     
     
        - TUDO BEM, eu farei isso - declarou Leah.
        O estupor de Kevin devido ao sono permitiu a nica resposta lgica para a declarao abrupta da mulher.
        - Far o qu?
        - Vou me mudar para sua casa.
        Quando a nebulosidade mental dissipou-se, Kevin recostou-se contra a cabeceira da cama e passou a mo no rosto.
        - Leah?
        - Sim. Quantas mulheres voc convidou para morar na sua casa? 
        Oh,Deus!
        - Nenhuma. Estou apenas surpreso por ouvi-la depois da meia-noite. Ou, melhor dizendo, por ouvi-la a qualquer hora.
        - Voc raramente costumava ir para a cama antes das 2h. 
        Verdade, mas isso foi antes que ele ficasse doente. Agora fazia questo de ir para a cama cerca da meia-noite, conquanto que no estivesse enfrentando um 
prazo apertado para fazer algo.
        - Foi uma semana de loucura.
        - Nem me fale.
        Ela parecia exausta e talvez aquilo tivesse a ver com a deciso que tomara. E pensar que depois de uma semana sem contato e sem indicao de que Leah mudara 
de idia ele quase desistira. Uma semana quando decidira perder as esperanas que ela aparecesse. Aparentemente, aquilo tinha funcionado.
        - Tem certeza de que  isso mesmo que voc quer? - Droga. Agora parecia que era ele que no estava seguro.
        - Sim, a menos que voc tenha reconsiderado.
        - Imagine. De modo algum.
        - Certo - disse ela. - Mas, antes que prossigamos, precisamos estabelecer algumas regras.
        Kevin no achou aquilo nem um pouco inesperado. Leah sempre fora dada a ordem e regras, e ele tinha quebrado mais do que poucas no relacionamento deles, 
incluindo sua promessa de sempre ser honesto com ela.
        - V em frente. Estou ouvindo.
        - No tenho muito tempo, portanto, somente direi algumas das mais importantes. Espero que sua filha acorde a qualquer momento agora, algo que ela vem fazendo 
a cada duas horas ultimamente.
        No era de admirar que ela parecesse cansada.
        - Imagino que ela herdou sua insnia.
        - No me considero uma pessoa insone.
        - Lembro-me de algumas vezes quando voc no conseguia dormir. Uma vez em especial, no muito depois que comeamos a namorar. Voc me ligou s 3h e perguntou 
se poderia vir  minha casa. - E eles haviam se entregado um ao outro no minuto que ela atravessara a porta da casa, no chegando sequer ao quarto. Ora, no tinham 
feito amor nem mesmo no sof. Nada como um tapete no cho numa hora dessas... - Voc ainda tem aquele pijama de seda listrado de zebra? - O pijama que ela usara 
na sua casa naquela noite, com um casaco por cima. Um pijama fenomenal. Blusa com alcinhas finas, cala baixa nos quadris, o tecido de seda sexy...
        - Esta  a primeira regra, Kevin. Nada de viajar pela estrada da memria.
        Tarde demais. Ele j viajara pela estrada da reconciliao.
        - Foi apenas curiosidade - Seu tom de voz inocente no parecia muito convincente, e ele duvidou que tambm Leah estivesse convencida.
        - Eu joguei aquele pijama fora um ano atrs. - disse ela. Provavelmente, cerca do mesmo tempo que ele jogara fora o relacionamento deles.
        - E quanto s outras regras?
        Leah pigarreou como se estivesse preparando um discurso srio.
        -Sem toques. Sem visitas conjugais tarde da noite quando o beb estiver dormindo.
        -Voc faz parecer como se estivesse me condenando  priso.
        - No. Estou apenas fazendo-me perfeitamente clara no que se refere s minhas expectativas. E vou manter Carly numa creche durante o dia, at ter certeza 
de que voc  capaz de lidar com ela.
        Ele apertou o receptor do telefone. 
        - Boa idia. Eu posso esquecer que ela est aqui e jog-la fora junto com os reciclveis.
        - Como eu j disse, tenho alguns problemas de confiana com voc, e confiana  conquistada, Kevin.
        Ele provavelmente merecia isso, o que somente aumentou sua determinao de provar que era bastante competente para cuidar do beb deles.
        - E se eu apanh-la mais cedo na creche, digamos uma hora ou duas antes de voc chegar em casa?
        Um breve silncio ocorreu antes que Leah respondesse:
        - Eu acredito que pode funcionar. Depois que estivermos l por alguns dias e eu observar como voc lida com ela. Bebs no so fceis.
        Pelo menos ele estava fazendo algum progresso.
        - Tudo bem, mas ficarei feliz em assumir os cuidados com Carly  noite, sob sua superviso,  claro. Dessa forma, poder se certificar de que estou fazendo 
tudo corretamente.
        - Talvez eu concorde com isso, contanto que voc oua o que tenho a dizer.
        - Combinado. - Ele pesaria todas as palavras que ela dissesse, se aquilo significasse ter sua filha por perto. Ter Leah por perto tambm no era desagradvel, 
mesmo que ela estivesse inclinada a mant-lo a distncia de um brao.
        - Quando voc pretende se mudar? - Ele parecia to ansioso quanto uma criana esperando a noite de Natal.
        - Estarei de folga no prximo fim de semana, quando farei as malas, se isso est de acordo com sua agenda.
        - Deve funcionar - disse ele, embora tivesse somente alguns dias para se preparar. No importava. Daria um jeito de fazer aquilo acontecer, mesmo se significasse 
pedir ajuda.
        - Acredito que s a verei no dia da mudana.
        
        O DIA da mudana chegou mais depressa do que Leah esperara.
        Entre trabalhar e cuidar de Carly, ela de algum modo conseguira embalar seu pertences em caixas que estavam agora colocadas perto da porta da frente. E com 
a ajuda de Macy carregara a maioria das coisas do beb no carro.
        No momento estava sentada na beira de uma cadeira, esperando Kevin chegar para retirar o resto de seus pertences. Carly dormia na cadeirinha de segurana 
a seus ps, totalmente inconsciente que estava prestes a se mudar para uma casa com o pai que quase no conhecia. Um ms atrs, Leah jamais imaginaria tal coisa. 
Um ano atrs, aquilo fora seu desejo secreto... morar com Kevin... somente que sob circunstncias mais favorveis. Teria apenas de aprender a aceitar a verso temporria 
modificada daquele desejo.
        De avental cirrgico, coberto por um jaleco de laboratrio, Macy saiu do quarto e sentou-se no sof em frente a Leah.
        - Tudo pronto? - perguntou enquanto pendurava seu crach do hospital em volta do pescoo.
        -Acho que sim. - Leah inclinou-se, retirou um envelope que enfiara na sacola de fralda e estendeu-o a Macy.
        - Aqui est algum dinheiro para minha parte nas contas do fim do ms. Avise-me se eu dever mais. 
        Macy acenou com a mo, dispensando-a.
        - Fique com o dinheiro.
        - Insisto. Eu j a estou deixando em apuros mudando de casa antes que voc encontre outra colega para dividir as despesas.
        - No estou procurando outra colega para morar aqui, e no preciso de dinheiro.
        Aquilo era novidade para Leah.
        - Eu pensei que voc tivesse me convidado para morar aqui porque precisasse de dinheiro.
        - Dificilmente. Dinheiro nunca foi problema para mim. No quando meu pai possui metade dos imveis em New Hampshire.
        Estranhamente, Leah nunca imaginara Macy como sendo uma garota "rica", a despeito de sua aparncia de socialite, mas ento realmente conhecia muito pouco 
da histria privada de sua amiga.
        - E sua me?
        -Tem a incumbncia de gastar o dinheiro de papai. Por que voc acha que ela tirou meu nome de uma loja de departamentos famosa como a Macy's, de Londres?
        Leah riu  socapa antes de fazer sua prxima pergunta.
        - Tudo bem, ento, se no precisa de renda extra, por que me pediu para dividir a casa com voc?
        - Porque eu soube que Jan tinha terminado a residncia, o que significava que voc no teria uma colega de casa quando voltasse de Houston depois que tivesse 
o beb. Apenas calculei que voc precisava de algum lugar para ir, e eu no quis ferir seu orgulho deixando-a ficar aqui de graa. - Macy sorriu. - Mas, por favor, 
no espalhe isso. No quero meus colegas mdicos pensando que no passo de um sargento insensvel.
        - Minha boca  selada.
        Macy inclinou-se para a frente e encarou Leah com um olhar srio.
        - Desculpe-me sobre a outra noite.
        A noite em claro que apressara a deciso que Leah esperava no viver para lamentar.
        - No se preocupe, Macy. Voc  adulta e livre para fazer o que lhe agrada, com quem a satisfaa.
        - No estou falando do "dr. Delcia". Estou me referindo a recusar tomar conta de Carly. Para ser honesta com voc, crianas me assustam.
        Ela sempre soubera que faltava a Macy habilidades maternais, mas crianas a assustavam?
        - Sempre achei que nada a amedrontasse, Macy, muito menos uma criana to pequena.
        - Oua. Cresci como filha nica e nem sempre fui uma criana amvel. Mesmo meus colegas imaginrios pararam de aparecer depois de algum tempo.
        Leah riu.
        - Estou satisfeita que voc tenha decidido se concentrar em cirurgia, no em pediatria.
        -Nem em um milho de anos. Sou muito melhor com pessoas quando elas so completamente crescidas e esto sedadas.
        - Voc  muito dura consigo mesma, Macy. Eu vi um lado seu mais suave. - Leah testemunhara isso h poucos minutos.
        Macy pareceu mortificada.
        - Novamente, no espalhemos esse boato no hospital. Mas, lembre-se, se seu arranjo no funcionar, pode sempre voltar. E se Kevin sair da linha, avise-me 
e trarei meu bisturi e o transformarei em eunuco. Ele nunca saber o que o atingiu.
        - Isso no ser necessrio. Posso lidar com Kevin.
        Quando a campainha da porta soou, Leah permaneceu presa no lugar, incapaz de mover-se: Antes que pudesse pedir a Macy que deixasse Kevin entrar, ela j caminhara 
para a porta e olhava pelo olho mgico.
        - Oh, no. H dois deles. Leah finalmente levantou-se.
        - Dois do qu?
        Macy deu um rpido olhar por sobre o ombro.
        - Dois Kevin. A menos que eu tenha desenvolvido viso dupla nos ltimos cinco minutos.
        Curiosidade fez Leah ir at a janela para dar uma olhada.
        Ela confirmou a observao de Macy quando viu Kevin e seu clone, parados do lado de fora.
        No era de admirar que sua amiga tivesse pensado estar sofrendo de dupla viso.
        - Esse  Kieran, o gmeo idntico de Kevin - explicou ela, O gmeo que Leah ainda no conhecia, devido ao mal-estar que existia entre os irmos. Obviamente, 
a hostilidade tinha chegado a um final.
        Macy deu outra olhada atravs do olho mgico.
        - Tudo bem, agora eu os diferencio. O outro tem braos to grandes quanto um barril de petrleo.
        - Isso porque ele  personal trainer e proprietrio de uma academia de ginstica.
        Macy sorriu.
        - Onde eu assino para me inscrever?
        Se algum no atendesse logo a porta, Kevin podia imaginar que ela mudara de idia.
        - Por que voc no o deixa entrar no apartamento, de modo que possa lhe perguntar?
        - Boa idia. - Macy abriu a porta, deu um passo para o lado e apenas disse:
        - Entrem.
        Ambos os homens entraram na sala de estar, fazendo o espao limitado parecer muito pequeno. A semelhana nas feies deles era notvel.,, os mesmos cabelos 
castanhos e olhos escuros intensos... todavia, Leah podia distingui-los e no por que Kieran possua mais massa muscular. Ela conhecia Kevin muito bem, seus maneirismos 
e seu sorriso, o qual ele deu-lhe quando seus olhares se cruzaram. Detestava aquela sensao de excitao que Kevin ainda tinha o poder de despertar nela. Reconheceu 
a ameaa naquilo e jurou subjugar aqueles sentimentos. Kevin gesticulou em direo ao irmo.
        - Leah, este  Kieran. Kieran, Leah.
        - bom conhec-lo finalmente, Kieran-disse Leah, oferecendo-lhe a mo para um cumprimento educado.
        - Igualmente - murmurou ele. - Kevin me falou muito sobre voc. Macy deu um passo  frente e olhou para Kieran com uma expresso de luxria incontrolvel 
que no podia ser disfarada.
        - Eu sou Macy, cirurgi extraordinria e futura ex-colega de casa de Leah.
        Kieran hesitou por um momento antes de tomar a mo que Macy ofereceu.
        - Prazer em conhecer vocs duas.
        - Precisamos comear a carregar logo seus pertences - disse Kevin. - Kieran precisa ir escolher um bolo de casamento.
        Macy pareceu completamente desanimada pela informao.
        - Bolo de casamento? 
        Kieran sorriu com orgulho.
        - Sim. Eu vou me casar em agosto.
        Sem formalidade, Macy apontou para as caixas.
        - Nesse caso, ali esto as coisas dela. Preciso ir trabalhar agora. - Ela voltou-se para Leah. - Eu a verei no hospital. - Depois apontou para Kevin. - E 
voc seja bom para minha amiga e para a criana.
        Com isso, Macy dirigiu-se para a porta, mas antes de sair uniu os dedos em formato de tesoura e enviou um sinal para Leah, movimentando-os como se estivesse 
cortando alguma coisa, juntamente com um sorriso malicioso. Felizmente para Leah, Kevin e Kieran estavam muito ocupados examinando as caixas que deviam ser carregadas.
        - Isso  tudo? - perguntou Kevin, voltando-se para Leah.
        - Sim, tudo - disse ela. - A maioria das coisas no apartamento pertence a Macy.
        Quando Carly comeou a inquietar-se, Kevin atravessou a sala e agachou-se em frente da cadeirinha de segurana.
        - Ol, mocinha.
        - Ela dormiu durante a maior parte da manh. - Devido ao fato que ela tivera outra noite sem descanso, para desgosto de Leah.
        Kieran caminhou ao encontro deles e ficou de p acima de Kevin.
        - No h duvida que ela  uma O'Brien, Kev. Ela se parece conosco. Kevin olhou para Leah e sorriu novamente.
        - Sim. Mas vejo muito da me, nela.
        Leah deveria provavelmente agradecer por isso, mas estava mais interessada em comear a mudana antes que Carly iniciasse seus protestos por seu confinamento.
        - Meu carro est cheio de outros pertences, mas posso arranjar lugar para mais algumas caixas:
        Kevin endireitou o corpo depois de beijar a face de Carly.
        - Tenho bastante lugar no meu  SUV para tudo.
        Engraado, por mais tempo que Leah o conhecesse, ele sempre preferira veculos menores.
        - Desde quando voc dirige um SUV?
        - Desde que percebi que carros de dois assentos no tm lugar para uma cadeirinha de criana.
        - Oh! - Foi tudo que Leah pde pensar em dizer naquele momento. A realidade do papel de Kevin na vida de Carly, na vida dela, estava comeando a se fazer 
sentir. Essa realidade se tornaria mais aparente to logo ela entrasse na casa dele.
       LEAH ESPERARA que a casa dele fosse boa. Mas no esperou que fosse to incrvel... desde os tetos arrojados at as paredes cinza-amarronzadas e assoalhos 
de madeira envernizada. Todavia, nada na grande sala parecia familiar.
        Nem o sof e as poltronas de couro bege superestofados. Nem as mesas negras moduladas ou os projetos contemporneos. Especialmente, nem as fotos de sua famlia 
sobre o mantel acima da lareira de pedra.
        Era como se ele tivesse apagado todas as evidncias de sua vida anterior como um solteiro morando num condomnio de alto luxo, esparsamente decorado com 
moblia de estilos diversos.
        Aquele lugar parecia muito mais refinado. Mais bem equipado para um casal, mas no necessariamente para uma criana at seus trs anos. No importava. Ela 
iria embora antes que Carly chegasse quele estgio.
        - O que voc acha? - perguntou Kevin quando Leah parou no meio da sala, examinando o local.
        Ela colocou a sacola de fraldas sobre o sof, junto com a cadeirinha de carro contendo sua filha, que dormira durante a viagem.
        - Eu acho maravilhoso. Voc mesmo escolheu a decorao?
        - Com a ajuda de meu cunhado. Ele  arquiteto, portanto, eu lhe disse o que queria, e ele fez os projetos.
        - Voc quer dizer Whit? - Claramente ele se esquecera que ela o conhecera.
        - Sim, Whit. - Kevin olhou em volta por um momento, como se incerto do que fazer em seguida. - Voc quer que eu descarregue as caixas agora ou prefere dar 
um giro pela casa?
        Curiosidade a dominara desde que ela parar seu carro no porto da casa.
        - Um tour parece bom. - Ela decidiu, primeiro, soltar Carly do confinamento da cadeirinha e acomodou-a sobre o ombro, com cuidado para no acord-la. - V 
na frente.
        Eles atravessaram a imensa sala onde Kevin parou na cozinha adjacente.
        - O microondas  muito usado aqui - disse ele com um sorriso. Que pena, pensou Leah quando observou o imaculado refrigerador de ao inoxidvel e o granito 
preto cobrindo o balco da cozinha. E que desperdcio de um forno duplo, no que ela quisesse ser voluntria para coloc-lo em bom uso.
        - Aqui  a lavanderia? - perguntou quando visualizou uma porta de correr.                 
        - Esta  a lavanderia principal. H outra mquina de lavar e secadora numa rea menor, perto da segunda sute master. Eu lhe mostrarei num minuto.
        Quando Kevin gesticulou para que ela seguisse em frente, Leah o acompanhou at outra rea, que refletia alguma coisa da vida pregressa de Kevin.
        Uma bizarra sala privativa continha seus inmeros prmios de jornalismo e uma parafernlia de objetos esportivos... bolas de futebol assinadas e coisas assim. 
Uma fileira de poltronas ficava diante de uma enorme tev de plasma presa numa parede.
        Kevin voltou-se para ela e continuou a caminhar de costas.
        -Aqui  o local onde a maior parte das aes acontece.
        Quando Carly comeou a mexer-se, Leah bateu-lhe nas costas.
         -Aes?
        - Onde assisto a todos os jogos. Tambm tenho uma rea para televiso adjacente  sute mster.
        Ela no ousou pedir para explorar aquela rea. 
        - Aonde vamos agora?
        - Ao seu quarto. - Kevin conduziu-a por um corredor pequeno que terminava num hall espaoso que se bifurcava. Ele parou e abriu o que parecia ser a primeira 
de uma srie de portas. - Este  o banheiro de hspedes.
        Hspedes de muita sorte, pensou Leah quando visualizou os balces de mrmore cor de chocolate e acessrios de lato.
        - Muito bonito.
        Kevin fechou a porta e continuou atravs do hall para a direita deles. Quando chegou ao final, abriu outra porta.    
        - Este  o seu quarto.
        Leah entrou na frente de Kevin, boquiaberta. O lugar era decorado em vrios tons de azul, incluindo uma cama tamanho gigante. Uma cama que parecia muito 
familiar.
        - Esses mveis so do seu quarto antigo do condomnio que morava? 
        Ele esfregou a mo na nuca.
        - Sim, Eu comprei mveis novos para meu quarto, ento decidi colocar esses aqui, pois tinham menos de um ano de uso.
        - Sei quando voc os comprou - disse ela, uma nfase bvia no tom de voz. - Eu ajudei a escolher.
        - Sim, voc ajudou.
        timo. Agora ela tinha de se recolher e acordar numa cama que ela e Kevin haviam feito bom uso muitas, muitas vezes.
        Leah lembrou-se de alguns daqueles momentos com grandes detalhes... a habilidade de Kevin, o calor de sua boca, seu toque de pluma, o peso do corpo msculo. 
Suprimiu a vontade de sacudir a cabea num esforo de desfazer as imagens.
        Kevin pigarreou, trazendo Leah de volta ao presente, um lugar que ela nunca deveria deixar novamente. Ele roou em seu corpo ao passar e abriu outra porta.
        - Como eu lhe prometi, sua banheira de hidromassagem.
        To logo Leah pisou no assoalho de lajotas brancas do imenso banheiro, Carly levantou a cabea e choramingou, como se ela tambm no pudesse acreditar na 
boa sorte delas.
        - Eu no saberia o que fazer com este espao todo. 
        Kevin deu-lhe um meio-sorriso.
        - Voc vai descobrir. Agora vamos ver o meu quarto favorito. 
        De modo algum. No depois de suas lembranas anteriores.
        - Kevin, no vejo necessidade de ver o seu quarto.
        - Eu quis dizer o quarto de Carly, Leah. - Ela corou violentamente devido sua suposio errnea. - Venha por aqui.
        Novamente Leah seguiu Kevin, enquanto Carly comeava a se contorcer incansavelmente contra ela. Talvez o beb estivesse excitado pela perspectiva de novos 
aposentos para dormir, uma suposio ridcula, uma vez que um beb de trs meses parecia ansioso por uma nica coisa... comer.
        Dizer que o quarto de beb era sensacional seria uma declarao muito simples. O quarto tinha sido meticulosamente decorado em tons de prpura claro, incluindo 
um edredom com desenhos de borboleta cobrindo um bero branco redondo com um dossel combinando.
        Todos os imaginveis bichos de pelcia alinhavam-se em volta de um pequeno sof-cama colocado debaixo de uma janela em arco com cortinas de babados lilases.
        Leah voltou-se para Kevin e sorriu.
        -  inacreditvel. Como voc conseguiu tudo isso em uma semana?
        - Tive alguma ajuda.
        Sem dvida, de alguma mulher, considerando o toque feminino reconhecvel.
        - Sua atual namorada?
        Agora, por que cargas d'gua ela perguntara aquilo? Na verdade, no queria saber.
        - No tenho namorada - disse ele. - E mesmo que tivesse, no confiaria a decorao a ningum, portanto pedi a Mallory. Ela aceitou e assumiu, embora eu tenha 
dado a palavra final sobre as decises de minha irm.
        Leah foi pega por um misto de alvio por ele no estar comprometido, e uma preocupao sobre como a irm de Kevin havia aceitado a notcia sobre o arranjo. 
No breve tempo que se relacionara com Mallory, Leah passara  respeit-la muito.
        - Ela fez um trabalho maravilhoso, Kevin. O que ela disse quando voc contou sobre Carly?
        - Ficou surpresa, mas est morrendo de vontade de conhec-la. Prometi que nos encontraramos uma noite num futuro prximo para jantar com ela e Whit, se 
voc estiver de acordo.
        -  claro. - Ela podia lidar com pessoas que considerara amigos antes do rompimento com Kevin. - E quanto aos seus pais? Como eles esto aceitando a novidade 
sobre um beb e a mudana?
        O olhar de Kevin vacilou.
        - Ainda no encontrei tempo para contar a eles.
        Muito provavelmente ele no tinha encontrado a coragem para lhes contar. Embora Leah no tivesse conhecido os pais de Kevin, sabia que eram tradicionalistas 
e poderiam no aceitar muito pacificamente o fato e ela e Kevin estar morando juntos.  claro, eles no estavam vivendo juntos daquela maneira, nem viveriam. No 
se ela mantivesse sua sanidade mental.
        Quando Carly comeou a se contorcer mais, Leah disse:
        - Eu acho que algum precisa trocar a fralda. Voc se importa de pegar a sacola dela para mim?
        - No  necessrio. - Kevin caminhou at um closet e abriu portas para prateleiras estocadas com tudo que um beb poderia precisar.
        Ele puxou uma fralda do alto da pilha, uma caixa de plstico com lenos umedecidos e um trocador cor-de-rosa para mudana de fralda que colocou sobre o sof-cama.
        - D-me Carly que eu farei isso.
        Leah no foi capaz de mover-se por um momento, surpresa.
        - Tem certeza?
        Ele bateu no sof-cama e sorriu.
        - Sim. Estive praticando.
        - Uma de suas sobrinhas ou sobrinhos? 
        Ele pareceu de repente sem graa.
        - Na verdade, com Sally Sweetness, uma das bonecas de minha sobrinha.
        Ela, necessariamente, no qualificaria aquilo como uma slida experincia, a menos que a boneca se contorcesse. Mas Kevin parecia to determinado que Leah 
no teve coragem de recusar.
        Ela deitou Carly no trocador. O beb olhou para ela antes de voltar sua completa ateno para Kevin, que se sentou na beira do colcho.
        - Posso no ser to rpido como sua me, menininha - comeou ele enquanto retirava a fralda molhada. - Portanto, voc tem de ser paciente com seu velho pai.
        Leah manteve uma distncia razovel, permitindo que Kevin procedesse no seu prprio ritmo. Afinal de contas, mudana de fralda no era uma cirurgia de risco. 
Como um profissional, Kevin deixou o beb limpo e com fralda trocada em poucos momentos, e o tempo todo Carly simplesmente olhou para ele, sorrindo.
        Leah no pde abster-se do prprio sorriso, ou da vontade de aplaudir.
        - Bom trabalho. E agora que passou nesse teste, o grande vem um pouco mais tarde.
        - Voc vai me graduar na preparao de mamadeira?
        - No. Voc vai dar um banho na sua filha. 
        Kevin olhou de volta para ela e franziu o cenho.
        - O quanto isso pode ser difcil?
        
        
        
                          CAPTULO CINCO
     
     
        BEBS NO deveriam vir apenas com manuais, mas tambm com alas. Kevin chegou a essa concluso ao perceber que sua filha ensopada, contorcendo-se, teria 
que sair da gua em algum momento. Felizmente, a banheira que Leah levara cabia dentro da pia da cozinha, o que significava que ele no tinha de agarr-la de uma 
posio ajoelhada. Isso no tornava a tarefa menos assustadora.
        - E se eu derrub-la? - Isso vindo de um homem que jogava na posio de receptor no time de futebol americano do ensino mdio. Deus, quanta ironia!
        Leah abriu uma toalha cor-de-rosa contra o peito.
        -Voc no vai derrub-la. Apenas segure-a com firmeza, como eu lhe mostrei, depois entregue Carly para mim. No  to difcil.
        Carly sorriu como se estivesse se divertindo  custa dele. Mas, ento, ela vinha sorrindo para ele desde que tinha chegado. Aquele sorriso era mais valioso 
do que qualquer prmio de jornalismo.
        - Certo, vamos l, pequena. Tente no se mexer demais. Vagarosamente, ele pegou Carly pela cintura, ergueu-a com cuidado e entregou-a para Leah antes que 
um pingo de gua casse no cho.
        -No foi to difcil, foi? - perguntou Leah.
        Difcil, no. Assustador, sim. No que ele admitiria o quanto estivera ansioso.
        - Muito fcil.
        Leah embrulhou o beb na toalha.
        - Eu sei que  enervante, mas voc vai pegar o jeito. 
        Ora, e ela no havia lido sua mente?
        - Suponho que sim, ms algum devia inventar algum tipo de dispositivo para erguer bebs. - Ou as alas mencionadas.
        - Eu me certificarei de fazer isso no meu tempo livre. Agora, preciso aprontar Carly para dormir - disse ela, saindo da cozinha e indo para o corredor.
        Kevin a seguiu para o quarto do beb, e, uma vez l, Leah ps a filha no bero e pegou uma fralda e talco antes de retornar ao beb.
        - Voc ter de achar um macaco para ela. Esto numa sacola azul em algum lugar do meu quarto. Eu deveria ter desfeito as malas, em vez de dormir com sua 
filha.
        Kevin tinha insistido para que ela cochilasse no sof-cama do quarto de Carly. Em outra poca e lugar, teria lhe pedido que se deitasse com ele, no exatamente 
para um cochilo.
        - Voc precisava descansar um pouco. Alm disso, no precisa achar roupas para Carly esta noite.
        Leah pareceu assustada.
        - Eu no vou deix-la dormir s de fralda.
        - No foi isso que eu quis dizer. - Kevin atravessou o quarto e abriu a primeira gaveta de uma cmoda, para mostrar diversos trajes de todas as cores imaginveis. 
- Mallory me deu algumas das roupas das meninas, e me ajudou a comprar outras peas. Tudo foi lavado.
        - Foi muita gentileza de Mallory.
        - Ela gostou de fazer isso. - Ele vasculhou a gaveta, e aps achar um item em particular virou-se e estendeu-o. - Este fui eu que escolhi.
        Leah sorriu ao ler as palavras bordadas na frente de um macacozinho cor-de-rosa: "Menina do Papai." Muito doce.
        A parte de vestir no pareceu to intimidadora comparada ao banho. Mas, ento, ele tinha de admitir que todos aqueles botes de presso pareciam confusos.
        - Tudo bem, mas no me culpe se eu abotoar errado.
        Quando Leah se moveu para o lado, Kevin abriu a toalha que embrulhava Carly e colocou a fralda com facilidade. Agora vinha a parte difcil.
        - Os ps primeiro - murmurou Leah antes que Kevin tivesse tempo para descobrir os mecanismos.
        Ele conseguiu enfiar as perninhas dentro do macaco, mas no tinha certeza de como ia lidar com o resto.
        - Eu no vou machuc-la quando puser os braos dela aqui dentro, vou?                            
        - Coloque um brao de cada vez.
        Kevin ficou surpreso que no era to difcil quanto parecia.  claro, Carly era totalmente cooperativa, como se j tivesse feito aquilo antes.
        Provavelmente, porque tinha feito. Depois que ele vestiu o macaco, iniciou o processo de fechar os minsculos botes de presso, que comeavam nas pernas 
e acabavam no pescoo. Pulou apenas alguns no comeo, mas logo tinha sua filha vestida.
        - Pronto, menina. Voc foi muito bem.
        - Voc tambm - disse Leah, com um sorriso amplo.
        - Obrigado. Espero me tornar mais rpido com a prtica. E agora?
        - Voc pode aliment-la, se quiser.
        Kevin baixou os olhos para seu peito, ento, ergueu-os novamente.
        - Caso voc no tenha notado, eu no sou exatamente equipado para isso.
        Um toque de tristeza cruzou o semblante de Leah.
        - Eu parei de amamentar no peito nesta ltima semana. Raramente encontrava tempo para bombear enquanto estava no trabalho, e minha produo de leite diminuiu 
at quase secar. Ela est tomando frmula agora, e detesto isso. - O tom de voz de Leah indicava o quanto detestava aquilo.
        No momento que ela desviou os olhos, Kevin perguntou:
        - Quando uma nova me chega ao seu consultrio na mesma situao, o que voc lhe responde?
        Ela suspirou.
        - Digo-lhe que o leite materno  melhor, mas que frmula  uma alternativa saudvel se no  possvel amamentar.
        - Voc diz a elas que devem se sentir culpadas?
        -  claro que no.
        -Ento, precisa praticar o que prega. Voc lhe deu todo aquele colostro importante, e continuou amamentando por muito mais tempo do que muitas mulheres com 
seu esquema de trabalho teriam amamentado, portanto, no se castigue por isso.
        - Como voc sabe sobre colostro?
        - Eu li sobre isso, assim como sobre muitos outros aspectos do crescimento de um beb.
        Finalmente, o sorriso de Leah retornou.
        - J deu mamadeira para um beb antes?
        - No, mas aprendo rapidamente.
        - Eu volto j.
        Depois que Leah saiu, Kevin pegou Carly nos braos e sentou-se na cadeira de balano do outro lado do quarto. Ela olhou para o rosto dele por um momento, 
antes de levantar a mozinha fechada e bater duas vezes no queixo dele.
        - Certo, eu provavelmente mereo isso, por diversos motivos, incluindo no estar presente no dia que voc nasceu.
        Carly sorriu como se dissesse: Tudo bem, papai. Voc est perdoado. Ele inclinou-se e beijou a pequena testa, inalando o xampu infantil de lavanda que, segundo 
Leah, tinha propriedades tranqilizantes.
        Kevin via muito pouco de seu pai irlands em Carly, e muito de sua me americana, comeando pelos olhos escuros e cabelos. Mas, ento, ele tambm era muito 
parecido com Lucine O'Brien. E no podia descontar a herana venezuelana de Leah do lado do bisav.
        Continuou maravilhando-se com as feies de sua filha, e reconheceu que todos os pais novos provavelmente se sentiam da mesma maneira que ele... pensando 
que seu filho era perfeito. Mas em sua opinio Carly era o retrato da perfeio. Rosto perfeito. Mos perfeitas. Temperamento doce perfeito.
        Sem aviso, Carly fez uma careta, um beicinho, antes de dar um grito que poderia rivalizar com um alarme de carro. Sentindo-se impotente, Kevin ergueu-a contra 
seu ombro e balanou a cadeira rapidamente, batendo de leve nas pequenas costinhas. E quando isso no funcionou, ele se levantou e andou pelo quarto.
        Felizmente, viu Leah aparecer, mamadeira na mo e falando:
        - Este  o choro de fome dela.
        -Imaginei - replicou Kevin, pegando a mamadeira e sentando-se de volta na cadeira de balano.
        Milagrosamente, no minuto que ele ps o bico na boca do beb ela ficou silenciosa, a no ser pelos sons de suco. Sim, estava definitivamente com fome.
        Leah permaneceu em p ali perto, observando cada movimento de Kevin.
        - Certifique-se de manter a mamadeira inclinada de modo que ela no sugue muito ar para o estmago. Um beb com gases no  um beb feliz.
        - Estou fazendo isso certo? - perguntou ele.
        - Sim, est.
        - Voc planeja me observar at que ela termine?
        - Pretendo.
        Kevin meneou a cabea.
        - Prometo que no vou fazer nenhuma bobagem, ento, enquanto isso, por que voc no pe aquela banheira de hidromassagem em bom uso?
        - No acho que seja uma boa idia. 
        Frustrao o assolou com fora total,
        - Oua, Leah, eu supervisiono dez reprteres e tenho mestrado em jornalismo. At mesmo reconstru uma transmisso e fiz um gabinete raro para minha me no 
curso de artes do ensino mdio. Sou capaz de dar uma mamadeira para um beb sem...
        - Eu quis dizer que no acho que seja uma boa idia tomar um banho de banheira. Talvez eu nunca mais queira sair.
        Certo, ento ele tinha tirado concluses precipitadas. Mas, considerando a atitude de Leah, a falta de confiana nele, quem poderia culp-la?
        - Se voc no sair em trinta minutos, irei cham-la,
        - Isso no ser necessrio. - Leah inclinou-se e beijou a testa de Carly. -- Voltarei em vinte minutos. - Quando olhou para baixo e notou que sua mo descansava 
sobre o brao de Kevin, puxou-a num movimento brusco, como se tivesse tocado um radiador.
        Sua reao fez Kevin dizer:
        - Isso vai acontecer.
        Leah cruzou os braos sobre o estmago.
        - No sei o que voc quer dizer.    
        - Ns iremos nos tocar de vez em quando, mesmo se somente nos momentos que passarmos o beb para os braos do outro. Voc no precisa fazer um drama disso 
e agir como se eu tivesse uma doena contagiosa.
        - No estou fazendo um drama, e no farei, contanto que voc entenda que eles sero os nicos tipos de toques entre ns.
        Kevin teve a impresso que ela estava tentando convencer a si mesma.
        - Entendido.
        Leah assentiu com um gesto de cabea.
        - Eu vou tomar um banho agora. Mais uma vez, no vou demorar.
        - Fique  vontade. As toalhas esto no armrio do banheiro, e Mallory estocou a prateleira com produtos para aromaterapia. Use o que quiser.
        Ela comeou a caminhar para a porta.
        - No se esquea de fazer Carly arrotar depois que ela terminar. Voltarei a tempo de coloc-la para dormir.
        Depois que Leah saiu do quarto, Kevin olhou para Carly, que j sugara quase metade da mamadeira. Ela parou tempo suficiente para lhe sorrir.
        - Qual  a graa, pequena? Eu lhe dando uma mamadeira ou sua me me colocando no meu lugar?
        Ela levantou o bracinho e dessa vez puxou-lhe o nariz. Ele pegou a minscula mo e beijou-a suavemente, observando os olhos do beb se fecharem brevemente 
antes de se abrirem de novo.
        Diversas vezes ele ouvira seus irmos falando sobre as alegrias da paternidade, mas nunca tinha pensando muito sobre o assunto at agora. No teria acreditado 
qUe segurar um beb seria to satisfatrio. Que sentiria emoes to fortes por uma criana que conhecera apenas recentemente. Pelo menos agora entendia por que 
sua irm era a queridinha do papai.
        Ele tambm no havia se tornado um tolo completo? Mas, tudo bem. Trocaria todo o seu machismo por aqueles momentos com Carly, e os apreciaria enquanto ainda 
tinha chance... antes que a me a levasse embora para sempre.
        ELA PASSARA muito tempo na banheira. Vestida no roupo surrado cor-de-rosa que possua desde seu primeiro ano de faculdade, Leah enrolou uma toalha ao redor 
dos cabelos e entrou no quarto. Colocou uma mala sobre a cama e vasculhou-a, procurando alguma coisa confortvel para usar, apenas para deparar com o pijama de listras 
de zebra sobre o qual Kevin perguntara durante a conversa deles ao telefone na semana anterior. E, como uma boa mentirosa, ela o enganara mais uma vez. Apesar de 
ter pretendido jog-lo fora quando arrumasse as malas, no tinha conseguido fazer isso. Tolice, uma vez que no usara mais o pijama desde que ela e Kevin tinham 
terminado. Correo. Desde que Kevin terminara com ela. Mas, ento, ela vinha fazendo muitas tolices ultimamente.
        Lembrava-se de vrias noites memorveis quando Kevin a levara alm dos limites do ato de amor, usando as mos, a boca e o prprio corpo. Leah tremeu s de 
pensar sobre o jeito como ele lhe falara naquela voz baixa e incrivelmente sexy. Com que facilidade ele podia extrair-lhe cada gota de prazer, at que ela achasse 
que no lhe restava nada, apenas para que Kevin a conduzisse de volta para um reino sexual que ela nunca soubera existir...
        - Voc se divertiu?
        Ao som da voz dele, Leah girou em direo  porta, agarrando a lingerie presumivelmente descartada atrs das costas. Kevin estava parado no espao aberto, 
um brao sobre a moldura da porta, o outro pendurado na lateral do corpo. Ele parecia to imponente, to maravilhoso que ela quis fechar os olhos antes que fizesse 
ou dissesse alguma tolice.
        - Talvez voc devesse tentar bater da prxima vez.
        - Isso  difcil quando a porta est aberta.
        Leah no gostava particularmente da justificativa dele, ou da falta da mesma.
        - Eu estava tentando ouvir o beb. A propsito, onde ela est? Kevin passou a mo sobre a barba rala do maxilar.
        - Ela achou minhas chaves e foi dar uma volta de carro. Tentei det-la, mas ela  mais rpida do que parece.
        Leah tambm no gostou da tentativa de humor.
        - Voc pode falar srio apenas por um momento?
        Ele enfiou as mos dentro dos bolsos do jeans e tentou parecer arrependido.
        - Ela dormiu, ento eu a coloquei na cama.
        - Simplesmente assim?
        - Simplesmente assim. Incrvel.
        - Voc a colocou deitada de costas?
        - Sim. Como j disse, eu li os livros.
        Ele estava tentando arduamente impression-la, e estava fazendo um trabalho bastante confivel.
        - Apenas lembre-se de que ela raramente fica quietinha na primeira vez que voc a pe na cama. - Do contrrio, Leah poderia ficar chateada por no ter a 
oportunidade de dar boa-noite para a filha. - Eu vou checar.
        - Eu teria ouvido se ela ainda no estivesse dormindo, assim como voc. - Ele apontou em direo a um criado-mudo, e a um objeto prateado que lembrava um 
controle remoto ao lado do despertador. - Aquele  um monitor sem fio. Tenho um no meu quarto tambm. O receptor est no quarto do beb.  porttil, de modo que 
voc possa carreg-lo para qualquer lugar.
        Evidentemente, ele tinha pensado em tudo.
        - timo. Isso ser til. Agora, voc no se importa de sair, para que eu possa me vestir?
        - Claro, assim que voc me contar o que est escondendo atrs das costas.
        - No  da sua conta. - Que homem irritantemente intrometido. Kevin deu um passo na sua direo.
        - Voc me comprou um presente? 
        Ela deu um passo atrs.
        - No, eu no comprei.
        - Se  uma de suas calcinhas, eu j as vi antes. Muitas vezes. - Ele inclinou-se para a frente. - Mas no  isso que voc est escondendo de mim, ?
        Antes que Leah pudesse reagir, ele estava em cima dela, agarrando seu pijama. Ela conseguiu se desvencilhar e fugir, mas Kevin no desistiu, alcanando-a 
novamente e jogando-a de costas na cama. A mesma cama onde eles tinham feito amor ardente mais vezes do que ela podia contar. Um territrio muito, muito perigoso. 
Tudo pareceu parar, exceto as batidas rpidas do corao de Leah. Ele estava to perto que ela poderia traar a linha dos lbios sensuais. Melhor ainda, poderia 
beij-lo. Poderia experimentar mais uma vez a maestria dos beijos de Kevin. Quando o olhar dele se fixou em seus lbios, a sabedoria venceu, levando Leah a concluir 
que se ela no cedesse e lhe deixasse ver o pijama, poderia estar cedendo para alguma coisa muito mais insensata.
        Ela levantou a pea de seda para a inspeo dele.
        - Est feliz agora?
        Kevin teve a ousadia de sorrir.
        - Pensei que voc o tivesse jogado fora.
        Ela enrolou o pijama numa bola, jogou-o sobre a cama, ento, afastou-se dele e do magnetismo impressionante de Kevin.
        - Pensei que eu tivesse me livrado desse pijama, mas descobri que estava enganada quando comecei a arrumar a mala.
        Ele deu um sorriso totalmente cnico.
        - No achei que voc o jogaria fora. Sempre foi seu pijama favorito. 
        Leah apertou mais a faixa do roupo.
        - Era o seu favorito, no o meu.
        - No vou discordar, mas eu gostava de retir-lo, tambm. 
        E a declarao a fez tremer inteira.
        - Eu avisei voc sobre esse tipo de conversa, Kevin.
        - Desculpe. Estou apenas sendo honesto. 
        Leah apontou para a porta.
        - Por favor, saia antes que eu... - O poder do olhar dele roubou o que restava de coerncia no crebro dela.
        - Antes que voc, o qu? - perguntou ele. Antes que ela fizesse alguma grande tolice.
        - Por favor, v embora de modo que eu possa me vestir, e ento ir ver minha filha. Feche a porta depois que sair.
        Kevin deu de ombros,
        -Tudo bem. Eu a encontrarei no hall, e iremos juntos ver nossa filha.
        Depois que ele saiu, Leah sentou-se sobre a cama e suspirou longamente. Se no controlasse sua cabea e seus hormnios, se encontraria na mesma situao 
complicada com um homem ao qual freqentemente achara difcil resistir. Dessa vez resistiria, mesmo se isso significasse evit-lo sempre que possvel. Infelizmente, 
Kevin no era uma pessoa fcil de ignorar.
        
        SE ELE no mantivesse a boca fechada e as mos para si mesmo, Kevin corria o risco de mandar Leah embora antes que ela tivesse a chance de se instalar. Teria 
de se lembrar com freqncia que Leah havia concordado com o arranjo por causa da convenincia, e que tinha um namorado. Ele no gostava desse fato, mas no podia 
fazer nada a respeito. Ou no faria. Noutra poca, talvez tivesse tentado, mas no agora. No se quisesse provar a Leah que ainda lhe restava um pouco de honra.
        Todavia, suas boas intenes comearam a desaparecer quando Leah saiu do quarto usando uma camiseta branca e uma cala jeans desbotada com um rasgo estratgico 
na coxa.
        Uma srie de avisos disparou em sua mente. Ele precisava ser forte. Precisava ignorar a vontade de correr os dedos ao longo daquele rasgo. Precisava esquecer 
a idia de encost-la contra a parede e...
        -- Ela ainda est dormindo?- perguntou Leah assim que se aproximou.
                 - Eu no ouvi um nico som vindo de Carly, mas podemos confirmar isso juntos.
        Kevin empurrou a porta entreaberta, permitindo que um facho de luz do hall entrasse no quarto, iluminando o bero. Com Leah ao seu lado, eles andaram silenciosamente 
at o bero, para encontrar Carly deitada imvel, os olhinhos fechados.
        Leah posicionou dois dedos contra os prprios lbios, ento os pressionou no rosto do beb. Ele queria dizer: Olhe o que ns fizemos, Leah, mas permaneceu 
calado at que eles saram do quarto e voltaram para o hall.
        Kevin no estava pronto para lhe dar boa-noite, e isso o fez perguntar espontaneamente:
        - Voc quer um vinho? - Embora tivesse quase certeza de que ela recusaria.
        - Parece uma boa idia - respondeu Leah, surpreendendo-o. - Contanto que seja um nico copo. Preciso trabalhar pela manh.
        Silenciosamente, eles foram para a cozinha, onde Kevin pegou uma garrafa de chardonnay, o favorito de Leah, da geladeira. Sacou a rolha, serviu dois copos 
e entregou-lhe um.
        - Vamos tomar no terrao. 
        Ela franziu o cenho.
        - E se Carly acordar?
        Ele puxou o monitor do bolso traseiro.
        - Isto tem alcance suficiente para ser carregado at l fora. Seremos capazes de ouvi-la.
        - Tudo bem, acho. Contanto que eu possa chegar rapidamente se ela precisar de mim.
        Kevin j podia dizer que Leah ia cometer o erro de ser superprotetora, como sua prpria me. No entanto, uma vez que Carly era a primeira filha de Leah, 
ele podia entender aquela atitude at certo ponto, e optou por no critic-la. Tinha de admitir que no era inocente no que dizia respeito a se preocupar com sua 
filha. Mas tambm no pretendia sufoc-la.
        No terrao, Kevin puxou uma cadeira para Leah e sentou-se do lado oposto. A noite estava clara e relativamente tranqila, com a exceo de um coro de gafanhotos 
e a passagem ocasional de um carro ou outro.
        Ambos permaneceram em silncio por algum tempo, antes que Leah dissesse:
        - Eu adoro o cheiro de grama recentemente cortada. Adoro o vero, ponto final.
        - Eu lembro. - E era verdade. Muitas vezes ela mencionara preferir calor ao frio. - Costumvamos falar muito sobre seus gostos caminhando na praia. Conversvamos 
sobre muitas coisas.
        Ela liberou uma risada sem humor.
        - Oh, claro. Alm do clima, parte de nossa conversa versava sobre os astros do esporte que voc entrevistava, e eu reclamava um pouco sobre minha agenda 
cheia de trabalho, ento amos para a cama.
        Uma tentativa direta de despersonalizar o relacionamento anterior deles, percebeu Kevin.
        - Isso no  verdade. Nos costumvamos ter longas conversas durante o jantar.
        - Depois, amos para seu apartamento e para a cama. Na verdade, durante os oito meses que namoramos no me lembro de uma nica vez que estivemos juntos e 
no fizemos amor.
        Sim, e que rotina boa tinha sido.
        - E o que voc quer provar com isso?
        - Estou apenas dizendo que ns nunca desenvolvemos uma amizade slida.
        - Voc est errada, Leah. Eu valorizava sua amizade quase tanto quanto a apreciava como amante.
        Ela afastou o copo, e deslizou mo pelos cabelos midos.
        - Sou obrigada a discordar. Eu ainda no sei tudo a seu respeito, Kevin, e o que sei tive praticamente de arrancar de voc. Especialmente seus problemas 
com Kieran.
        Aquilo era verdade, mas ento ele no quisera que Leah soubesse de todos os aspectos questionveis de seu passado.
        - Eu finalmente lhe contei os detalhes do por que o relacionamento fora destrudo.
        - Eu sei. Kieran no gostava do jeito como voc conduzia sua vida, e voc no apreciava a tendncia dele de julg-lo. Mas voc no me contou como e por que 
vocs resolveram suas diferenas.
        Agora seria um bom momento para revelar a verdade, mas Kevin no conseguiu se forar a fazer isso. No queria encarar a reao dela por sua desonestidade 
enquanto eles estavam reconstruindo um relacionamento. Um relacionamento de amizade.
        - Ns nos reconectamos aproximadamente seis meses atrs, no muito depois que ele conheceu Erica, sua noiva. - Uma boa seqncia para uma mudana de assunto. 
- A propsito, Kieran vai ser pai, tambm. Erica tem uma filha de 11 anos, chamada Stormy. De acordo com Kieran, o nome combina com a personalidade tempestuosa da 
criana.
        Leah sorriu.
        - Nada como entrar na paternidade com uma pr-adolescente.
        - Uma pr-adolescente que nasceu com um problema no corao - adicionou Kevin. - Mas Stormy est bem agora. Na verdade, ela  uma excelente jogadora de softball. 
E isso me lembra de uma coisa. Eu volto j.
        Kevin se levantou, caminhou para as portas duplas, e entrou na saleta que guardava seus trofus. Abriu um gabinete, retirou o presente para sua filha e retornou 
para Leah.
        Reassumindo seu lugar, colocou a luva sobre a mesa.
        - Eu quero que Carly tenha isto. Est assinada por um membro do time de softball U.S. Olympic.
        Leah pegou a luva e inspecionou-a.
        - Voc no acha que  um pouco cedo para estar planejando a carreira de Carly em softball? Ela ainda est a cinco anos de distncia de T-ball.
        Kevin meneou a cabea.
        - Ela ser muito boa para jogar T-ball. Eu a terei preparado para o time feminino de softball quando ela tiver quatro anos. Estou pensando na primeira base.
        Outro silncio se passou antes que ela suspirasse.
        - O que foi? - perguntou Kevin curioso sobre o humor de Leah, e preocupado que ela pudesse se fechar completamente para ele.
        - Eu estava pensando quanta sorte temos por Carly ser saudvel. 
        Ele desejou que no tivesse lhe contado a condio de sua futura sobrinha.
        - Como eu falei, Stormy est tima.
        - Fico feliz que ela esteja, mas estou me referindo a todas as crianas que trato e que no esto bem.
        Kevin nunca a vira to pensativa sobre seu trabalho. Talvez o fato de ter se tornado me tivesse algo a ver com isso.
        - Pelo menos voc  capaz de ajudar essas crianas.
        -Nem todas, Kevin. Voc ficaria surpreso ao saber quantas crianas tm problemas srios, e muitas vezes diagnsticos que ameaam suas vidas. Algumas delas 
so to pequeninas quanto Carly. Isso no  justo.
        Agora ele desejou que tivesse escolhido usque em vez de vinho. No gostava nem um pouco da conversa sobre doenas, mas se sentia compelido a ouvi-la, uma 
vez que Leah precisava falar. Precisava de um amigo.
        - No, isso no  nada justo, mas a vida  assim. Pode ser realmente imprevisvel, gostemos disso ou no.
        - Mas eu realmente detesto... - Ela parou de falar e desviou o olhar.
        - Detesta o qu, Leah?
        Ela inclinou-se para a frente e contornou a borda do copo com aponta de um dedo.
        - Voc nem pode imaginar o momento aps descobrir que uma criana pode no sobreviver a uma doena que foi diagnosticada.
        Kevin no precisava imaginar aquilo; tinha vivenciado tal momento como paciente ao receber a m notcia.
        - Detesto o fato de voc ter de passar por isso, querida. - Ela o olhou com o uso do termo carinhoso, mas ele a ignorou e continuou: - Entendo que no  
fcil para voc. E toda vez que tiver de enfrentar esses momentos enquanto estiver aqui, converse comigo sobre isso.
        O sorriso dela foi fraco, mas era um sorriso.
        - Voc realmente fala srio sobre sermos amigos?
        - Sim.
        - Suponho que o tempo dir o quo bem voc lida com isso.
        Ele planejava lidar muito bem com a amizade dos dois, independentemente do que fosse necessrio para isso.
        - Gostaria de mais um pouco de vinho?                        
        Leah pegou seu copo e se levantou.
        - Amigos no deixam amigos beberem demais quando eles precisam trabalhar no dia seguinte.
        Kevin afastou a cadeira da mesa e se levantou.
        -Voc tem razo, e eu cuidarei de Carly quando ela acordar novamente.
        - Veremos quem chega l primeiro.
        Ento Leah fez algo que Kevin nem de longe esperava. Aproximou-se, rodeou-lhe a cintura com os braos, beijou seu rosto e disse:
        - Obrigada por ouvir, e obrigada por tudo.
        Kevin no pde evitar pensar que Leah estava inclinada a test-lo. E se ela permanecesse to perto por mais algum tempo, ele provavelmente fracassaria. Felizmente, 
ela deu um passo atrs, parecendo um pouco embaraada, e talvez at surpresa por ele no ter tomado nenhuma iniciativa fsica. A verdade era que Kevin queria mais 
do que apenas um abrao amigvel. Mais do que um agradecimento educado. Ele a queria. Muito.
        Quando teve presena de esprito suficiente para falar, Kevin respondeu:
        - De nada. Fico feliz que voc tenha decidido se mudar para c.
        - Sabe de uma coisa? Eu tambm estou feliz. Vejo voc pela manh. 
        Sim, ela o veria, e ele iria para a cama sozinho, imaginando o que teria acontecido se tivesse arriscado e a tivesse beijado. Leah provavelmente o esbofetearia 
primeiro, e depois faria perguntas.
        Kevin cumprimentou a si mesmo mentalmente por ter se controlado e respondido ao desafio... dessa vez.
        
        
        
                           CAPTULO SEIS
     
     
        QUANDO O despertador tocou alto nos ouvidos de Leah, ela rolou para o lado e tateou para procurar o boto que o desligasse. E quando se concentrou para ver 
a hora, saltou da cama como um mssil.   
        Depois de pegar seu roupo da poltrona no canto, ela o vestiu e foi direto para o quarto do beb, encontrando um bero vazio e nenhum sinal de Kevin ou Carly. 
O cheiro de caf fresco enviou-a para cozinha, onde, deparou com uma cena tirada de um filme domstico. Kevin estava sentado na pequena copa, vestido numa cala 
de pijama azul-marinho, sem camisa, os cabelos desalinhados e o maxilar sombreado por uma camada fina de restolhos. Ele tinha os ps descalos apoiados sobre uma 
cadeira, e a filha deles reclinada contra o peito largo, a mo direita de Kevin envolvendo as costas do beb, enquanto a esquerda segurava um jornal.
        Felizmente para Kevin, a viso serviu para apaziguar um pouco da irritao de Leah sobre no ter sido acordada para cuidar da filha.
        - Bom dia para vocs dois.
        Ele ergueu os olhos e disse "Bom dia" numa voz to sensual que Leah poderia passar o dia inteiro ouvindo, caso se permitisse. Aquela voz e o peito nu eram 
quase demais para suportar to cedo, ou em qualquer horrio, na verdade. Ela no deveria t-lo abraado na noite anterior. O pequeno lapso levara a pensamentos inoportunos 
que tinham lhe impedido de dormir com facilidade.
        - Parece que o monitor no est funcionando - disse ela, o tom de voz desgostoso dirigido tanto para Kevin quanto para si mesma.
        - Funciona, se voc o liga.
        O desgosto de Leah aumentou.
        - Por que voc no me disse que no estava ligado? Kevin virou uma pgina do jornal sem olh-la.
        - Porque voc precisava dormir.
        - Eu precisava ser capaz de ouvir minha filha quando ela acorda.
        Kevin deu um beijo no topo da cabea de Carly.
        - Oh, ela acordou. Duas vezes, na verdade, Mas ns nos viramos bem. Eu lhe dei uma mamadeira da primeira vez, e da segunda vez, aproximadamente uma hora 
atrs, ns viemos para c a fim de ver as notcias no  mundo dos esportes.
        Quando Carly chutou o jornal, Kevin sorriu para o beb e murmurou:
        - Eu sei o que voc quer dizer, garotinha. Ele no merece o valor daquele contrato. A idade na qual est no  a melhor, e ele no ir ajudar muito o time 
se eles chegarem  final. E este  um grande "se".
        Tanto Carly quanto Kevin pareciam totalmente desinteressados em Leah, o que apenas aumentou a exasperao dela.
        - Kevin, voc pode largar o jornal um minuto e falar comigo? 
        Ele lhe deu um olhar breve.
        -  claro, mas por que voc no toma um caf? Talvez seu humor melhore.
        - Meu humor est timo. - Ela se aproximou da mesa, beijou o rosto de Carly e quase fez o mesmo com Kevin. Era como se algum instinto passado de fazer exatamente 
isso estivesse impregnado em sua mente,
         de manh e Kevin precisa de um beijo.
        Antes que pudesse agir sobre a vontade, Leah foi em direo  cafeteira e serviu-se de uma caneca que estava sobre o balco. Como de costume, adicionou creme 
e acar, um hbito que tinha adquirido durante a faculdade de medicina.
        Inclinando-se contra o balco, observou o elo entre pai e filha, enquanto Kevin listava a seleo dos astros de beisebol. E Carly, como se entendesse o que 
ele estava dizendo, parecia completamente entretida.
        - Voc deveria ter me acordado - disse Leah, sentindo-se, de alguma maneira, mais coerente e um pouco menos zangada por Kevin ter assumido as suas tarefas. 
Afinal de contas, a inteno dele fora boa, e ela no podia se lembrar da ltima vez que dormira a noite inteira, sem interrupes.
        Kevin ps o jornal de lado e mudou Carly para seu ombro.
        - Como falei, voc precisava dormir, e eu cuidei de tudo. A fralda de Carly est limpa e a barriga est cheia. At mesmo recusei deix-la assistir tev quando 
ela me suplicou. - O comentrio foi seguido por um sorriso rpido.
        - Muito engraadinho. - E assim era Kevin. - Muito engraadinho.
        Leah olhou para o relgio da cozinha e percebeu como tinha pouco tempo para se aprontar para o trabalho.
        - J que est ficando tarde, eu apreciaria se voc cuidasse dela enquanto eu troco de roupa.
        - Sem problemas. Ns ainda precisamos cobrir as notcias da Costa Oeste.
        - Eu tambm preciso preparar a sacola de Carly para a creche. 
        - A sacola est pronta.
        Leah ficou boquiaberta por um momento.
        - Como voc saberia do que ela precisa?
                Ele gesticulou em direo  sacola amarela sobre o balco.
        - Eu achei a sua lista. Mamadeiras, fraldas, lenos umedecidos e duas trocas de roupas extras. Fique  vontade para conferir.
        Ela estava tendo problemas suficientes para conferi-lo, particularmente o peito poderoso e aquela trilha de pelos suaves que levava a um territrio que ela 
explorara com freqncia certa poca.
        - Eu confio em voc desde que tenha observado a lista.
        Depois que Carly comeou a se agitar, Kevin se levantou e andou pelo cmodo.
        - Voc confia em mim o bastante para apanh-la mais cedo na creche, de modo que eu possa lev-la  casa dos meus pais?
        Isso envolveria colocar Carly no carro com Kevin, e embora ele fosse um bom motorista, s vezes gostava de correr.
        - Voc promete dirigir devagar e com segurana?
        - Prometo no apostar corrida na estrada.
        - Estou falando srio, Kevin.
        -- Eu no estou brincando - murmurou ele.
        Concordar com aquele pedido tambm significava deixar o beb completamente sob os cuidados de Kevin. Mas, ento, a me dele tinha criado seis filhos e sabia 
o que estava fazendo. Pelo menos, Kevin teria apoio se encontrasse alguma dificuldade com o beb.
        - A que horas voc gostaria de peg-la na creche?
         Ele parou de andar.
        - Por volta das 15h. Quero evitar o trnsito da hora do rush.
        - E vai voltar quando?
        Ele reassumiu seu lugar  mesa, ajeitando Carly sobre o colo e balanando-a gentilmente.
        - Estarei em casa no mximo s 18h, talvez mais cedo, dependendo de como forem as coisas com meus pais.
        - Voc, honestamente, espera problemas?
        - Na verdade, no. Imagino que quando eles puserem os olhos nela, no ficaro zangados comigo por no ter contado antes.
        - Certo. Tenho certeza de que vocs dois iro se divertir muito. 
        Uma vez que Leah tinha planto no hospital naquela fim de tarde, talvez ele chegasse em casa antes dela. Por alguma estranha razo, ela ficou um pouco magoada 
por Kevin no t-la convidado para acompanh-los. Como se tivesse lido sua mente, Kevin adicionou:
        - Eu teria pedido que voc fosse conosco, mas acho que  melhor eu amaci-los para a idia toda de que sou pai agora.
        - Sem problemas. Eu no sou da famlia. - Certa poca, tivera esperana de ser. - Mas eu gostaria de conhec-los antes de me mudar.
        O comportamento de Kevin de repente mudou de prazeroso para srio. 
        - Tenho certeza de que isso pode ser arranjado.
        - Conversaremos sobre o assunto mais tarde. No momento, preciso me apressar. Vou separar uma roupinha para Carly, se voc no se importa de vesti-la.
        - Eu no me importo, e sou capaz de escolher a roupa dela. 
        Agora ele parecia irritado.
        - Desculpe. Eu terei de me acostumar com voc brincando de papai.
        - Eu no estou brincando, Leah. Eu sou o pai dela.
        Ela sabia bem daquilo. S de ver Carly nos braos dele servia como um lembrete constante.
        - Sim, voc . - Leah sentiu necessidade de lhe dar algum incentivo. - E est fazendo um bom trabalho at agora.
        Ele pareceu genuinamente satisfeito pelo elogio.
        - Obrigado. Vamos esperar que meus pais sintam a mesma coisa.
        KEVIN TINHA um aperto firme na cadeirinha de segurana contendo um beb adormecido, e um forte sentimento de que devia ter telefonado primeiro . Mas j estava 
parado na varanda de sua casa de infncia, preparado para apresentar o mais novo neto para, assim esperava, avs orgulhosos.
        Aps tocar a campainha, o som de passos pesados proporcionou algum alvio em Kevin. Seu pai estava prestes a atender  porta, e seu lendrio senso de humor 
poderia ajudar a amenizar a situao. Kevin previa que sua me iria agir com excessiva irritao pelo fato de ele no ter lhe contado nada sobre o beb antes.
        A porta se abriu, revelando Dermot O'Brien, o patriarca irlands de cabelos grisalhos que tinha passado a maior parte do anos de formao de Kevin entretendo 
amigos, tanto do sexo feminino quanto do sexo masculino.
        - Bem, bem - murmurou ele - nosso filho rebelde veio nos visitar. - Quando Dermot notou Carly, fixou seu olhar em Kevin, mas no pareceu chocado de forma 
alguma. - Agora, se voc estiver tentando deixar este beb na soleira de nossa porta, sinto muito, garoto. J criei seis desses e estou muito velho para recomear.
        - No, papai. No pretendo deix-la em lugar algum, e sim mant-la comigo.
        Kevin esperou ver uma expresso confusa no rosto do pai, mas notavelmente isso no aconteceu.
        - Acho que voc deve alguma explicao para sua me - disse ele, ento deu um passo para o lado.
        - Pode-se dizer que sim - concordou Kevin, entrando na sala modesta, ainda decorada do mesmo modo que quando ele tinha sado de casa, 17 anos atrs, comeando 
pelo mesmo sof e poltronas de estampas florais.
        Depois de colocar a cadeirinha de carro sobre o sof, ele encarou seu pai e perguntou:
        - Onde est mame?
        - Preparando o jantar. - Dermot virou-se na direo da cozinha e gritou: - Lucy, meu amor, seu garoto est aqui.   
        - Qual deles?
        - Kevin.
        - Maravilhoso! Eu j estou indo.
        Segundos depois, Lucine O'Brien veio apressada da cozinha, seus cabelos escuros puxados para trs e presos num coque baixo. Ela secou as mos no avental 
e envolveu Kevin num abrao de urso que disfarava sua baixa estatura.
        --  to bom v-lo, querido. Estou fazendo aquele frango que voc sempre gostou. Pode ficar para jantar?
        Talvez ela retirasse o convite depois que ele fizesse sua grande revelao.
        -  o frango com macarro?
        - Sim, . Eu tambm fiz bolo de pssego. Estranhamente, ela ainda no tinha notado o beb.
        - Parece timo, mame.
        Quando o pai dele pigarreou, a me perguntou:
        - Voc precisa de alguma coisa, Dermot?
        - No, meu amor. S pensei que voc gostaria de saber que nosso filho lhe trouxe um presente, embora no seja original. Eu lhe dei a mesma coisa seis vezes.
        Lucy franziu  cenho.
        - Do que voc est falando, meu velho?
        Seu pai moveu a cabea em direo a Carly, que estava acordada agora, olhando ao redor da sala. Kevin andou at o beb, libertou-a do cinto da cadeirinha, 
ergueu-a e virou com ela nos braos.
        - Mame, papai, esta  Carly, minha filha.
        Se Kevin tivesse uma bola de basquete nas mos, poderia ter marcado trs pontos na boca de sua me.
        - Eu no entendo, Kevin.
        O que significava que ela entendia o que ele estava dizendo, no apenas por que ele no contara mais cedo.
        - Eu no sabia sobre ela at recentemente.
        Sem falar uma palavra, Lucy pegou Carly nos braos e olhou-a, maravilhada.
        - H tanto tempo desejo que voc se acomode, Kevin. No meu corao, eu sabia que isso ia acontecer, mas nunca sonhei que voc pudesse ter um beb.
        A transformao de Kevin tinha comeado no minuto que ele recebera uma possvel sentena de morte. O beb apenas cimentara sua resoluo de endireitar sua 
vida.
        - Eu tambm nunca pensei que teria um beb, mas ela  minha. 
        Lucy tirou os olhos de Carly e fitou Kevin,
        - Quem  a me?
        Ele havia esperado a pergunta e tentado uma explicao razovel.
        - Chama-se Leah Cordero.  pediatra. Voc vai gostar dela.
        Lucy subitamente entregou o beb para Dermot.
        - Kevin, eu gostaria de sua ajuda para me pegar uma travessa no armrio.
        Sua me no precisava de ajuda. Ela queria ficar a ss com ele, de modo que pudesse interrog-lo. Kevin olhou para seu pai, que se sentara em sua poltrona 
favorita e estava segurando Carly acima da cabea, enquanto fazia caretas ridculas para o beb.
        - Cuidado com ela, Dermot - ralhou a me. - Voc vai machuc-la.
        - Eu j fiz isso antes, Lucine.
        E este era exatamente o problema que Kevin tinha com a me... a tendncia de Lucine ser superprotetora de forma exagerada. 
        - Ela est bem, me. No vai quebrar.
        Sem responder, Lucy se afastou. Assim como Kevin. Como um filho obediente, seguiu-a, mesmo sabendo que provavelmente no ia gostar do que ela tinha a dizer.
        Quando Lucine assumiu seu rosto preocupado no instante que eles chegaram  cozinha, Kevin encostou-se contra o balco e esperou pelo sermo. No precisou 
esperar muito.
        - Voc vai se casar com essa Leah?
        -No, me. Ela vai embora no fim de agosto, para exercer a medicina no Mississipi.
        - E voc vai deix-la partir com sua filha? 
        Ele no gostava da idia mais do que sua me. 
        -Eu irei visitar Carly sempre que puder. 
        Lucy meneou a cabea.
        - Voc percebe a importncia de criar um filho com ambos os pais em casa?
        -Eu no tenho escolha, me. Leah est saindo com outro homem. - Independentemente de quantas vezes ele dissesse isso, ainda queria engasgar nas palavras. 
        Ela comeou a alinhar uma srie de vegetais sobre o balco.
        - Pior ainda, outro homem vai criar sua filha. O que voc sabe sobre ele?
        No muita coisa.
        - Leah  uma mulher sensata. Simplesmente, terei de confiar nela. E ela ter de aprender a confiar em mim com Carly.
        - Bem, pelo menos ela acredita que voc  capaz de cuidar do beb, caso contrrio no estaria aqui com a criana agora.
        - Na verdade, estou planejando cuidar de Carly o dia inteiro, enquanto Leah est no trabalho, pelo menos at que ela se mude. - Assim que a convencesse que 
ele podia lidar com o beb.
        A expresso de Lucy se iluminou.
        - Maravilhoso, querido. Vou reorganizar meus compromissos e ajudar voc. Ns iremos nos divertir muito.
        - Eu no preciso de ajuda, me. - Quando a alegria dela dissipou-se, Kevin acrescentou: - Fazer isso sozinho  importante para mim.
        Sua me no pareceu convencida.
        - Voc mal se recuperou de sua doena, Kevin. Eu no teria problema nenhum em ajud-lo.
        Kevin podia entender por que sua me o considerava incapaz de cuidar de uma criana, mesmo se ela nunca lhe dissesse isso diretamente.
        - Faz seis meses desde o procedimento, me. Aprecio sua oferta, mas posso tomar conta de Carly, sozinho.
        Lucy tocou-lhe o brao.
        - Voc no tem idia de como  cuidar de um beb, Kevin. H tantas coisas com qu se preocupar.
        -Tem razo. Eu vou me preocupar com Carly, mas no vou sufoc-la. Quero que ela cresa forte e independente.
        Pela umidade se formando nos olhos de sua me ele podia dizer que a machucara com suas palavras descuidadas.
        Kevin parou atrs da me e abraou-a.
        - Desculpe, mame. Eu no queria faz-la chorar.
        - Eu sempre choro quando estou cortando cebolas.
        - Voc est cortando um tomate. 
        Ela o dispensou.
        -V ver sua filha, a menos que queira que a primeira palavra dela seja um insulto irlands.
        - Certo - disse ele, e tinha um jeito de compens-la um pouco. - Eu ficarei para o jantar.
        Lucy tentou dar um sorriso leve.
        - timo. Agora saia logo daqui para que eu possa terminar.
        Kevin retornou  sala de estar apenas para encontr-la deserta. No podia imaginar onde seu pai tinha ido com Carly, at que olhou para as portas de vidro 
e viu os dois sentados na varanda coberta. Carly parecia contente no colo do av, agitando os bracinhos como um maestro de orquestra.
        Kevin foi para o lado de fora, puxou uma cadeira do gramado e se juntou a eles.
        - Est um pouco quente aqui. Acho que eu deveria lev-la para dentro antes que ela fique com muito calor. - E agora ele soava exatamente como sua me.
        - H muita sombra - apontou Dermot. - E esta mocinha tem a slida linhagem irlandesa, embora parea que as razes armnias de sua me predominaram sobre 
as irlandesas. Ela no tem a pele alva dos irlandeses.
        Seu pai sempre dava grande importncia para linhagem cultural, particularmente a parte irlandesa.
        - O bisav de Leah era venezuelano, ento isso colabora com a cor mais escura da pele.
        Dermot balanou o beb algumas vezes.
        - Ento ela  como uma pequena mestia. - Ele desviou a ateno do beb e deu a Kevin um olhar curioso. - Sua me foi dura com voc, filho?
        - No muito. Ela ficaria mais feliz se eu lhe dissesse que ia me casar com Leah.
        Seu pai permaneceu silencioso por um momento.
        - Voc contou a ela que est vivendo com essa moa? 
        Kevin engoliu em seco, chocado.
        - Como voc sabe disso?
        - Falei com Kieran no muito tempo atrs. Ns dois achamos que seria melhor que voc mesmo contasse para sua me.
        timo. Seu irmo o trara, como nos velhos tempos. E seu pai havia basicamente decidido manter a notcia em segredo, por sua vez forando Kevin a enfrentar 
a situao sozinho.
        - Pelo menos isso explica sua reao inicial quando eu dei a notcia. Voc nem piscou.
         -Seu velho pai pode guardar um segredo. E agora eu tenho um segredo para voc.
        Kevin no tinha certeza se podia lidar com mais segredos. Mas, por respeito, murmurou:
        - Fale.
        A expresso de Dermot se tornou subitamente sria.
        - Uma noite, quando voc estava no hospital, e eles o estavam alimentando com aquele veneno antes de sua transfuso de sangue, sua me tinha sado para tomar 
um caf. Ela me deixou sentado do seu lado, e voc estava to doente que meu velho corao doeu.
        Kevin no queria reviver o processo de quimioterapia, embora ainda tivesse pesadelos espordicos sobre estar cercado por rostos mascarados enquanto se encontrava 
preso a uma cama, sem meios de escapar.
        - Eu estou bem agora, papai.
        - Eu sei disso, filho, Mas deixe-me terminar. 
        Kevin recostou-se e aceitou seu destino... ouvir os comentrios do pai.
        - Tudo bem.
        - Voc estava balbuciando palavras que eu no conseguia compreender - continuou Dermot. - Ento abriu os olhos e falou com total clareza: "Perdoe-me, Leah. 
Eu a amo." Naquele momento eu soube que voc tinha destrudo o relacionamento com alguma mulher.
        Sim, ele definitivamente destrura o relacionamento dos dois. Mas precisava questionar a verdade na declarao de seu pai sobre sua confisso num leito de 
convalescena. Kevin nunca dissera a Leah que a amava, apesar de muitas vezes ter pensado que era isso que sentia por ela. Correo. Tinha certeza absoluta que era 
esse o sentimento.
        - Eu estava delirando, papai.
        - Voc estava sofrendo por ela, filho. Vi isso nos seus olhos. - Seu pai mudou Carly de posio, de modo que o beb ficasse de frente para Kevin. - Ainda 
tem sentimentos fortes pela me desse beb? 
        Se negasse, ele estaria contando uma grande mentira para o pai.
        - Sim, mas...
        - Ela est prometida em casamento para o homem com quem namora?
        Aparentemente, seu pai sabia da histria inteira, graas a Kieran.
        - No, que eu saiba.
        - Ento no  tarde demais para voc reconquistar-lhe o corao, meu rapaz.
        Certa poca, Kevin teria considerado fazer exatamente aquilo, com ou sem namorado em jogo. Mas isso antes que tivesse feito um grande esforo para mudar 
seu jeito de ser, em vez de desrespeitar os sentimentos de outras pessoas.
        - Estou surpreso que voc, papai, esteja sugerindo que eu tente roubar a mulher de outro homem.
        Dermot arqueou uma sobrancelha.
        - Onde est esse homem, Kevin? Se sua me me dissesse que ia se mudar para a casa de algum sujeito, eu jamais ficaria passivo. Estaria batendo  porta dele, 
exigindo que minha amada sasse da casa do homem. Depois eu iria lhe dar uma boa lio.
        - Eu no tenho certeza se Leah contou ao namorado que est morando na minha casa. - Na verdade, o sujeito nunca telefonara para l, o que significava que 
devia estar ligando para o celular de Leah. Ou no ligando em momento algum. Um pensamento puramente de desejo de sua parte.
        Dermot entregou Carly para Kevin, estendeu as pernas  frente e cruzou as mos sobre o estmago.
        - Se ela contou ao homem, ento ele  um cretino por no fazer nada a respeito. E voc seria um tolo por no cortej-la. Se o corao de Leah no estiver 
maduro para ser colhido, ento voc no conseguir roub-lo. Mas, se estiver, voc logo saber.
        - Obrigado nela sugesto, papai. - Mesmo que ele no tivesse nenhuma inteno imediata de usar o conselho para cortejar Leah. Pelo menos era isso que tinha 
planejado.
        - S mais um conselho, filho. - Dermot inclinou-se para a frente e cobriu as orelhas de Carly. - Mantenha o zper da cala fechado e deixe a moa assumir 
a liderana. Ela poder surpreend-lo.
        Kevin teve de admitir que o conselho de seu pai era sbio. Ele no ia fazer nada para comprometer seu arranjo com Leah. Mas duvidava muito que ela fosse 
surpreend-lo, tambm.
        
        LEAH CHEGOU em casa quatro horas depois do previsto, completamente exausta, com os ps doendo e o princpio de uma dor de cabea. Mas seu nimo melhorou 
quando entrou na grande sala para descobrir Kevin deitado de costas, os olhos fechados, com Carly descansando de bruos sobre o peito largo, o bumbum empinado no 
ar. Ela no podia decidir qual viso era mais bonita... o retrato de pai e filha dormindo ou aquele da manh, com Kevin lendo o jornal para Carly.
        Por mais que detestasse perturb-los Leah precisava pr o beb para dormir no bero. Mas antes de desmanchar a cena pegou seu celular e bateu uma foto para 
eternizar o momento.
        Depois de devolver o celular para o bolso de seu jaleco, ela pegou Carly e carregou-a para o quarto do beb. Colocou-a no bero cuidadosamente, e meio que 
esperou que Carly acordasse animada depois de uma soneca tardia. Contudo, o beb nem se mexeu. Parecia que o encontro da tarde com os avs a esgotara. Esgotara ambos, 
decidiu ao voltar  grande sala para encontrar Kevin ainda dormindo. As feies relaxadas e a respirao estvel indicavam que ele passaria horas ali, se no a noite 
inteira. A menos que ela o acordasse.
        No. Deixaria Kevin dormir. Enquanto isso, poderia aproveitar a oportunidade para dar uma boa olhada nele. Ela fez uma jornada visual pela camisa branca 
que exibia braos musculosos e bronzeados, e de l se moveu para a cala do pijama azul que cobria quadris delgados, pensando que era melhor no deixar o olhar vagar 
por ali muito tempo. At mesmo lhe observou os ps descalos que, honestamente, eram mais bonitos do que a maioria dos ps masculinos, apesar dos dedos um pouco 
tortos.
        Focou o olhar na mo mscula, agora descansando sobre o abdmen. Leah simplesmente adorava aquelas mos. Diversas vezes se sentira contente apenas de ficar 
sentada e observar aqueles dedos longos brincarem sobre o teclado do computador, enquanto Kevin trabalhava num arquivo para a revista. Ela tambm se lembrava de 
ficar completamente hipnotizada quando ele usava as mos habilidosas no seu corpo.
        Leah culpou o ar frio soprando do ar-condicionado acima pelo seu tremor. Considerou cobrir Kevin com a capa jogada sobre o brao do sof, mas, ento, ele 
sempre tivera o sangue quente. To quente que se recusava a dormir debaixo das cobertas quando eles estavam na cama. Na verdade, recusava-se a dormir com qualquer 
coisa no corpo. E aquela era uma imagem que ela precisava tirar da mente.
        Quando Leah estendeu o brao para pegar a mamadeira quase vazia da mesinha de centro, a mesma mo que estivera admirando momentos antes agarrou seu pulso, 
enquanto uma voz muito sensual declarava:
        - Ei, eu ainda no acabei com isso.
        Leah quase derrubou a mamadeira, mas pegou-a antes que casse no cho, afastando-se do contato com Kevin.
        - Desculpe - murmurou ele. - Eu no queria assust-la.
        - Bem, voc me assustou. - Ela ergueu a mamadeira e inspecionou. - Engraado, isso parece frmula, no cerveja.
        Kevin dobrou as longas pernas sobre o sof e se sentou.
        - Eu no bebo mais essas coisas. Cerveja ou frmula.
        Leah nunca considerara que Kevin bebia demais, mas ele costumava gostar de alguns drinques alcolicos.
        - Claro. E voc tambm no assiste mais beisebol.
        - Estou falando srio. Eu parei de beber cerveja desde que comecei a me exercitar com mais freqncia.
        Ela havia notado as recompensas do novo regime de exerccios dele.
        - Mas voc ainda bebe vinho.
        Kevin se levantou do sof e esfregou a nuca com uma das mos.
        - O vinho que tomamos naquela noite foi o primeiro lcool que bebi em meses.
        Leah tinha dificuldade de acreditar que ele desistira desse tipo de diverso em sua ausncia. Mas estava muito cansada para desafi-lo.
        - Se voc diz.
        -  verdade. - Kevin olhou ao redor da sala, ento de volta para o sof. - A propsito, onde est Carly? Ela fugiu com o carro de novo? Eu juro que escondi 
as chaves.
        Leah no pde reprimir um sorriso.
        - Eu a pus na cama, exatamente para onde pretendo ir.
        - Vou me exercitar um pouco.
        - Voc vai a uma academia de ginstica a esta hora da noite?
        - No. Vou para o galpo l de fora. Tenho alguns aparelhos e pesos l. Kieran instalou tudo para mim como presente de inaugurao da casa.
        - Muito bom. Eu no me importaria de usar o equipamento.
        Kevin estendeu os braos acima da cabea, fazendo com que a camisa se separasse do elstico na cintura do pijama, expondo o umbigo dele, juntamente com a 
parte mais baixa, que Leah costumava traar com a ponta do dedo, de modo que pudesse v-lo tremer em antecipao. Ouvi-lo suplicar. Faz-lo suar.
        - Meu equipamento  todo seu - disse ele, abaixando os braos. - Sinta-se  vontade para us-lo a qualquer momento.
        Aquilo invocava todo tipo de pensamentos dbios no crebro ansioso de Leah.
        - Obrigada, mas terei de passar esta noite. Preciso preparar mais algumas mamadeiras antes de ir para a cama.
         - Eu j fiz isso - respondeu ele. - Tambm dei a ela um banho quente sem me atrapalhar. Ganho um prmio?
        Recompens-lo de maneira sexy e no convencional passou pela cabea de Leah. Em vez disso, entregou-lhe a mamadeira.  
        - Voc podia tentar lavar isso sem se atrapalhar...
        Quando ele pegou a mamadeira, Leah podia ter jurado que ele tinha roado a ponta de um dedo no seu pulso. Ou talvez tivesse apenas imaginado aquilo. At 
mesmo desejado.
        - Voc deve estar faminta - disse Kevin. 
        Ela era to bvia?
        - Por que voc pensaria isso?
        - Porque, conhecendo-a, voc no pararia tempo suficiente para jantar. Mas tudo bem. Minha me me mandou trazer um prato de comida. Voc  bem-vinda para 
sabore-lo.
        Normalmente, ela no consideraria comer to tarde, mas Kevin estava certo em suas suposies. Leah no comia nada desde a hora do almoo. Tambm estava curiosa 
para saber sobre a reao dos pais dele ao beb.
        - Eu poderia comer um pouco.
        - timo.
        Leah seguiu Kevin para cozinha e ficou em p enquanto ele pegava um prato coberto por plstico da geladeira e o colocava no microondas. Virou-se e se inclinou 
contra o balco.
        - Como foi o seu dia?
        - Bom. E desculpe-me por ter chegado to tarde. Tive de cuidar da internao de duas crianas no hospital por causa de alguma virose de vero que est circulando 
por a.
        - Elas ficaro bem? - perguntou ele com sincera preocupao. 
        Leah sentou-se num banco na ilha da cozinha.
        - Ambas devem se recuperar completamente, salvo alguma complicao.
        - timo. - Kevin tirou garfo e faca de uma gaveta e ps os talheres, juntamente com um guardanapo de papel, diante dela. - Tenho outra pergunta: o que voc 
tem feito com Carly quando precisa trabalhar at mais tarde?
        - Felizmente, a creche foi criada especificamente para a equipe mdica do hospital, ento os funcionrios se revezam em turnos diurnos e noturnos. Tenho 
de pagar extra pelo servio da noite, se preciso.
        - No mnimo, voc tem uma preocupao a menos agora - disse ele. - Enquanto estiver morando aqui, eu estou disponvel 24 horas por dia, sete dias por semana.
        - Sou realmente grata por isso. Agora,  sua vez de me contar como foi com seus pais.
        Ele pegou uma garrafa de gua da geladeira e estendeu-lhe.
        - Melhor do que eu esperava. Meu pai recebeu a notcia com tranqilidade, mas, como previ, minha me ficou desapontada por eu no ter lhe contado antes. 
Tambm no ficou muito satisfeita quando recusei a oferta dela de ajuda. Falei que cuidar de Carly era alguma coisa que eu queria fazer sozinho.
        Leah entendia a atitude dele completamente. Kevin sempre fora sensvel com o excesso de ateno da me.
        - Voc deixou claro que eu estou morando aqui apenas temporariamente? 
        Ele olhou para o piso de azulejo.
        - Eu no cobri exatamente esse assunto. Um caso de suprema evaso.
        - Sua me no sabe que estou morando com voc?
        - Decidi que eu precisava preparar o terreno. Saber sobre o beb foi o bastante por um dia. - Quando o microondas apitou, Kevin abriu a porta, pegou o prato 
e colocou-o na frente dela. - A est seu jantar, dra. Cordero. Bom apetite.
        Ela olhou para a comida.
        - Preciso esperar esfriar ura pouco, mas parece boa.
        - Est boa, acredite.
        Leah pegou garfo e faca e cortou alguns pedaos de frango.
        - Eu sempre invejei pessoas que tm habilidades culinrias. Cozinhar no  meu forte, tambm.
        Kevin moveu-se para seu lado e inclinou o quadril contra a ilha.
        - Concordo. Nunca conheci ningum que pudesse queimar uma panela de fettuccine.
        Leah virou-se no banco para encar-lo.
        - Ei, isso no  justo. Aquilo foi culpa sua. 
         Ele deu de ombros.
        - Eu no deixei a massa no fogo at que toda a gua evaporasse.
        - No, mas se me recordo corretamente, voc me distraiu. Tinha acabado de voltar de uma viagem a Nova York, entrou feito louco no meu apartamento e disse: 
"Fique longe do fogo, mulher, e tire suas roupas. Seu papai est de volta na cidade."
         -No foi isso que eu falei.
        - Talvez no literalmente, mas...
        - Nem mesmo nada parecido com isso. - Quando ele se inclinou contra ela, Leah prendeu a respirao. Kevin pousou os lbios contra sua orelha e sussurrou: 
- Eu disse: "Senti saudade sua, querida, e quero lhe mostrar o quanto. O jantar pode esperar."
        Ele afastou o rosto, mas ainda continuou muito perto. Se Leah tivesse ao menos uma gota de sabedoria, evitaria fitar-lhe os olhos, mas no tinha, Se soubesse 
o que era melhor, no ousaria se levantar e aproximar-se dele, o que fez. Se tivesse algum respeito por autopreservao, seria louca at mesmo por considerar o que 
estava tentada a fazer em seguida. . Mas estava considerando. Mais ainda, iria fazer isso... abrir mo de todo seu bom-senso por um momento de prazer. Um momento 
no qual podia retomar as memrias e transform-las em realidade. Ela necessitava da intimidade, independentemente das conseqncias, e aquilo ia acontecer. No podia 
evitar. No queria evitar.
           
        
        
                           CAPTULO SETE
        
        
        
        ELE PODIA lidar com um simples beijo. Um beijo casto de boca fechada, um beijo de amigos. Mas um beijo de boca aberta, um beijo profundo e ntimo era mais 
do que Kevin podia suportar.
        Se no acabasse com aquilo imediatamente, corria o risco de levar Leah direto para seu quarto, sem pensar duas vezes. Se no controlasse suas mos, as quais, 
de algum modo, tinham viajado para o traseiro dela, poderia conseguir chegar apenas na saleta de televiso. E se Leah no parasse de pressionar o corpinho doce contra 
o seu, talvez eles tivessem de se reencontrar na ilha da cozinha.
        Mas ele no ia lev-la a nenhum lugar, e no porque no queria. Se fizesse um movimento errado, comprometeria suas boas intenes, assim como sua honra recm-encontrada. 
E, sim, isso era horrvel.
        Com a pouca resistncia que lhe restava, Kevin rompeu o contato, dando um passo muito necessrio para trs. E enquanto Leah permanecia atnita e silenciosa, 
ele rodeou a ilha, colocando uma massa slida de granito e madeira entre os dois, e ocultando o efeito incendirio que o beijo tivera sobre seu corpo.
        Ele mal conseguia respirar, mas pelo menos tinha mantido o zper fechado. Seu pai ficaria orgulhoso.
        Leah apoiou os cotovelos sobre a ilha e cobriu o rosto momentaneamente, antes de olh-lo.
        - Eu no acredito no que acabou de acontecer.
        Kevin ergueu ambas as mos com palmas viradas para a frente.
        - Eu no fiz isso. - Ele parecia uma criana que tinha sido pega colando na prova.
        - Voc devia ter dito alguma coisa para me deter.
        - Difcil falar quando tenho sua lngua dentro da minha boca. E realmente  difcil pensar quando voc tem suas mos sobre mim.
        - Eu sei, eu sei. - Ela bateu as palmas das mos no balco e endireitou o corpo.- Fiz isso duas vezes agora.
        Duas vezes? Ele havia perdido alguma coisa? 
        - A menos que tenham feito isso quando eu estava em coma, s aconteceu uma vez.
        - Eu quis dizer que quebrei as regras duas vezes. O beijo e a conversa sobre o passado, a qual levou ao beijo. Se voc no tivesse comeado com a histria 
"senti saudade sua, querida", ento isso no teria acontecido.
        - Oh, ento agora a culpa  minha.
        -  culpa de ns dois, e isso no vai se repetir. 
        Se Kevin pudesse opinar, aquilo iria se repetir. Diversas vezes. Um dia. Uma noite.
        - Lembre-se, fui eu quem me afastei antes que as coisas fossem longe demais. E ambos sabemos aonde teramos chegado se eu no tivesse parado.
        Ela franziu o cenho.
        - O Kevin O'Brien que eu conheci antes no teria interrompido o beijo. Ento, por que voc fez isso?
        - Em primeiro lugar, eu no sou o mesmo homem que voc conheceu um ano atrs. Segundo, voc no tinha um namorado na poca. - E aquilo levou a uma pergunta 
que ele vinha querendo fazer a algum tempo. - A propsito, por que ele no lhe telefonou?
        Leah no o olhou quando respondeu:
        - Ele tem somente o nmero do meu celular, e ns dois andamos ocupados.
        Hora de um pequeno interrogatrio necessrio.
        - O que ele faz para viver exatamente? 
        Ela o fitou.
        - Por que a pergunta?
        - Porque quero saber um pouco sobre o homem que talvez crie minha no futuro.
        - Ele  mecnico. 
        Aquilo era totalmente inesperado.
        - Oh, srio?
        - Algum problema com isso, Kevin?
        Kevin tinha um nico problema com o sujeito... o envolvimento dele com Leah.
        -No tenho nada contra mecnicos. Eu j os usei antes. Mas voc no falou que ele possua um negcio prprio?
         Ela suspirou.
        - Sim. Quer saber mais alguma coisa? Talvez o partido poltico que ele apia, ou o nmero do sapato que usa?
        Kevin estivera esperando o momento certo para fazer a pergunta mais importante, e aquele momento chegara. 
        -- Ele sabe que voc est morando aqui? 
        Uma expresso de culpa cruzou o semblante de Leah.
        - No, mas pretendo contar em breve. Apenas no tive chance. 
        Como se ele acreditasse naquilo...
        - Ele no vai gostar disso, vai?
        - Ele no vai se importar. Confia... -As palavras falharam enquanto ela desviava o olhar.
        Kevin teve uma idia que poderia ajudar. Ajud-lo a descobrir se poderia gostar do cretino.
        - Se voc quiser que eu fale com ele...
        - No! -A exclamao veemente ecoou no cmodo.
        - Tudo bem. Se ele ligar, finjo que sou o jardineiro. 
        Leah suspirou.
        - Vou tomar um banho agora.
        - E quanto ao seu jantar?
        - Eu no estou com fome.
        - Todos os sinais indicam o contrrio. Ou talvez eu deva dizer que todas as bocas apontam o contrrio.
        Ela deu um sorriso forado.
        - Cale-se, Kevin.
        - Certo, mas antes eu tenho um pedido. 
        Leah lhe deu um olhar desconfiado.
        - Se voc vai me pedir para...
        -  sobre Carly. Quero comear a apanh-la na creche ao meio-dia, comeando de amanh.
        - Voc pode peg-la s 16h.
        No bom o bastante, na opinio de Kevin.
        - sl3h.
        - sl5h.
        - Combinado.
        Kevin ficou surpreso por ela no ter continuado a discusso. Ou estava muito cansada para argumentar, ou decidira compens-lo pelo beijo.
        Quando um chorinho soou do monitor sobre a bancada perto do fogo, Leah disse:
        - Eu no a vi o dia inteiro, ento cuidarei de Carly. A menos que voc insista em fazer isso.
        Normalmente, ele insistiria. Mas se sasse de trs da ilha, revelaria o estado exato de sua excitao.
         - V em frente. Eu pego o prximo turno. No momento, vou ficar aqui mais alguns minutos e me acalmar.
        Finalmente ela sorriu.
        - Oh, aquilo.
        - Sim, aquilo.
        E "aquilo" poderia mant-lo acordado pela maior parte da noite.
        
        HOMENS BONITOS e seus brinquedos deveriam ser algo proibido, pensou Leah ao entrar no galpo no meio da manh e encontrar Kevin levantando pesos. Uma vez 
que o banco estava virado horizontalmente para ela, ele no viu quando ela entrou. E isso deu a Leah alguns momentos para fazer numa pequena inspeo secreta.
        Ela havia passado seu treinamento mdico estudando anatomia, no somente das crianas, mas tambm de homens e mulheres de todos os formatos e tamanhos. A 
essa altura, no deveria se sentir afetada pelo corpo humano. Pelo corpo humano de Kevin. Um corpo incrivelmente humano e msculo.
        Todavia, cada msculo forte dos braos e das pernas expostos pelo short curto e justo que ele usava, cada veia proeminente que aparecia quando ele levantava 
os pesos, cada plano e ngulo da anatomia de Kevin capturava sua ateno. Mesmo quando ele estava suando e ofegando com o esforo.
        Ela precisava dizer o que pretendia antes que se encontrasse num lamentvel estado de excitao. J cara naquela armadilha na noite anterior. E mesmo nesta 
manh, quando ela lhe entregara o beb para que pudesse tomar banho, havia precisado de toda a sua fora de vontade para no explorar a boca de Kevin novamente.
        No exato momento que Leah ia pigarrear para lhe chamar a ateno, Kevin derrubou o peso sobre a barra, desceu o banco, sentou-se e balanou as pernas sobre 
a lateral. Quando ela moveu-se para o campo de viso dele, Kevin pareceu muito surpreso.
        - O que voc est fazendo aqui? - perguntou ele se levantando e passando um brao sobre a testa suada. - Esqueceu alguma coisa?
        Ela esquecera de si mesma na noite anterior. Poderia ter um lapso de memria neste momento se no parasse de olhar para aquelas coxas bem torneadas, e uma 
rea no muito distante, acima das coxas.
        - Na verdade, eu deixei Carly na creche e subitamente me lembrei que a frmula estava acabando. Depois que acabei de atender os pacientes no hospital, passei 
no mercado e comprei mais. - Somente uma desculpa para retornar, e no muito boa.
        Claramente, ele percebia que era uma desculpa.
        - Voc poderia ter me ligado, em vez de dirigir todo o caminho de volta at aqui.
        - Certo, este no foi o nico motivo pelo qual eu voltei. Quero conversar sobre o que aconteceu na cozinha.
        - O caf no estava to ruim esta manh. Talvez um pouco forte, mas j tomei piores. - O sorriso de Kevin era provocativo, assim como o tom de voz.
        - Eu no me referia ao caf, e voc sabe disso. Ele apontou para uma prateleira  esquerda de Leah.
        - Pode me passar uma toalha?
        Em vez de arriscar muita aproximao, Leah pegou a toalha branca e jogou para ele. Aps cair no cho, Kevin pegou do piso de cermica marrom e esfregou-a 
lentamente no pescoo e no peito. Como ela desejou ser aquela toalha...
        - Como eu estava dizendo - continuou ela -, preciso explicar minhas aes da noite anterior.
        Ele jogou a toalha sobre a barra lateral da esteira. - No precisa explicar nada, Leah. Eu sei o que est acontecendo com voc.
        Ela devia ser muito transparente.
        - Oh, sabe mesmo?
        - Sim. Seu namorado est a quilmetros de distncia e seus hormnios esto sobrecarregados. Isso acontece.
        Ele estava to longe da verdade que aquilo nem mesmo era engraado. Exceto talvez pela teoria dos hormnios.
        - Voc no tem idia do que est falando.
        - Eu sei exatamente do que estou falando. Quando ns estvamos juntos, por aproximadamente trs ou quatro dias do ms, eu no podia me aproximar que voc 
me agarrava. No importava onde estvamos. Em restaurantes, voc punha a mo sobre minha coxa debaixo da mesa e me provocava. Lembro-me de uma vez no cinema quando 
tivemos de sair no meio do filme porque voc ficou completamente excitada com uma cena de amor. No conseguimos chegar nem ao estacionamento. No que eu esteja reclamando. 
Espero ansiosamente por dias como aqueles.
        - Isso  ridculo. - Mas verdade. Quando ela ovulava, seus hormnios a deixavam num enlouquecedor estado de excitao. Na realidade, com Kevin, costumava 
se sentir assim quase todos os dias do ms.
        - Diga-me uma coisa, Leah - murmurou ele com aquela voz sexy e desafiadora. - Seu namorado tem vigor suficiente para lidar com voc nos dias que sua excitao 
leva horas para ser aplacada? Ele sabe precisamente onde toc-la e o que falar para lev-la  extremidade do prazer, como eu sei?
        Uma srie de imagens do passado surgiu na mente de Leah, envolvendo seu corpo inteiro em calor.
        - Isso no  da sua conta.
        Ele teve a audcia de tentar um olhar inocente.
        - Eu s estava curioso.
        - Bem, pode parar com sua curiosidade. Preciso voltar ao trabalho. - Antes que ela se encontrasse em outra situao complicada. - No se esquea de apanhar 
Carly esta tarde.
        - No se esquea de pr a frmula ao lado das trs latas que eu comprei dois dias atrs.
        Ela virou-se e caminhou para a porta, o som da risada de Kevin seguindo-a para dentro da casa, onde Leah tomou a deciso de impedir-se de retomar o que tivera 
com Kevin um dia... uma vida sexual plena e ardente.
        Talvez dar o telefonema no fosse uma idia to agradvel, mas Leah sentia que no tinha outra opo. Seguiu o corredor, entrou em seu quarto, pegou o celular 
do bolso da cala e acessou o nmero na memria. O telefone tocou cinco vezes, e no momento que ela estava prestes a desligar, uma voz irritada atendeu:
        - Camp's Automotive.
        - Ei,J.W., Leah.
        Uma longa pausa se seguiu antes que ele dissesse:
        -  bom ter notcias suas, doce de coco, mas estou mais ocupado do que um asno durante a estao de mosquitos. Posso lhe telefonar mais tarde?
        Ela detestava o apelido que ele lhe dera anos atrs, mas no ia corrigi-lo agora.
        - Na verdade, eu quero que voc me ligue de volta, mas preciso lhe dar meu novo endereo e nmero de telefone.
        - Eu no sabia que voc havia-se mudado.
        -No ltimo fim de semana.  uma longa histria. - E aquilo era tudo que ele precisava saber no momento. - Eu no entrarei em detalhes agora, mas ligue para 
mim esta noite, no telefone de casa. Eu explicarei ento.
        - Eu ligarei. H algumas coisas que preciso lhe contar tambm.
        - Voc tem papel e caneta?
        - Pode falar.
        Leah ditou as informaes, depois disse:
        - Lembre-se, ligue no nmero de casa.  importante.
        - Entendi. Como vai doce de coco jnior? E ela no fez quatro meses ontem?
        Deus, Leah no se lembrara do aniversrio da prpria filha. Que bela me estava se saindo.
        - Sim, ela tem oficialmente quatro meses de idade. E est crescendo muito depressa. Voc no ir reconhec-la quando ns nos mudarmos para a em agosto.
        - Provavelmente no. D um beijinho nela de J. W., certo?
        - Farei isso. Agora volte ao trabalho, e conversaremos logo.
        Aps desligar, Leah guardou o telefone no bolso e instantaneamente se sentiu envergonhada. A situao estava fugindo do controle, mas ela no sentia que 
podia fazer algumas revelaes para Kevin. Especialmente agora. No depois do beijo perturbador da noite anterior. No depois que ele tinha admitido que o fator 
namorado o ajudara a manter o controle. timo que ele tivesse se controlado, porque Leah parecia estar perdendo tal capacidade.
        Manter a farsa at sua partida poderia se revelar uma tarefa rdua. Ela temia que pudesse escorregar em algum momento. Talvez devesse fechar a boca com esparadrapo 
toda vez que estivesse perto de Kevin. Talvez isso fosse benfico em dois nveis: no cometeria lapsos verbais nem iria dar mais beijos nele.
        O beijo ardente tinha sido a maldio de sua existncia, tanto na noite anterior quanto durante toda a manh. Mas o dever a chamava, e talvez este dever 
a ajudasse a tirar Kevin e o beijo da cabea.
        DEPOIS QUE chegou  clnica, Leah aproximou-se da mesa de recepo para dar uma olhada nos seus compromissos mais urgentes, mas no meio do caminho Kathy, 
uma das enfermeiras, interrompeu seu progresso.
        - Dra. Cordero pensei que quisesse ver isto.
        Do jeito que seu dia tinha comeado, Leah no se surpreendia que houvesse alguma coisa errada.
        - O que houve, Kathy?
        - So os resultados de laboratrio do menino Myesky.
        Brandon Myesky... um garotinho agitado de quatro anos que podia encantar a equipe mdica inteira com apenas um sorriso que revelava uma covinha. Somente 
que, nos ltimos tempos, o menininho no sorria mais, e Leah temia que seus piores medos se concretizassem.
        -A notcia  muito ruim?
        - Diagnstico de leucemia...
        Embora j esperasse por isso, ela levou um momento para registrar a confirmao.
        - Tem certeza?
        A mulher abriu um grfico, virou-o e apontou para o resultado do laboratrio.
        - Est bem aqui.
        Aps ler os resultados, uma onda de nusea embrulhou o estmago de Leah.
        - Os Myesky tm alguma hora marcada em breve?
        - Eu liguei para eles uma hora atrs. Estaro aqui em aproximadamente duas horas. Pedi que no trouxessem Brandon, de modo que voc possa ter a total ateno 
deles.
        Um vu de lgrimas nublou a viso de Leah antes que ela fechasse os olhos por um momento e as reprimisse.
        - Quando eles chegarem, leve-os  sala de conferncias e certifique-se de que eu tenha tempo suficiente para responder as perguntas deles.
        Kathy ps a mo sobre o brao de Leah.
        - Ningum pensaria menos de voc se eu pedisse que outro dos atendentes lhes desse a notcia.
        Ela endireitou os ombros e assumiu uma atitude que no sentia nem remotamente.
        - Isso  parte do trabalho, Kathy. - A parte que ela mais detestava. - Tive de lidar com esse tipo de situao em diversas ocasies. Posso lidar com isso.
        - Tem certeza? Porque  bastante bvio que voc est prestes a desmoronar. Criar um beb e cuidar de crianas doentes ir esgot-la. Eu sei disso porque 
criei trs filhos depois de meu divrcio e trabalhava em turnos de 12 horas. Voc precisa dormir mais.
        Ela tambm precisava de menos distrao.
        - Voc est certa. Eu passarei a descansar mais. - Como se isso fosse acontecer com tantos problemas em sua mente, e com o fardo adicional de dizer queles 
pais que eles estavam prestes a enfrentar uma jornada mdica sofrida com o nico filho que tinham.
        A enfermeira lhe deu um tapinha nas costas.
        - No que diz respeito a Brandon, voc identificou os sintomas bem cedo. Se isso for tudo, e aposto que , com o tratamento ele tem boas chances de cura permanente. 
Mas, na realidade, no preciso lhe dizer isso.
        Leah sinceramente apreciava as tentativas da enfermeira de faz-la focar no positivo, apesar da notcia negativa.
        -Voc tem razo, Kathy. Ele tem uma chance slida de sobrevivncia. - E era exatamente isso que ela diria aos Myesky, embora o diagnstico ainda fosse arrasador.
        De qualquer forma, Leah precisava espantar a melancolia que podia embotar seu julgamento. Pelo menos mais uns 12 pacientes necessitavam de sua ateno total 
na clnica, e tinha visitas a fazer no hospital antes que pudesse pensar em encerrar seu expediente. Pelo andamento das coisas, teria sorte de chegar em casa antes 
da meia-noite.  Felizmente, Carly estava em boas mos.
        
        ASSIM QUE ps Carly para dormir e retomou  sala, Kevin deparou com um coro de risadas, graas ao bando de seus irmos felizes e um cunhado. Uma hora atrs,Aidan, 
Logan, Kieran, Devin e Whit haviam aparecido numa limusine... cortesia da companhia de transporte de elite de Logan... prontos para comemorarem, ou lamentarem, o 
fim do estado civil de solteiro de Kieran. Uma vez que Kevin no pudera comparecer a festa, eles tinham levado a festa at ele. Mas Kevin no estava exatamente no 
humor de comemorar.
        Ele sentou-se no sof e apoiou os calcanhares sobre a mesinha de centro.
        - Podem me dizer o que  to engraado?
        - Voc - disse Logan. - Este paninho cor-de-rosa est na ltima moda.
        Kevin tirou a pequena toalha do ombro e jogou-a sobre a mesa, produzindo outra rodada de gargalhadas.
        - Voc todos esto se divertindo, no esto?
        - Estamos apenas surpresos ao ver quo bem voc se encaixa no papel de pai - acrescentou Aidan.
        Kieran teve a audcia de rir novamente.
        - Uma pena que ele no tenha acesso direto  me.
        Kevin no queria explicar aquilo, mas se no explicasse nunca se livraria da situao atual.
        - Ns concordamos em ser amigos, pelo bem de Carly. 
        Logan pareceu perplexo.
        - Quer dizer que vocs dois esto vivendo nesta casa e no...
        - No, no estamos, portanto, pare com isso. - Kevin no se incomodou em esconder sua irritao. 
        Whit meneou a cabea
        - Ele deve estar louco. Vocs a viram? Ela  uma das mulheres mais bonitas com quem ele j saiu.
        - Ela tambm tem um namorado - adicionou Kevin.
        Considerando o telefonema que Kevin recebera poucas horas antes, aquele namorado no era mais um problema. Infelizmente, ele agora estava encarregado de 
dar o recado a Leah. Como e quando faria isso, ainda no sabia.
        - Sabem, eu sou o nico que ainda no a conheceu - disse Dvin.
        - Uma pena que no trabalhemos no mesmo hospital. Eu poderia ter encontrado um jeito de v-la, apenas para confirmar se ela  to ardente como todos dizem.
        - Ela , acredite - murmurou Kevin. - Mais quente do que o incndio florestal do Texas.
        Quando a porta da frente se abriu, Whit declarou:
        - Parece que voc ter a chance de conhec-la, Dev.
        Kevin baixou os ps para o cho e praticamente saltou do sof, parecendo um pouco ansioso demais para algum que no estava interessado em ter "acesso direto" 
a Leah. Os outros homens tambm se levantaram e ficaram silenciosamente atentos.
        - Kevin, por que tem uma limusine parada aqui na frente? - perguntou Leah, entrando na sala e parando de repente. Ela ento olhou para cada um dos homens 
antes de voltar sua ateno para a garrafa de cerveja na ponta da mesa. Foi quando Kevin percebeu que estava encrencado.
        - Oi - disse ele. - Ns estvamos assistindo o jogo de beisebol. Parece que vai ter prorrogao.
        - Desde quando assistir a um jogo de beisebol requer uma limusine? - Ela conseguiu um sorriso, mas o tom de voz no soava nada amigvel.
        - Ns estvamos no centro da cidade - explicou Aidan. - Porque tnhamos tomado alguns drinques, Logan nos emprestou uma de suas limusines.
        Quando Leah olhou para Kevin, ele ergueu as mos em defesa.
        - Eu fiquei aqui a noite inteira.
        - Entendo - disse ela, embora parecendo no gostar de ver aquele bando de O'Brien invadindo seu domnio. - Onde est o beb?
        Kevin notou que a postura corporal dela estava muito tensa.
        - Dei um banho em Carly e a coloquei para dormir alguns minutos atrs.
        O irmo mais velho de Kevin se apresentou.
        - Eu sou Devin, Leah.
        Ela pegou a mo que ele ofereceu para um breve aperto.
        -  bom finalmente conhec-lo, dr. O'Brien. Imagino que no esteja de planto esta noite.
        - No, mas ns j estamos de sada. - Ele gesticulou para os outros irmos apenas com um olhar. - At mais, Kev. E foi um prazer conhec-la, Leah. A propsito, 
voc faz um grande trabalho na pediatria.
        Ela forou outro sorriso.
        - Obrigada.
        Os garotos O'Brien e Whit se despediram e foram embora, deixando Kevin sozinho para enfrentar a fria de Leah. Assim que todos saram, Kevin voltou-se para 
Leah e tentou uma expresso pesarosa.
        - Eu sei que isso no parece bom, mas antes que voc se irrite completamente...
        - Eu deveria ficar feliz ao ver voc no meio de uma festa quando est responsvel por nossa filha? - Ela jogou as chaves sobre uma mesa lateral e o jaleco 
sobre o brao do sof. - E pensei que voc tivesse superado esse comportamento.
        A determinao de Kevin de permanecer composto comeou a diminuir. - Eu estava cuidando dela, Leah. E voc v uma festa aqui?    
        Ela andou at a ponta da mesa e pegou uma garrafa de cerveja.
        - Quantas dessas voc bebeu?
        - Nenhuma. Eu lhe disse que no bebo mais. Todavia, mesmo se eu tivesse decidido participar esta noite, teria tomado apenas uma. No o bastante para me impedir 
de cuidar do beb.
        Leah ps a garrafa novamente sobre a mesa e o encarou, as mos fechadas nas laterais do corpo.
        -  assim que vai ser, Kevin? Quando eu lhe telefono e aviso que vou chegar tarde, voc rene os rapazes aqui?
        Ele se ressentiu da acusao.
        - Eles quiseram vir conhecer a sobrinha, e eu queria que ela conhecesse os tios. No h nada de errado com isso.
        - Exceto que voc no pode entreter um bando de homens, assistir a um jogo de beisebol e fazer um trabalho adequado de pai.
                Kevin experimentou a primeira onda de raiva verdadeira.
        - Em primeiro lugar, eles ficaram aqui por menos de uma hora. Segundo, pessoas tm vidas, Leah. Visitam amigos e famlia e ainda cuidam de seus filhos, sem 
incidentes.
        - No se eles estiverem bebendo.
        - Eu lhe disse que no bebi. Na verdade, Logan era o nico com uma cerveja. Ele a trouxe consigo.
        Ela parecia tanto ctica quanto irada.
        - Sim, foi isso que voc falou. Mas ento j falou coisas antes que no eram verdade, certo?
        A raiva o dominou.
        - Talvez eu merea isso, pelo que fiz com voc. - Kevin pausou apenas o bastante para respirar fundo. - Mas, certamente, fico ressentido com a insinuao 
de que eu faria alguma coisa para machucar Carly. Eu preferia morrer antes disso.
        Ele virou-se e foi em direo  porta dos fundos antes que dissesse algo de que se arrependeria... novamente.
        Quando ela falou "Eu no terminei ainda", Kevin ignorou o comentrio e saiu para o terrao, batendo as portas francesas e fazendo os vidros tremerem com 
a fora de sua frustrao. Ele sentou-se num banco de balano, inclinou o corpo para a frente e levou ambas as mos ao rosto.
        Soubera o tempo todo que Leah tinha uma opinio negativa a seu respeito, e com razo. Mas no percebera o quanto ela o detestava. O quo pouco confiava nele. 
Depois do telefonema do namorado dela naquela noite, ele se enganara ao pensar que ainda podia haver uma chance de recuperar o que eles tinham tido um dia, somente 
que melhor. No mnimo, Kevin teria uma chance de finalmente ganhar o respeito de Leah. Porm, alguns minutos atrs, ela destrura qualquer esperana que ele pudesse 
ter. E isso o devastava, mais do que ela jamais saberia.
        
        
        
                           CAPTULO OITO
        
        
        
        ELA NUNCA vira Kevin to furioso. Tambm nunca o vira to magoado. Leah deveria sentir algum tipo de prazer pela dor que claramente lhe causara, mas no 
sentia. Prova positiva de que vingana nem sempre era to doce.
        Depois de dar uma olhada em Carly, Leah foi procurar Kevin a fim de lhe pedir desculpas por ter feito um drama fora de proporo por causa do encontro dos 
irmos. Tambm precisava explicar sua atitude, num esforo de faz-lo entender por que tinha reagido de modo to exagerado.
        Optando por pegar o mesmo caminho que Kevin havia feito quando se retirara da sala, Leah o encontrou sentado no terrao, um brao sobre o encosto almofadado 
do banco, olhando para a piscina iluminada em azul. No momento que ela se aproximou e parou na frente dele, Kevin no reconheceu sua presena. Ou estava perdido 
em pensamentos, ou ignorando-a deliberadamente.
        - Eu s queria saber se voc tem um pouco de sal para o corvo que estou prestes a comer - disse ela, sua tentativa de humor fracassando.
        - Gabinete acima do fogo do lado direito - replicou ele, sem olh-la.
        - Eu s queria pedir desculpas, Kevin. Sei que reagi de maneira exagerada.  apenas que...
        - Desculpas aceitas.
        Leah no acreditou naquilo por um minuto, e no ia a lugar algum at que tivesse certeza de que ele a perdoara.
        - Voc se importa se eu me sentar?
        - Fique  vontade.
        Evidentemente, ele no ia ser nem um pouco receptivo. No importava. Leah tinha uma tendncia a persistir quando queria muito alguma coisa, e necessitava 
que ele a ouvisse. Com isso em mente, ela sentou-se no banco de balano, mantendo um espao razovel entre os dois.
        - Eu tive um dia horrvel no trabalho. Sei que isso no  desculpa para o meu comportamento, mas o fato exerceu sua presso.
        Pelo menos aquilo chamou a ateno dele.
        - O que tornou seu dia pior do que qualquer outro?
        Por mais difcil que fosse falar sobre a doena de Brandon novamente, ela se sentiu inclinada a explicar tudo para Kevin.
        - Tive de contar a uns pais que o garotinho deles est terrivelmente doente.
        - Ele vai ficar bem? - perguntou Kevin.
        -  difcil dizer. Ele tem os sinais preliminares de leucemia, mas far uma bipsia da medula ssea para confirmar de que tipo. Se a sorte estiver do lado 
deles, a leucemia  do tipo que pode ser tratada com quimioterapia, e talvez ele at consiga a cura permanente.
        - Quimioterapia  terrvel para adultos - disse ele com notvel convico. - No posso imaginar como uma criana  capaz de suportar isso.
        - Com muito apoio da famlia.
        - Como os pais do menino reagiram  notcia? - Kevin quis saber. Leah pressionou a ponte do nariz entre os dedos quando a recordao dos rostos deles lhe 
veio  mente.
        - To bem quanto possvel, mas ficaram justificadamente arrasados. Pelo menos, eu fui capaz de lhes oferecer alguma esperana antes que a oncologia peditrica 
assuma o caso. Infelizmente, eu no lidei muito bem com a notcia quando soube.
        - Como assim?
        - Eu quase desmoronei na frente de uma enfermeira e no posso me permitir esse tipo de reao emocional. Posso sentir compaixo, mas tenho de permanecer 
imparcial, de alguma maneira.
        - Voc  apenas humana, Leah. E  muito dura consigo mesma. Sempre foi assim, no que diz respeito ao seu trabalho.
        - Eu no tenho escolha, Kevin. Possuo muitas responsabilidades para deixar que emoes me guiem. Sempre fui capaz de manter tudo em perspectiva at hoje.
        - Tem certeza sobre isso?
        Leah no tinha idia sobre o que ele estava falando, mas pretendia descobrir.
        - O que voc est dizendo exatamente?
        - s vezes me pergunto se cada criana criticamente doente que voc cuida  Carl.
        Ela esperou que seu espanto diminusse antes de dizer:
        - Eu no imaginava que voc se lembrava dessa histria.
        - Mesmo se eu no me lembrasse, o fato de que voc deu o nome da nossa filha em homenagem a ele teria me feito lembrar. Mas eu jamais me esquecerei da primeira 
vez que voc falou sobre Carl. Naquela noite, eu finalmente entendi o que a levara se tornar uma grande pediatra e uma defensora de crianas desprivilegiadas. Mas 
tambm percebi que talvez voc tivesse problemas em aceitar o fato de que no pode salvar todas as crianas, assim como salv-lo no estava em seu poder.
        Como ele a conhecia bem. Talvez, algumas vezes, melhor do que ela conhecia a si mesma.
        - Se esse  o caso, talvez eu esteja na profisso errada.
        - Talvez o mundo precise de mais mdicos como voc - murmurou Kevin. - Voc apenas precisa aprender a aceitar que ter sucesso mais vezes do que fracassos, 
e que perda  uma parte inevitvel da vida.
        - Manterei isso em mente. - E ela tentaria. - Mas  mais difcil agora que estou...
        - Fazendo malabarismo com maternidade e medicina e funcionando com muito pouco sono.
        Quase a mesma coisa que Kathy havia lhe dito naquela tarde.
        - Certo, admito que no estou dormindo o suficiente.
        -  por isso que voc deveria me deixar cuidar de Carly  noite. 
        Certo mais uma vez, entretanto...
        - Ela  meu beb, Kevin. Devo ser capaz de conciliar algum equilbrio entre meu trabalho e os cuidados com Carly.
        - Voc conseguir assim que acabar o perodo de residncia. Enquanto isso, d um intervalo a si mesma.  para esse fim que estou aqui, para diminuir um pouco 
o peso do fardo. Eu apenas desejaria que estivesse presente desde o comeo.
        Leah deu boas-vindas  memria alegre que penetrou seus pensamentos. Uma memria agridoce, porque Kevin no tinha testemunhado o nascimento da preciosa filha 
deles. Mas pelo menos ela podia compartilhar essas lembranas com ele agora.
        - Sou provavelmente suspeita para falar, mas Carly era um beb muito lindo quando nasceu. Tinha uma linda cabea escura e os ps e mos mais perfeitos. Tambm 
era bem pequenininha, no chegando a dois quilos e meio, mas felizmente bastante saudvel para sair da unidade neonatal depois de apenas alguns dias.
        - Ento ela no teve nenhum problema respiratrio?
        A preocupao na voz de Kevin levou Leah a tranquiliz-lo.
        - Eles a colocaram no oxignio logo aps o nascimento, mas Carly no precisou por muito tempo. Ela  uma guerreira.
        - Ela ganhou isso de herana - respondeu ele com um sorriso. - Seu trabalho de parto foi difcil?
        Leah recostou-se na almofada e retornou o sorriso.
        - De maneira alguma. Eu mal tinha acabado de chegar ao hospital quando ela nasceu. Na verdade, foi to fcil que eu disse a J. W. que estava disposta a ter 
pelo menos mais trs ou quatro filhos. - Ela hesitou um momento antes de acrescentar: - Nas circunstncias certas.
        Kevin tornou-se estranhamente triste de novo.
        - Ele estava l?
        Ela podia adivinhar para onde aquela conversa se dirigia.
        - Ele no estava na sala quando Carly nasceu, mas chegou ao hospital aproximadamente cinco minutos depois que eu a tive.
        - Ele a segurou?
        L vinha o cime paterno.
        - Sim.
        - Aquele desgraado.
        Leah estremeceu com o tom amargo da exclamao.
        - Oua, Kevin, eu o conheo h muito tempo.  normal que ele quisesse estar l para me apoiar.
        - Talvez voc queira repensar isso depois do que ele me disse quando ligou esta noite.
        Leah tinha esquecido completamente que pedira para J. W. telefonar-lhe. Pela reao de Kevin, talvez ela no quisesse saber o contedo daquela conversa. 
Todavia, precisava perguntar.
        - O que ele lhe disse?
        - Nada bom. - Kevin a encarou com intensidade. - Tem certeza de que voc quer ouvir, depois do dia que teve?
        Ela temeu que J. W. tivesse revelado as particularidades do verdadeiro relacionamento deles.
        - Fale de uma vez, Kevin.
        - Ele disse que retornaria a ligao daqui a algumas semanas, depois que voltasse de uma viagem com a nova namorada, Cecily.
        Leah ficou sem fala e sem saber como reagir. Ento, algo totalmente ridculo aconteceu... ela riu por um bom minuto antes de cair num acesso de choro. Talvez 
o assalto de histeria fosse, em parte, alvio porque a farsa estava acabada. Talvez fosse uma liberao da tristeza acumulada pelo diagnstico de Brandon. Talvez 
estivesse simplesmente enlouquecendo.
        - Eu sabia que deveria ter esperado para lhe contar - disse Kevin, enquanto se levantava e andava para dentro da casa. Leah inicialmente pensou que ele a 
deixara ali no sofrimento, at que ele retornou momentos depois com uma caixa de lenos de papel e entregou-lhe.
        Ela enxugou os olhos e tentou recuperar a calma.
        - Fico feliz que voc tenha me contado. E Cecily no  uma namorada nova. Ela e J. W. juntam-se e se separam desde o ensino mdio.
        Kevin reassumiu o lugar ao seu lado.
        - Voc quer que eu d uma surra nele? 
        Leah conseguiu outra risada irnica.
        - Engraado, ele me perguntou a mesma coisa quando eu lhe contei sobre o nosso rompimento.
        Kevin sorriu.
        - Ns deveramos brigar ento e resolver isso de uma vez.
        - Isso no  necessrio, e eu ficarei bem. No teria dado certo entre ns, de qualquer maneira. - Por diversas razes, a primeira delas sendo que J. W. era 
apenas um amigo, e era isso que ele sempre seria.
        - Venha aqui. - Kevin passou um brao ao redor de seu ombro e a puxou para mais perto. - Ele no merecia voc.
        Completamente destituda de energia, e com grande necessidade de consolo, Leah ps o leno de papel no bolso e inclinou-se contra ele.
        - Obrigada por dizer isso, e desculpe por todo o tumulto emocional pelo qual tenho passado ultimamente. No se trata apenas do que aconteceu hoje. Eu me 
preocupo por no estar sendo uma boa profissional no trabalho. Temo no estar fazendo o bastante por Carly. Voc acredita que eu realmente esqueci que ela fez quatro 
meses ontem?
        - Anteontem - corrigiu ele. 
        - Agora eu me sinto ainda pior.
        Kevin a apertou levemente.
        - Voc est com muitas coisas na mente, Leah. Precisa relaxar. 
        Que piada!
        - Eu no consigo relaxar. Nem mesmo me lembro como se relaxa. 
        Ele beijou-lhe  testa.
        - Voc  uma excelente me. E desde que eu a conheo, sempre teve problemas para relaxar.
        - No  verdade. Eu conseguia relaxar com voc.               
        - Sim, mas era necessrio algum esforo da minha parte.
        Tudo que tinha sido necessrio era o tom da voz, o toque, a presena de Kevin.
        - Voc sempre teve um jeito incrvel de me acalmar com conversas quando eu estava tensa.
        - Pensei que voc tivesse dito que ns nunca conversvamos.
        Ela queria acreditar que o relacionamento deles tinha sido somente sexual. Estava errada.
        - Suponho que tivemos mais do que algumas conversas memorveis.
        - Sim, tivemos.
        Leah havia intencionalmente bloqueado a maior parte dos bons momentos para tornar o fim mais fcil. No que tivesse sido fcil de qualquer maneira. No que 
ela superara aquele telefonema insensvel. Mas quando Kevin ps o balano em movimento, e eles permaneceram num silncio amigvel, ela secretamente reconheceu que 
apreciava a proximidade atual dos dois, o ombro de Kevin no qual descansar, os conselhos dele. Sem mencionar o aroma maravilhoso, o tipo de cheiro que deixava uma 
mulher agradavelmente tonta. Um cheiro que trazia lembranas de fazer amor enquanto eles eram cercados por velas fragrantes, algo que tinham feito algumas vezes 
no apartamento de Kevin. Oh, as coisas que haviam feito naquele apartamento...
        A ponta dos dedos que subiam e desciam suavemente ao longo de seu brao agora a lembrava do jeito como ele costumava toc-la. E quanto mais Kevin continuava 
com as carcias, mais excitada ela ficava.
        Kevin a excitara muitas vezes, e a lembrana dessas ocasies, combinada com as memrias que ele ressuscitara no galpo naquela manh, comearam a tomar conta 
de Leah. Certo ou errado, ela queria alguma coisa que apagasse as lembranas de um dia horrvel. Algo ntimo, como um beijo... ou mais.
        - Quase posso ouvir os pensamentos girando nesta sua cabecinha - disse ele.
        - Voc no tem idia do que eu estou pensando, Kevin. - Se tivesse, fugiria ou a agarraria.
        - Voc ainda est se castigando por no ser invencvel. 
        Ela parara de pensar naquilo, com a ajuda dele.
        - No tanto quanto antes.
        - Ento est fazendo uma lista mental de todas as suas tarefas de amanh.
        Leah estava compondo uma lista mental dos motivos pelos quais deveria ignorar o forte desejo carnal que a fazia querer suplicar-lhe menos conversa e mais 
ao.
        - Errado.   
        - Ento est pensando que, daqui a algumas horas, assim que voc tiver adormecido, Carly vai acordar para uma mamadeira.
        Agora ela se sentiu culpada, de alguma maneira.
        - No, mas obrigada por me lembrar.
        - Certo, est refletindo por que est sentada com um homem que a dispensou por nenhuma razo aparente alm de uma fobia por compromissos.
        Um homem sexy que por acaso estava disponvel, e lhe era familiar. Alm disso, ela no queria um compromisso dele agora, apenas um pouco de conforto.
        Leah levantou a cabea e olhou-o diretamente.
        - Na verdade, eu estava pensando que gostaria que voc se calasse e me beijasse.    
        Um momento de indeciso cruzou as feies de Kevin antes que ele pusesse os cabelos dela atrs de uma orelha e lhe emoldurasse o queixo com a mo. Atendeu 
ao pedido roando-lhe os lbios com os seus, mas apenas brevemente. Ento repetiu o gesto, demorando-se um pouco mais. Na terceira passagem, ele a beijou completamente, 
com ardor.
        Como ela sentira falta dos beijos de Kevin, da gentileza dele, de suas tcnicas incrivelmente tentadoras! A habilidade de faz-la se sentir to... to... 
excitada. Algumas carcias ao luar eram inofensivas, contanto que aquilo no fosse longe demais. Mas quando o beijo continuou, aprofundando-se e intensificando-se, 
Leah desejou mais.
        Como se lesse seus pensamentos, Kevin deslizou uma das mos por baixo de sua blusa e acariciou-lhe as costelas. O bom-senso tentou convenc-la a parar com 
aquela loucura imediatamente, mas quando ela fora capaz de chamar o bom senso em momentos que o envolviam? No levou muito tempo antes que Leah estivesse se contorcendo 
de modo inquieto contra ele, silenciosamente incentivando-o a avanar. A lev-la ao limite e alm, como ele um dia fizera.
        Quando Kevin deslizou a palma ao longo da curva de seu quadril e curvou-a no interior de sua coxa, bem acima do seu joelho, Leah no podia agentar mais. 
Ela puxou-lhe a mo para cima, guiando-o para o lugar onde mais queria a ateno dele.
        Leah afastou a boca tempo suficiente para sussurrar:
        - Eu preciso...                                             
        - Eu sei do que voc precisa - disse ele. -Algumas coisas a gente nunca esquece.                 
        No momento que Kevin a beijou novamente, Leah esperou pelo puxo do cordo em sua cintura, pela sensao dos dedos msculos sob suas roupas. Em vez disso, 
ele a massageou por cima do tecido de algodo, suavemente no comeo, em seguida aplicando mais presso. O clmax aconteceu com tanta rapidez e fora que ela estremeceu 
e gemeu.
        - Isso no requisitou muito esforo da minha parte - disse Kevin, acompanhado de uma risada baixa e sexy.
        Leah no sabia se devia se sentir mortificada ou grata.
        - Faz tempo.
        - E como. - Ele abaixou a brao que rodeava o ombro dela. - Agora que voc est relaxada,  hora de dormir.
        Leah no estava to embaraada ao ponto de no querer terminar o que eles tinham comeado, apesar das circunstncias.. Apenas sexo conveniente, como Macy 
colocara de forma to graciosa. E se ela realmente acreditasse que aquele era o caso, ento estava louca.
        -Minha cama ou a sua? 
        Kevin se levantou do banco de balano e a encarou.
        - Voc vai para a sua cama e eu vou para a minha. 
        Ela sentiu como se ele tivesse esmagado seu ego.   
        - Obrigada, Kevin. Voc teve sucesso em me fazer parecer uma tola desesperada. Se no queria terminar isso, ento, por que comeou?
        - Eu no comecei.
        Oh, Deus, ele estava certo.
        - Ento, por que simplesmente no me falou que no queria isso? 
        Ele apoiou uma das mos no encosto do banco e a outra sobre o brao, e inclinou-se para a frente, to perto que ela poderia beij-lo novamente.
        - Se acredita que eu no quero despi-la e estar dentro de voc agora, ento no me conhece nem um pouco.
        Pelo menos aquilo proporcionava alguma salvao para a auto imagem de Leah.
        - Se isso  verdade, ento o que o est detendo? 
        Kevin endireitou o corpo e passou a mo pelos cabelos.
        - Eu no vou me aproveitar de voc quando est vulnervel. E no vou fazer amor com voc a menos que tenha certeza que quer estar comigo, no porque est 
procurando vingana ou diverso no sexo.
        Ela devia lhe contar sobre seu verdadeiro relacionamento com J. W., mas aquele segredo era sua ltima linha de defesa. Uma linha que tinha comeado a se 
romper.
        - Eu no sei o que estou procurando, Kevin. - Aquela era a resposta mais honesta que Leah podia dar.
        - Foi o que pensei. - O tom de voz dele era carregado de desapontamento.
        Leah se levantou e puxou a bainha da blusa.
        - Voc tem razo.  melhor dormirmos em quartos separados e esquecer que isso aconteceu. - Pelo menos ela poderia tentar esquecer.
        Kevin apontou para ela.
        - E eu vou cuidar de Carly esta noite, de modo que voc possa ter um sono ininterrupto.
        Leah estava muito cansada para discutir.
        - Tudo bem. Mais alguma coisa?
        Quando ela comeou a andar, Kevin deu um passo atrs.
        - Sim. V para a cama antes que eu d adeus aos princpios e mude de idia.
        Leah foi tomada por um estranho senso de poder.
        - No se preocupe, Kevin. Vou tentar resistir ao impulso de violent-lo no meio da noite. Mas no fao promessas.
        Ela virou-se e caminhou para dentro da casa, enquanto refletia como Kevin estivera errado sobre sua motivao. Ela no queria diverso. No gostava de sexo 
conveniente. Ela o queria... tanto que chegava a doer. Sempre o quisera. Mas t-lo vinha com um alto preo, porque conhecia Kevin O'Brien.
        Conhecia a habilidade inata dele de fazer uma mulher se sentir como se nenhuma outra jamais tivesse existido. Tambm sabia que ele tinha um hbito de deixar 
uma trilha de coraes partidos... o seu entre eles. Todavia, Leah era mais forte agora. Podia lutar contra envolvimento emocionai. Poderia aceitar o que Kevin estava 
disposto a dar, contanto que no cruzasse a linha do amor.
         claro, teria de convenc-lo a participar. Isso exigiria pacincia e uma dura batalha. Experincia lhe ensinara que expectativa era o melhor afrodisaco 
do mundo.
        Mas o risco valia realmente a pena? Oh, sim, valia. Ele valia.
        
        KEVIN ROLOU na cama, olhou para o relgio e percebeu que tinha dormido a noite inteira... sem acordar nenhuma vez com Carly. Ele se sentou e focou na luz 
vermelha iluminando o monitor, que indicava que estava funcionando. A menos que o receptor tivesse quebrado. Ou que algum o tivesse desligado intencionalmente.
        Ele suspeitava quem esse algum podia ser. Leah, provavelmente, dormira no quarto do beb, afim de assumir o turno noturno, ignorando suas tentativas de 
lhe dar um descanso. Pelo menos, o arranjo havia durado quase uma semana. E trs dias atrs ela finalmente concordara em deix-lo pegar Carly na creche ao meio-dia.
        Desde ento, Kevin tinha estabelecido uma boa rotina com a filha... ele trabalhava pelas manhs e brincava de papai durante as tardes. A noite, na companhia 
de Leah, os dois fingiam que nada havia acontecido naquela noite no terrao. Contudo, por seis dias inteiros ele no pensava em outra coisa, enquanto ela se tornara 
distante, fazendo provocaes sutis destinadas a lev-lo  loucura. Um roar acidental na cozinha, entrando na sala com apenas uma toalha enrolada no corpo, ento 
agindo como se estivesse surpresa ao encontr-lo diante da televiso. Pura tortura.
        Forando-se a reprimir os pensamentos, Kevin saiu da cama, vestiu um short de ginstica, e quando entrou no hall, ouviu um baralho vindo da cozinha. Encontrou 
Leah parada junto da pia, enchendo a cafeteira de gua.., vestida naquele tentador pijama de zebra. Aquele era o pior tipo de punio... olhe, mas no toque.
        Ele se sentou num banco de bar e uniu as mos sobre o balco num esforo para control-las.
        - Onde est o beb?
        - Incrivelmente, ainda dormindo- respondeu ela, sem olh-lo. - Chequei poucos minutos atrs.
        - Quantas vezes voc acordou com ela esta noite?
        Leah o encarou, parecendo um pouco assustada, meio confusa.
        - No tenho idia sobre o que voc est falando. Eu no acordei uma nica vez com Carly.
        Alarmes tocaram na cabea de Kevin.
        - Nem eu.
        Ele saiu correndo da cozinha para o corredor, Leah o seguindo de perto. Enquanto girava a maaneta do quarto do beb, um pensamento horrvel lhe ocorreu. 
Carly estava doente e ningum estivera l para ela. Ou estava no bero, chutando os pezinhos e produzindo sons incoerentes de beb.
        - Ela est bem? - Leah perguntou atrs dele.
        Silenciosamente, Kevin fechou a porta e sorriu.
        - Ela est bem. No tenho certeza o que est dizendo para as prprias mozinhas, mas parece bastante animada. E uma vez que voc no acordou com o choro 
de Carly, e eu tambm no acordei, isso significa...
        - Ela dormiu  noite inteira.
        Sem aviso, Leah atirou-se nos braos de Kevin e envolveu as pernas ao redor de sua cintura. Ele a girou algumas vezes antes de desliz-la at o cho, colocando-os 
em contato ntimo com as roupas finas que os separavam. Pior, Leah no o soltou imediatamente. Grande erro.
        Cem flexes e um banho de 45 minutos toda noite vinham sendo a nica maneira de Kevin controlar sua libido. Considerando seu estado de excitao atual, teria 
de fazer 200 flexes e passar uma hora debaixo do chuveiro antes que pudesse comear o dia.
        Com o que lhe restava de fora de vontade, Kevin virou-se de costas para ela, cruzou as mos atrs da nuca e comeou a ir em direo ao seu quarto.
        - Cuide de Carly, por favor. Eu preciso de alguns minutos. - Ele precisava de um balde de gelo dentro de seu short.
        - Algum problema, Kevin?
        Ele parou e olhou por sobre o ombro para v-la sorrindo.
        - Pode-se dizer que sim.
        - Por acaso  aquela condio matinal exclusivamente masculina conhecida como intumescncia peniana noturna?
        Ele virou-se de frente novamente, com o risco de confirmar o diagnostica dela.
        - Sabe como eu adoro quando voc fala coisas erticas comigo em termos mdicos, mas isso no tem nada a ver com a hora do dia. Voc acabou de roar seu corpo 
seminu no meu corpo seminu. Adicione isso  sua seduo progressiva e obtenha o que est causando meu problema.
        Ela olhou para baixo, vendo o problema em questo, ento ergueu os olhos novamente.
        - Voc teve sua chance na outra noite no terrao. 
        Kevin estava bastante ciente daquilo.
        - Ns j falamos sobre isso, Leah.
        - Eu sei, e precisamos aprofundar a discusso quando eu chegar em casa esta noite.
        Ele lembrou-se do e-mail que tinha recebido na noite anterior, depois que Leah fora para a cama, e o dilema se apresentou.
        - Eu no estarei aqui quando voc chegar em casa. Preciso voar para Atlanta esta tarde.
        Ela franziu o cenho.
        - Porqu?
        - Porque fui chamado por uma grande revista. Eu tentei me livrar sugerindo uma conferncia por telefone, mas eles querem um encontro cara a cara. So s 
dois dias. Tenho de jogar golfe no sbado com as "feras", mas volto na noite de sbado.
        - Que conveniente. Agora voc tem uma desculpa real para me evitar.
         Kevin coou o maxilar.
        - Isso no  nem um pouco conveniente, e eu no estou evitando voc.
        Leah cruzou os braos sob os seios.
        - Sim, est. Quando eu chego em casa, voc vai para a academia de ginstica ou para o galpo a fim de se exercitar por horas. Depois do jantar, recolhe-se 
em seu escritrio at que seja hora de Carly ir para a cama.
        Certo, ento ele a vinha evitando, por bons motivos.
        - Eu somente estou fazendo o que voc pediu, Leah. Deixando-a ter algum tempo de qualidade com Carly.
        - Voc mal me olha, Kevin. Sinto que tenho algum tipo de vrus para o qual no existe cura.
        Leah tinha... atrativos sexuais virais que o faziam suar frio.
        - Estou olhando para voc agora, e est me matando no lev-la para a cama e cuidar do meu problema. Mas imagino que isso  exatamente o que voc pretende, 
usando esse bendito pijama.
        Ela deu de ombros.
        - Eu no tinha outro traje para dormir, pois no tive tempo de lavar roupa esta semana.
        Desculpa esfarrapada, na opinio de Kevin.
        - Minha faxineira vem toda sexta-feira, que por acaso  amanh. Se voc deix-la lavar suas roupas quando ela lava as minhas e as de Carly, isso no ser 
mais um problema.
        - Sou capaz de lavar minhas prprias roupas, obrigada.
        - Vamos, Leah, admita. Voc est tentando me manter excitado e perturbado.
        - Eu no estou tentando fazer nada, Kevin. Alm disso, voc tem a tendncia de se excitar com coisas insignificantes.
        - Como o fato de que posso praticamente ver atravs da blusa que voc est usando? - E o efeito que sua observao tinha nos seios dela.
        Leah mudou o peso do corpo de um p para o outro.
        - Olha quem est falando. Voc nem mesmo est usando uma camisa. Kevin deslizou a mo do trax at o cs de seu short, somente para ver como ela reagiria. 
E Leah reagiu mordiscando o lbio inferior.
        - Isso a excita? Porque agora voc sabe exatamente como eu me sinto. Ou estamos engajados em algum tipo de competio para ver quem se rende primeiro?
        - Acredito que eu fiz isso naquela noite no terrao.
        - No, voc ameaou fazer.
        Eles continuaram parados ali, se olhando, enquanto Kevin imaginava pression-la contra a parede e beij-la at tirar aquele sorriso dissimulado do rosto 
dela. Remover aquele pijama sexy realmente devagar...
        O som do choro de Carly suspendeu temporariamente a tenso entre os dois, e serviu como um lembrete do por que ele no poderia agir sobre seus desejos. Mas 
aquela tenso estaria presente durante todo o tempo que eles estivessem morando juntos? Assim que pudesse pensar com clareza novamente, ele teria de decidir o que 
fazer sobre aquilo.
        - A que horas voc vai sair? - perguntou Leah quando comeou a ir em direo ao quarto do beb.
        - Meu vo  s 16h. - Ms ele tinha um compromisso duas horas antes disso. Passar no laboratrio, algo que no mencionaria at que tivesse os resultados, 
se  que falaria sobre o assunto.
        Quando ela se virou em direo ao quarto e lhe permitiu uma vista do traseiro firme e arredondado, um dos aspectos favoritos dele, Kevin no pde evitar.
        - Belo traseiro, Cordero.
        Ela abriu a porta parecendo precisar de uma fuga rpida.
        - Vou ligar para a creche e avisar que Carly ficar l o dia inteiro.
        - E eu ligo para voc esta noite.
        
        LEAH TINHA esperado a noite inteira pelo telefonema de Kevin. Quando o telefone finalmente tocou, ela estava deitada no sof da sala, mudando os canais da 
tev aleatoriamente e no pensando em nada... exceto nele.
        Ela atendeu com um casual "Ol", e ele respondeu com "Oi".
        Agora o qu? Algo geral seria melhor.
        - Voc fez um bom vo?
        - Estava lotado, graas ao feriado. 
        Leah nem mesmo considerara aquilo.
        - Esqueci completamente que este  o fim de semana de 4 de Julho.
        - Isso me lembra algo - disse ele. - Espero que voc no esteja de planto este fim de semana, porque falei com minha me e ofereci nossa casa para a celebrao 
no domingo.
        Nossa casa. Leah ainda no via  Casa como sua.
        - No, eu no estou de planto. O que preciso preparar para essa pequena reunio?
        -Absolutamente nada. Eu irei fazer hambrgueres na grelha, e o restante da famlia vai levar alguma coisa para colaborar. Eles vm fazendo isso h tanto 
tempo que nunca nem consideram mudar a rotina.
        Talvez eles sim, mas no Kevin. Pelo que ele lhe contara sobre o passado, vinha evitando a maioria das reunies familiares nos ltimos anos.
        - Parece que este vai ser um grande momento.
        - E voc finalmente poder conhecer meus pais. Adorvel.
        - Espero que eles no se importem com isso.
        - Eles no se importaro. Apenas se lembre do que eu lhe falei sobre meu pai. Prepare-se para muitos ditados irlandeses que no fazem o menor sentido.
        Ela riu.
        - Eu me lembrarei.
        - Como vai a minha outra garota? - perguntou ele. O jeito que ele falou outra garota fez Leah refletir.
        - Ela estava um pouco agitada, mas no momento est dormindo como um beb. Provavelmente, porque  um beb. - Que brilhante, Leah. - Carly sente sua falta.
        - E eu sinto falta dela. Sinto sua falta tambm.
        Ela no sabia bem como responder, ento escolheu mudar de assunto.
        - Como foi sua reunio?
        - Bem. tima, na verdade. Eles querem que eu me mude para Atlanta e assuma o cargo de diretor-executivo no departamento de criao. Isso significa um bnus 
e um aumento de salrio. Mas tambm significa mais horas de trabalho e algumas viagens.
        Leah censurou-se silenciosamente por se importar se ele viajaria ou no. No grande esquema das coisas, isso no importava. Ela tinha a sua carreira, e Kevin, 
a dele.
        - Voc vai aceitar?
        - Estou inclinado nessa direo. A casa ficar solitria quando voc e Carly se mudarem. Vou precisar de alguma coisa para ocupar meu tempo. Alm disso, 
Atlanta fica a apenas seis horas da rea Jackson. Eu poderia fazer essa viagem de carro em um dia para ver Carly.
        - Quando voc no estiver viajando - adicionou Leah, uma tenso inconfundvel no tom de voz.
        - No est nada decidido ainda. Eu disse a eles que darei uma resposta at setembro. Enquanto isso, continuo trabalhando de casa.
        Outro tpico precisava ser coberto, e agora parecia um bom momento para Leah introduzi-lo.
        - Sobre est manh, Kevin.
        - Eu sei. Eu meio que perdi o controle de minha boca. Sinto muito.
        - No, voc no sente.
        - Certo, eu no sinto. Mas no fui o nico a fazer insinuaes. 
        Leah no poderia discordar daquilo.
        - Voc est certo. E aproveitando que estamos sendo abertos um com o outro, eu tenho uma confisso a fazer.
        - Sobre?
        Ela respirou profundamente e exalou devagar.
        - Eu inventei a extenso de meu relacionamento com J. W, Na verdade, ele  apenas um amigo.
        Houve um momento de silncio antes que ele perguntasse:
        - Ento vocs dois nunca foram um casal?
        - Um casal de amigos de infncia, nada mais. Como esperado, ele estava l para me apoiar quando Carly nasceu, porm, mais como um tio substituto.
        - Depois de sua reao quando eu lhe contei sobre a namorada dele, pensei...
        - Que eu estava triste sobre o fim de nosso suposto relacionamento. Meu choro foi resultado do estresse acumulado, no da namorada de J.W.
        - Eu estou confuso, Leah. Por que voc mentiu sobre isso?
        - Achei que se voc pensasse que eu estava envolvida com outro homem ento o que est acontecendo entre ns no aconteceria. E funcionou por algum tempo, 
at que J. W. estragasse tudo, deixando aquele recado.
        - Para sua informao, voc no precisa se proteger de mim. Como afirmei, no farei nada que voc no queira.
        E este era o problema. Ela queria que ele fizesse tudo que gostaria... exceto partir seu corao novamente.
        - Voc est zangado?
        - No, eu no estou zangado. De modo algum, entendo sua autoproteo. Sou um mestre em construir barreiras.
        Ela estivera do lado de fora daquelas barreiras, fazendo o possvel para derrub-las, sem sucesso. Pelo menos at recentemente.
        - Voc parece muito mais aberto do que costumava ser, Kevin.
        - Estou trabalhando nisso, Leah. Mas ainda tenho alguns assuntos com os quais preciso lidar.
        Querer continuar solteiro talvez fosse um dos assuntos.
        - Pode ser mais objetivo?
        -Vamos apenas dizer que muita coisa aconteceu enquanto ns estvamos separados. Tais eventos me levaram a buscar maior autoconhecimento. Conversaremos sobre 
isso quando tivermos mais tempo. Levar algumas horas para eu explicar.
        A atitude instigou a curiosidade de Leah. Todavia, se ela o pressionasse por mais informaes antes que ele estivesse pronto, aquilo poderia faz-lo se fechar 
ainda mais,
        - Enquanto isso, o que fazemos sobre o que existe entre ns?
        - O que voc quer fazer sobre isso?
        Leah detestava quando algum respondia uma pergunta com outra pergunta, especialmente quando a resposta era arriscada.
        - Bem, somos, ambos adultos maduros. Contanto que saibamos nossa posio antes de estabelecermos uma conexo fsica, que nos dar prazer at o momento de 
minha partida, ento no vejo motivo lgico para que no possamos deixar a natureza seguir seu curso.
        Ele deu uma gargalhada.
        - Sinto como se tivesse acabado de ter uma sesso com uma conselheira em relacionamentos.
        Ela sempre tendia a ser analtica quando se tratava de conflito.
        - Em termos leigos, no acho que seremos capazes de impedir o que est acontecendo, a menos que um de ns consinta ser trancado num closet pelas prximas 
semanas.
        - Ambos temos livre arbtrio, Leah. O ponto  que nenhum de ns quer parar.
        Pura verdade.
        - Ento concordamos que iremos parar de lutar contra isso?
        - Com uma condio. Eu gostaria de saber se vai me perdoar um dia pela maneira como terminei com voc.
        - Eu perdoei voc, Kevin. Mas  algo que jamais vou esquecer. Por isso preciso ser cautelosa. - Exatamente por que tinha de tratar o ato de amor com Kevin 
de forma casual. Talvez aquilo se provasse ser extremamente difcil, se no impossvel.
        - Bastante satisfatrio - disse Kevin. - Ento deixaremos a natureza seguir seu curso.
        Leah consultou o relgio, e aps perceber a hora da noite, decidiu que devia terminar aquela conversa.
        - Agora que estamos combinados sobre nossos problemas qumicos,  hora de dormir.
        - Parece uma boa idia, querida, mas uma vez que eu estou aqui e voc a, a cama no  to atraente.     .
        Pouco a pouco o Kevin que ela conhecera antes tinha subido  superfcie. O Kevin que sussurrava palavras sexies e doces, que podia lev-la ao prazer extremo 
somente com o som de sua voz.
        - Acredite, eu preciso muito dormir. Mas realmente apreciei nossa conversa, a qual me lembrou das conversas que costumvamos ter quando voc saa da cidade 
para uma entrevista.
        - Sem chance, a menos que eu diga alguma coisa assim. - Kevin abaixou o tom de voz e sussurrou palavras estimulantes e sensuais que sugeriam o que ele faria 
se eles estivessem juntos naquele momento.
        Leah ps a mo sobre seu corao disparado.
        - Ora, Kevin O'Brien, eu estou chocada.
        - Est mesmo? Voc costumava gostar disso, e se me recordo corretamente, no pronunciou um termo anatomicamente preciso.
        Felizmente, ele no podia v-la enrubescendo. - Isso foi antes de eu ser me de uma garotinha.
        - No tem problema ser safada, Leah. Ser me no deve causar impacto em sua sensualidade natural. Alm disso, como acha que crianas ganham irmos?
        O sorriso na voz dele a fez dar seu prprio sorriso.
        - Certamente voc no est sugerindo que ns faamos um irmo ou uma irm para Carly.
        Um silncio ensurdecedor se seguiu, levando Leah a acreditar que o medo dele de se acomodar ainda existia, apesar do amor que sentia por Carly.
        - Eu estou brincando, Kevin.
        - Eu sei que est. Agora v para a cama e lembre-se do que lhe falei minutos atrs.
        - Oh, sim. Eu irei para a cama com o corpo em chamas sem ningum para me esfriar.
        - Eu gostaria que pudesse estar a para ajud-la, querida. Mas se voc quiser continuar conversando ao telefone para que eu lhe cause algum alvio, posso 
fazer isso.                                                - No, Kevin. Eu s quero que voc volte correndo para casa e para mim.
        
        
        
                           CAPTULO NOVE
     
        
        
        No SBADO  noite, Kevin voltou para casa depois das 23h e encontrou a sala deserta e a casa completamente quieta. Ele ficou mais do que um pouco decepcionado 
que Leah no estivesse acordada para sua chegada, mesmo que houvesse ligado mais cedo e lhe dito para no esper-lo acordada. Provavelmente fosse melhor assim. Ele 
tinha um importante telefonema em particular a fazer, e se acontecesse de ela cumpriment-lo com um beijo, falar ao telefone seria a ltima coisa na sua mente.  
Depois de entrar no escritrio, Kevin fechou  porta, preocupado com a chance de Leah aparecer. Ele poderia esperar at a manh seguinte, mas, com o hbito de seu 
irmo mais velho de ficar acordado at depois da meia-noite, mesmo no estando em seu planto mdico noturno, as probabilidades eram de que Devin ainda estivesse 
de p.
        Quando o irmo respondeu com seu costumeiro "Dr. O'Brien", Kevin no hesitou em ir direto ao assunto:
        - Ol, Dev, por acaso voc tem alguma novidade do laboratrio?
        - No, e eu no esperava ter nenhuma. Voc deixou a amostra s 14h de sexta-feira, antes do feriado. Ter muita sorte se tiver os resultados na segunda-feira.
        Kevin afrouxou a gravata e livrou-se do palet.
        - H alguma maneira de voc apressar isso?
        - Ligarei para o laboratrio logo cedo na segunda-feira, ento telefonarei para voc se souber de algo.
        - Obrigado. Estou um pouco ansioso sobre isso. - Ansioso e temendo a notcia ao mesmo tempo. Mas ele precisava lidar com o assunto antes de pr todas as 
cartas sobre a mesa quando finalmente contasse a verdade a Leah.
        - Entendo sua ansiedade - disse Devin. - Mas mesmo se o exame revelar que voc est estril, h esperana. Eles desenvolveram alguns tratamentos para ausncia 
de espermatozides ps-quimioterapia que podem resultar em concepo.
        - Mas no h garantia.
        - Claro que no. Mas temos de ser positivos.
        Isso poderia no ser o suficiente para que Leah considerasse um futuro permanente ao seu lado. E Kevin a queria no seu futuro. Ele chegara a essa concluso 
nas ltimas duas noites, quando no fizera nada alm de pensar nela. Tentando imaginar em como faria as revelaes sobre sua doena e em como ela reagiria. E dependeria 
se Leah aceitaria o motivo dele no lhe ter contado logo aps a doena, e a possibilidade de que Carly pudesse ser a nica filha biolgica que eles teriam juntos.
        Agora, ele precisava dizer boa-noite a ela e ao beb.
        - Obrigado novamente, Dev. Imagino que o verei aqui amanh.
        - Infelizmente, estou de planto. E estou esperando que a sala de emergncia fique lotada de pessoas que costumam comemorar um pouco demais. Pergunte a Leah 
sobre isso. Estou certo que ela pode contar-lhe algumas histrias sobre suas experincias em prontos-socorros. E falando em Leah, use um preservativo, apenas para 
prevenir.
        Ele poderia argumentar que eles no estavam dormindo juntos, mas no viu razo alguma para isso. No quando estavam to perto de dar aquele passo.
        - Obrigado pela informao, e falarei com voc na segunda-feira ento. Depois que Kevin desligou, deixou o escritrio, e no caminho para seu quarto parou 
no quarto da filha primeiro. Abriu a porta e viu o cmodo banhado de luz fraca de uma lmpada no corredor, revelando me e filha dormindo no sof-cama, uma de frente 
para a outra, suas testas quase se tocando.
        Mesmo que uma ducha e um sono chamassem por ele, Kevin parecia no poder afastar-se da viso. Encostou um ombro contra a porta, percebendo que momentos como 
aquele poderiam ser muito raros. Ou talvez nunca voltassem a acontecer se Leah sasse de sua vida, levando Carly com ela. Mas enquanto continuava observando suas 
duas garotas jurou fazer tudo que estivesse a seu alcance para evitar que aquilo acontecesse, a menos que o destino fosse outro.
        
        LEAH TINHA gostado muito da comida, da companhia e do simples comprometimento de no fazer nada, exceto tomar banho de sol.
        Todavia, observar Kevin e o beb deles brincando na piscina tinha iluminado o seu dia. Carly usava um chapu cor-de-rosa que combinava com seu biquni novinho 
em folha, expondo uma barriguinha que crescera nas ltimas semanas. Kevin usava sunga azul-marinho que lhe dava uma fabulosa viso de suas pernas igualmente fabulosas. 
Aquelas pernas e o peito nu largo proporcionavam prazer suficiente para durar quase uma vida toda. Quase.
        Ela estava atnita como Kevin tinha sido paciente com Carly hoje, mesmo depois de chegar tarde de viagem. To tarde, dissera-lhe ele, que no quisera incomodar, 
acordando-a. Leah sinceramente desejou que ele a tivesse acordado.
        Enquanto Leah continuava observando, Kevin conseguiu ensinar Carly como bater na gua, para faz-la espirrar, com seus frgeis punhos depois de algumas tentativas. 
E pelo sorriso orgulhoso no rosto bonito dele, parecia como se sua filha tivesse realizado algo monumental. Ela podia somente imaginar como ele reagiria quando Carly 
desse seus primeiros passos, quando falasse suas primeiras palavras, quando dirigisse uma bicicleta sem a ajuda das rodinhas. Pensar que ele poderia no estar por 
perto para testemunhar aqueles momentos memorveis lhe causava uma melancolia to grande que Leah no podia ignorar. Num mundo perfeito, eles seriam a famlia perfeita. 
Experincia de vida a ensinara que perfeio no era algo alcanvel, o que somente aumentava seu sentimento de tristeza.
        - Ele parece to natural com Carly. - Ela deu um leve sorriso para Mallory, sentada numa espreguiadeira ao seu lado. Ela est tornando-se definitivamente 
a filhinha querida do papai. Ele viajou por dois dias e ela praticamente gritou quando o viu esta manh.
        Leah quisera dar um pequeno grito tambm, mas contivera sua reao, a fim de no parecer muito excitada em v-lo, mesmo que estivesse.
        - Vai ser difcil para pai e filha quando voc voltar para sua casa - disse Mallory.
        Aquela realidade comeara a incomodar Leah tambm.
        - Ele poder v-la sempre que estiver disponvel.
        - Mas no  a mesma coisa, ?
        No, no era. No entanto, Leah no via qualquer outra possibilidade. No, a menos que algo mudasse drasticamente o relacionamento deles nas prximas poucas 
semanas.
        Num esforo para no estragar a tarde completamente, ela inspecionou o quintal e fez um rpido clculo de cabea.                    
        As meninas gmeas de Whit e Mallory, Maddie e Lucy, tinham ido para dentro da casa com os avs. Logan e Jenna no tinham comparecido, por que Jenna estava 
para dar  luz a qualquer momento. A ausncia de Dev devia-se ao fato de ele estar de planto o dia todo no ambulatrio. Isso deixava Corri e Aidan, que estavam 
relaxando em uma toalha debaixo de uma rvore, com a filha Emma adormecida ao lado deles.
        Ela logo percebeu que um casal estava ausente.
        - Para onde foram Kieran e Erica?
        Mallory tomou um gole de ch gelado antes de colocar o copo no brao da espreguiadeira.
        - Quando eles no podiam mais manter as mos longe um do outro, meu querido marido disse-lhes para acharem um quarto. E uma vez que Stormy vai passar a noite 
aqui, estou presumindo que eles tenham ido embora, para fazerem exatamente isso.
        No era m idia, pensou Leah antes que afastasse aqueles pensamentos.
        - Eles realmente parecem estar loucos um pelo outro.
        - Esto - disse Mallory. Depois de uma breve hesitao, perguntou: - Existe alguma chance de voc e Kevin se tornarem mais do que apenas amigos novamente?
        Ela estava surpresa que no ouvira aquela pergunta antes.
        - Estamos em caminhos diferentes agora, Mallory. Eu tenho minha profisso e Kevin, a dele. Ambos seguimos com nossas vidas.
        - No Kevin. Pelo que me consta, ele nunca mais teve ningum na sua vida desde que vocs romperam.
        Leah suspeitou que Mallory no sabia tudo sobre as atividades extracurriculares de Kevin. Nem ela sabia, e, francamente, no queria saber.
        - Acho difcil acreditar que Kevin no voltou a namorar.
        - Tenho quase certeza que  verdade. De modo geral, ele se tornou um homem caseiro.
        Leah avaliou aquilo por um momento antes que Dermot O'Brien sasse da casa e ocupasse a cadeira vazia ao lado de Mallory.
        - Voc no vai se juntar ao seu namorado e ao beb na gua, Leah?
        Obviamente, o pai de Kevin estava fazendo uma suposio errnea sobre o relacionamento do filho com ela. Todavia, ela sentiu que seria rude ser direta.
        - Estou apenas apreciando ter um dia longe do trabalho. Entre o trabalho, a clnica e o trmino de minha ltima pesquisa, no tive muito tempo livre desde 
que me mudei... - No seria ela, certamente, quem contaria aos pais de Kevin sobre os arranjos de moradia. - Suponho que j faz algumas semanas.
        Whit chegou por trs de Mallory, inclinou-se e beijou-lhe a face.
        - Quer dizer que Kevin no lhe d um descanso desde que voc se mudou para c, Leah?                    
        Mallory beliscou-lhe forte na coxa, fazendo-o piscar e perguntar:
        - O que foi que eu disse?
         Dermot riu.
        - No se preocupe, filha, Kieran me contou h pouco que Kevin e a moa esto vivendo juntos. Mesmo se eu no fosse esperto, estaria pensando a quem pertenciam 
maquiagem e xampu feminino no outro banheiro. E tambm estou pensando que esses itens foram colocados l para disfarar. Por acaso voc e meu rapaz esto tentando 
me enganar? Ou estariam compartilhando o mesmo colcho?
        Mallory disse:
        -J chega, papai - enquanto Leah se encolhia internamente. Por Deus, ela deveria ter sido um pouco mais discreta com seus pertences pessoais.
        - Estarei aqui somente at agosto - acrescentou ela prontamente para amenizar a atmosfera. - Eu quis que Kevin tivesse a oportunidade de conhecer Carly antes 
que eu voltasse para casa. Esta   razo pela qual concordei em me mudar. E respondendo sua pergunta, ele tem seu quarto e eu tenho o meu.
        Lucy O'Brien apareceu naquele momento, saindo das portas francesas com uma travessa de torta de amora nas mos. Ela colocou a sobremesa na mesa e olhou, 
primeiro, para Mallory.
        - As meninas esto no quarto dos fundos, tirando uma soneca. - Ento, dirigiu-se a Leah e perguntou: -Aquela  a esponja vegetal de Kevin no banheiro, querida, 
ou voc e meu filho esto vivendo juntos?
        Os cosmticos de Leah tinham servido para cavar um buraco maior do que o Grand Canyon. Naquele momento, ela desejou que tivesse um buraco para entrar.
        - No  o que pensa, sra. O'Brien. Somos amigos, nada mais.
        - Vocs so os pais da menina. - Lucy sentou-se em frente ao marido e sacudiu a cabea. - Tenho tido maus momentos imaginando os jovens dos dias atuais. 
Vocs parecem tratar coabitao como um esporte. Primeiro, Devin e Stacy morando juntos enquanto estavam na faculdade. Kieran e Erica no esto morando sob o mesmo 
teto, mas poderiam estar, e sei que Aidan e Corri comearam a viver juntos antes do casamento, e assim fizeram Logan e Jenna, mesmo que fingissem o contrrio. Mas 
a pior cena...
        - Ela atirou um rpido olhar para Mallory, depois para Whit. - Todo esse tempo vocs dois fingindo serem colegas de quarto, enquanto secretamente fizeram 
um beb.
        - Fizemos dois bebs - acrescentou Whit com um sorriso. 
        Lucy suspirou.
        - O mundo est mudando muito depressa para mim.
        - Meu amor - comeou Dermot -, para o que no pode ser curado, pacincia  o melhor tratamento.
        - E no corte sua garganta com a lngua, meu velho - retrucou Lucy.
        - Voc ainda tem de dormir comigo. 
        Dermot piscou.
        - O que  um grande prazer. 
        Mallory revirou os olhos.
        - Tudo bem, no entremos no terreno de muita informao. E deixemos Leah em paz. Como ela e Kevin escolheram viver a vida deles no  de nossa conta. - Ela 
ps dois dedos na boca e deu um assobio alto. - Traga minha sobrinha para mim, Kevin.
        Whit colocou as mos nos ombros de Mallory e franziu a testa.
        - Ela tem febre por bebs, o que significa que vou ser nada mais do que um garanho para Mallory, at que faamos outro beb.
        Quando Mallory esticou a mo para belisc-lo outra vez, Whit pegou-lhe o pulso.
        - No desta vez, madame.
        Leah gostou da brincadeira bem humorada entre os membros da famlia, mas tambm experimentou um pouco de saudades de casa. Com seus pais aposentados e viajando 
no vero, ela raramente falava com eles nos ltimos tempos.
        Todavia, quando Kevin saiu da piscina carregando Carly, Leah no se sentiu to solitria. Naquele momento, ele servia como uma parte de sua famlia imediata, 
mesmo que temporariamente.
        Depois de envolver o beb numa toalha, Kevin entregou-a a Mallory.
        - Ela vai ser uma nadadora olmpica se tenho algo a dizer sobre isso.
        - Pensei que voc quisesse uma jogadora de softball - disse Leah.
        - No h razo para que ela no possa ser as duas coisas.
        Leah se sentiu praticamente derretendo por dentro pelo sorriso que Kevin lhe deu, e uma vez que no podia deixar de manter os olhos no torso nu espetacular, 
achou que era melhor fazer uma fuga rpida, ou arriscaria entregar-se.              
        Depois de beijar a face de Carly, ela se levantou da espreguiadeira.
        - Vou pegar algo para beber.
        - Eu tambm estou com sede - disse Kevin - Entrarei logo.
        Sem mesmo perguntar se algum mais queria algo, Leah apressou-se a entrar na casa, grata pelo ar frio refrescando seu corpo um tanto quente. Tentou convencer-se 
que sua temperatura elevada era devido ao sol de julho, mesmo que aquele sol estivesse comeando a se pr.      
        Gostasse ou no, Kevin fora culpado pela maior parte de sua condio fsica, de algum modo, superaquecida, o que a incomodava h dias.
        No muito depois que ela enchera seu copo com gelo, notou pela sombra sobre o balco que Kevin entrara na cozinha.
        - Quando voc vai tirar esse disfarce sobre seu corpo, Leah?
        Ela olhou para a camiseta tamanho gigante que batia no meio de suas coxas.                                                             
        - Quando eu estiver certa de que todos foram embora.
        - Por qu? Posso dar um atestado de que seu corpo  magnfico.
        - Voc no me viu nua, Kevin.
        - Com que rapidez voc esquece.                                       
        - Recentemente.                                        
        - Eu cheguei muito perto disso algumas vezes. - Ele parou atrs dela e beijou-lhe o pescoo. - Voc est cheirando a loo bronzeadora.
        Ela despejou ch no seu copo, felizmente sem derramar.
        - E voc cheira a cloro. Passou tanto tempo na gua que estou surpresa que no tenha se transformado numa ameixa murcha.
        Ele agarrou-lhe a cintura e a fez girar para encar-lo.
        - Asseguro-lhe que nada no meu corpo est murcho.
        Leah deu um passo para o lado, afastando-se dele, e moveu-se para o outro lado da cozinha.
        - Precisamos ter cuidado. Sua me e seu pai descobriram que estou morando aqui. Eu no ficaria surpresa se estiverem desenvolvendo algumas teorias a mais 
sobre nosso relacionamento. Mais precisamente, sobre nossos arranjos noturnos.
        Ele deu de ombros.
        - Deixe-os especular. O que fazemos na intimidade de nosso lar  problema nosso. Falando nisso... - Ele pegou uma Coca-Cola do refrigerador e abriu-a. - 
Mallory quer levar Carly para passar a noite. Eu disse que perguntaria a voc, mas acho que no seria um problema. Ela acha que deveramos ir jantar ou ao cinema. 
Algo que nos faa sair de casa. Pessoalmente, posso pensar numa poro de coisas boas para fazer sem sair de casa.
        Leah tambm. Todavia.....
        - No sei, Kevin. Uma noite inteira sem ela? Isso seria a primeira vez que aconteceria desde que eu a trouxe do hospital para casa.
        Kevin moveu-se to rapidamente que Leah no sabia o que a tinha atingido at que sentiu um beijo suave nos lbios. Uma vez separados, ele disse:         
        - Carly sobreviver a uma noite sem ns, e voc tambm. Alm do mais, eu a manterei ocupada.
        O pensamento de ficar completamente sozinha com Kevin arrepiou-lhe a pele dos braos, camuflando o calor que comeara a se alojar em outras partes no visveis 
de seu corpo.
        - Ns poderamos ir apanh-la s 22h - disse ela.
        - Meia-noite.
        - Onze. Kevin passou ambas as mos pelos cabelos midos e olhou para o teto
        por um momento.
        - Se isso  necessrio para que voc nos d algum tempo sozinhos, ento est combinado. Mas no vamos peg-la nem um minuto mais cedo.
        Leah ps uma boa quantidade de acar no ch, e ao mexer derramou um pouco do lquido sobre o balco. Ento pegou um pano e limpou-o com movimentos nervosos.
        - Quando todo mundo vai embora?
        - Em breve, espero.
        Por mais que Leah amasse seu beb, sentiu o mesmo.
        Quanto antes todos partissem, mais cedo ela poderia relaxar e no precisar ter cuidado com todas as palavras que dissesse sobre a famlia dele. E quanto 
mais cedo ficasse sozinha com Kevin, melhor seria.
        Aquele momento com ponto sem retorno estava quase a consumindo. O momento que daria o proverbial mergulho e finalmente teria o que vinha fantasiando por 
dias.
        TO LOGO o ltimo membro da famlia partiu, Kevin voltou-se da porta para ver que Leah tinha desaparecido. Temeu que ela estivesse arrependida de mandar 
Carly com os tios. Temeu ainda mais, que ela tivesse se arrependido de ficar sozinha com ele...
        Depois de uma procura pela casa, ele voltou para o deck para encontrar Leah dando braadas na piscina.
        Kevin sentou-se numa cadeira e a observou por vrios minutos, at que finalmente ela subiu  procura de ar e comeou a nadar na direo dele.
        A luz automtica da piscina se acendera, banhando-a na gua azul, fazendo seus olhos cor de avel parecerem quase translcidos. Ela moveu-se atravs da gua 
como uma deusa do mar e parou nos degraus, parecendo como a fantasia favorita dele. Embora no sasse completamente da piscina, Leah finalmente lhe deu uma grande 
viso de seu corpo num biquni preto: Um biquni que no seria considerado audacioso em nenhuma circunstncia. A parte inferior ficava abaixo do umbigo e no era 
muito cavado nas pernas, o top tinha tiras finas e era suficiente decorado para revelar o vale entre os seios. Apesar de discreto, o biquni tinha o impacto de um 
lana-foguete, e ele, definitivamente, decolara.                                                      
        Ela descansou a mo na grade da escadinha da piscina e enfiou a outra na gua.
        - Voc no vai se juntar a mim?
        Kevin mudou de posio na cadeira e esfregou a palma da mo na barriga, chamando a ateno dela.
        - No sei. Estive nadando a maior parte do dia. Talvez devssemos conversar sobre isso primeiro.
        Sem aviso prvio, ele se colocou por trs de Leah, livrou-a do suti do biquni e atirou-o sobre o deck.                               
        - Voc ainda quer conversar? 
        Oh! Deus, no!
        - Esta  sua verso de acenar a bandeira branca da rendio?
        - Ela  preta e eu me rendi no minuto que voc veio para a piscina. Kevin no podia exatamente explicar sua hesitao, alm do fato de que queria ter certeza 
que ela sabia no que estava se envolvendo.
        - Se eu entrar a com voc, no vou querer parar em apenas uma nadada.
        - Eu no vou parar voc, tambm.
        Pondo de lado todas as suas reservas, Kevin teve a presena de esprito de tirar suas sandlias de dedo, mas nem mesmo se importou em tirar sua camiseta 
e sunga... por enquanto. Quando endireitou o corpo e comeou a entrar na piscina, Leah nadou para longe, antes que ele desse o primeiro passo dentro da gua.
        Sem problemas. Ele trabalhara veres no colgio como salva-vidas. Mesmo se no fosse o caso, possua bastante energia sexual no momento para atirar-se na 
gua como uma hlice humana. Depois de somente algumas braadas, tinha Leah nos braos, e cobria-lhe a boca num beijo que provavelmente seria considerado ousado 
em qualquer circunstncia.    
        Eles se movimentaram na gua por algum tempo at que Kevin moveu-se para o lado raso da piscina, permitindo que seus ps tocassem o fundo. Leah interrompeu 
o beijo primeiro e cerrou o cenho.
        - Estou me sentindo um pouco autoconsciente, uma vez que estou quase nua e voc inteiramente vestido,
        Quando ela agarrou a bainha da camiseta dele, Kevin ergueu os braos e deixou-a tir-la pela cabea.
        - Satisfeita? - 
        perguntou ele enquanto a observava arremessar a pea para o deck.
        - Sim, mas o que eu sinto por baixo de seu brao?
        Droga! A cicatriz do tubo que eles tinham usado para administrar a quimioterapia.
        - No sei o que voc quer dizer.
        - Levante o brao e eu lhe mostrarei sobre o que estou falando. Ele podia satisfaz-la ou ignor-la.
        -  provavelmente apenas o remanescente de algum ferimento de futebol.
        - Eu conheo bem cada centmetro de seu corpo, Kevin, e no me lembro de qualquer cicatriz debaixo de seu brao.
        - Pare de bancar a doutora, Leah. No  nada. Eu afirmo. - Ele beijou-a novamente. - Agora, onde estvamos?
        -Acredito que estvamos despindo voc.
        Quando ela agarrou o elstico de sua sunga, Kevin trouxe-lhe as mos at seu peito.
        -No apresse as coisas - disse ele. - Estou to excitado no momento que isso vai terminar antes que comece, se no tivermos cuidado. 
         Ela sorriu.
        - Agora voc sabe como eu me senti no deck naquela noite.
        - Eu gostaria de saber como voc se sente agora. - Ele pressionou as palmas da mo contra o traseiro dela, curvou a cabea e com a ponta da lngua seguiu 
o caminho de gotas de gua deslizando do pescoo elegante para o peito de Leah.
        Quando ele fechou a boca sobre um dos seios, ela arqueou as costas e enterrou as unhas nos ombros largos. Kevin a vira daquele jeito antes, tremendo, vida, 
perdendo a ltima partcula de controle. E sabia precisamente como lidar com aquela situao.
        Kevin enganchou as pernas de Leah em volta de sua cintura, depois a carregou pelos degraus para a toalha que Aidan havia estendido no cho sob o carvalho, 
mais cedo naquele dia. Ele a colocou de p e, sem dizer uma palavra, deslizou a parte de baixo do biquni pelos quadris femininos. Quando o pano minsculo caiu no 
co, ela livrou os ps e chutou-o para o lado.
        Ele deu um passo para trs e visualmente viajou pelo corpo dela, absorvendo a viso do territrio familiar que j explorara antes. Mas aquilo no tornava 
a perspectiva de repetir a experincia menos excitante.
        - Voc  to bonita quanto eu me lembro. 
        Ela baixou os olhos.
                - Estou alguns quilos mais pesada e tenho algumas estrias e... 
        Ele parou a auto depreciao no caracterstica de Leah com um leve beijo.
        - Eu disse que voc  bonita. Fim da discusso. Alm do mais, no est a fim de conversar, lembra-se?
        Ela ofegou.
        - Voc est certo.
        - E por acaso sei exatamente do que voc est a fim.
        Antes que Kevin pudesse deit-la na toalha para demonstrar o quo bem a conhecia, ela disse:
        - No podemos fazer isso, Kevin. Que momento para ela reconsiderar.
        - Como voc quiser, Leah. No vou forar nada.
        - Eu quis dizer que no podemos fazer isso aqui, a menos que voc tenha um preservativo.
        Leah havia inadvertidamente suprido a perfeita abertura. Ele podia dizer-lhe que talvez eles no precisassem de um preservativo, e explicar por qu. Ou podia 
apenas deixar as coisas daquele jeito por enquanto, e isso era o que planejava fazer. Talvez escolhesse no contar a verdade, porque o resultado do exame ainda no 
era conhecido. Talvez aquela fosse a ao de um homem muito egosta. Talvez ele apenas no pudesse confessar, no quando tinha a chance de lhe mostrar o quanto ainda 
gostava dela da melhor maneira que sabia fazer.
        Alm do mais, Kevin era, e sempre fora, muito melhor com aes do que com palavras, pelo menos no que dizia respeito a relacionamentos pessoais. Estranho, 
considerando que ganhava dinheiro com palavras. Mas aquelas vinham facilmente. Outras, no.
        - Kevin? - perguntou ela quando ele no respondeu. - Voc est bem?
        Ele ficaria, to logo fizesse amor com ela.
        - Sim. Eu volto num instante.
           
        
        
                            CAPTULO DEZ
        
        
        
        DESDE MUITO cedo no percurso do relacionamento deles Leah havia aprendido uma coisa importante sobre Kevin O'Brien: ele sabia o que as mulheres gostavam. 
Inmeras vezes ele a levara ao reino do prazer enlouquecedor com sua habilidade como amante. Mas, acima de tudo, ele tinha uma tendncia a faz-la esquecer a razo. 
Aparentemente, aquilo no havia mudado.
        Enquanto ela estendia-se sobre a toalha para esperar a especial ateno de Kevin, ele ficou de p  distncia, olhando-a com intensidade, at que Leah no 
mais pudesse suportar o suspense.
        -Voc de repente ficou tmido comigo, Kevin, ou quer que eu implore?
        - Quando eu me juntar a voc nessa toalha, no haver retorno.
        Ela somente queria ir em frente sem nenhum pensamento do passado, ou sobre o que poderia ter sido. Pensar nisso seria doloroso demais.
        - Eu quero estar com voc, Kevin. No sei o que mais posso fazer para convenc-lo.
        - Estou convencido. - Ele jogou o preservativo no cho ao lado dela e finalmente deslizou a sunga quadris abaixo, aliviando quaisquer dvidas de que tambm 
a queria. Pelo menos fisicamente.
        Quando Kevin moveu-se sobre a toalha estendida, a tomou nos braos e segurou-a por um momento. Havia uma ternura surpreendente no beijo dele no comeo, mas 
como fora entre eles antes, a paixo e a qumica logo prevaleceram.
        Os lbios sensuais desceram pelo seu corpo, e Leah pensou brevemente no perigo em permitir tal intimidade. Pensou no quo facilmente poderia entregar-se 
a ele novamente. Mas logo afastou tal preocupao, fechou os olhos e cedeu s sensaes. Uma brisa quente soprou sobre ela, mas no diminuiu o calor. Somente Kevin 
podia aliviar o desejo, e ele fez isso, usando a boca com tanta persuaso que ela agarrou a toalha.
        No princpio, ele mostrou certa conteno, levando-a para a beira do orgasmo, antes de erguer a cabea. Ela sabia exatamente o que ele estava fazendo... 
retirando-se at que ela no pudesse mais suportar. E quando ela alcanasse aquele ponto, ele a tomaria completamente.
        Leah no pde evitar a elevao involuntria dos quadris, ou a vontade de gritar, ou o clmax que chegou pleno e muito rapidamente. Todavia, aquilo no era 
suficiente.
        Como se sentisse aquilo, Kevin sentou-se e rasgou o envelope do preservativo com mos que pareciam estar tremendo. Leah tambm estava tremendo. Enquanto 
deslizava para dentro do centro feminino, ele ofegou longamente e prendeu-lhe o olhar.
        - Fique imvel por um minuto - disse ele. - Eu quero me lembrar disso.
        Ela no sabia se Kevin pretendera dizer que queria se recordar de todas as vezes antes, ou se j estava se preparando para dizer adeus novamente. Mas no 
teve tempo para ponderar sobre o assunto quando ele comeou a mover-se, vagarosamente no incio, at que acelerou o ritmo. Leah foi absorvida pela flexo dos msculos 
poderosos por baixo de suas mos, no poder absoluto que ele exercia sobre ela. Kevin sempre fora alguma espcie de camaleo durante o ato do amor... algumas vezes, 
brincalho, outras, tentadoramente sedutor... todavia, jamais to intenso como agora. Especialmente os olhos que mantinha fixos nos seus.
        Leah sentiu desespero no modo como ele a beijou, na maneira como a abraou, como se no pudesse chegar perto o suficiente. O modo que lhe falou num sussurro 
rouco, descrevendo como era a sensao de t-la cercando-o. Como ela o estava enlouquecendo. Kevin moveu os quadris contra ela e tocou-a de um jeito que demonstrava 
que estava determinado em no encontrar sua prpria satisfao at que ela encontrasse a sua novamente.
        Ela queria que ele alongasse o tormento prazeroso. Que nunca parasse.
        - Kevin, eu no sei se posso agentar isso.
        - Voc pode, querida. Vai agentar.
        E Leah atingiu o clmax novamente, com muito mais intensidade do que jamais pensara ser possvel.
        Kevin ento liberou todo, seu controle e com uma investida final gemeu, estremeceu e tombou sobre ela.
        O som da respirao de ambos ecoava no silncio da noite, enquanto Leah imaginava se o compasso de seu corao voltaria ao normal. Tambm questionou se algum 
dia seria capaz de encontrar outro homem que pudesse am-la to bem quanto Kevin. Se sempre compararia qualquer homem com ele. Se algum homem estaria  altura dele.
        Depois de um tempo, Kevin rolou de costas, levando-a consigo. Por diversos momentos, eles ficaram daquele jeito, os corpos aconchegados, a cabea dela descansando 
sobre o peito largo e as pontas dos dedos dele acariciando-lhe as costas.
        Quando o sono comeou a domin-la, Leah percebeu que a hora para enfrentar a realidade tinha chegado.        
        -Temos de ir buscar nossa filha.
        Kevin afastou uma mecha de cabelos da face dela, colocando-a atrs da orelha.
        - Mallory planeja manter Carly at amanh cedo, a menos que liguemos e dissermos que estamos a caminho. No quero dar esse telefonema.
        Ela levantou a cabea para fit-lo.
        - No sei, Kevin. Ela...
        -... ficar bem. Tenho certeza que Carly j est dormindo, e no vejo qualquer necessidade de tir-la da cama no meio da noite. E eu tambm no estou pronto 
para terminar isso. Precisamos compensar o tempo perdido.
        Aquilo fazia sentido, pelo menos quanto  parte de no perturbar o beb. Mas Leah ainda tinha algumas limitaes.
        Compensar o tempo perdido podia envolver um auto custo.
        Ele a beijou novamente. De forma sedutora e prazerosa.
        - Fique comigo, Leah. Na minha cama, a noite inteira. Voc no se arrepender.
        Ela no estava certa disso. Todavia, pssaras prximas horas na cama, fazendo amor novamente, trazendo mais lembranas, sobrepujaria suas preocupaes.
        -Tudo bem, ficarei com voc. - Pelo menos durante aquela noite.
        
        QUANDO O celular tocou, no muito depois do raiar da aurora, Kevin praguejou baixinho, enquanto Leah moveu-se para o lado oposto da cama a fim de atender. 
Mesmo que suas foras estivessem drenadas depois da recente e longa ducha que ele e Leah haviam tomado, ele no se importaria de fazer amor mais uma vez antes que 
ambos tivessem de enfrentar o dia. Aqueles planos podiam ir por gua abaixo se ela estivesse sendo convocada para trabalhar, o que Kevin desconfiava que fosse o 
caso.
        - Oi, mame.
        Nada de trabalho. Kevin olhou para Leah, que puxou o lenol at o pescoo e deu-lhe um olhar desconsolado.                                         
        Depois de uma longa pausa, Leah disse:
        -  verdade, est tudo bem. Carly est tima. Eu estou tima.
        Kevin cobriu os olhos com o brao direito e tentou no ouvir a conversa. Mas no pde evitar se perguntar exatamente o que a me dela dissera quando Leah 
respondeu com:
        - No, eu no fiz nenhuma tolice.
        Kevin calculou que aquilo provavelmente dizia respeito a ele, e esperou que Leah acreditasse nas suas prprias palavras. Depois que tivesse o dia todo para 
refletir sobre o que eles tinham feito na noite anterior... e nesta manh... talvez ela questionasse a prpria inteligncia.
        Poucos minutos depois Leah desligou o telefone e caiu de costas sobre o travesseiro.
        - Era minha me.
        - Eu j tinha calculado. - Kevin virou-se de lado para encar-la. - Um tanto cedo para ela estar ligando para voc.
        - Sim, mas ela conhece minha agenda. Tambm queria me avisar que ela e meu pai esto partindo para a Europa esta noite. E o mais importante: soube que um 
pediatra local est se aposentando dentro de dois meses. Ele est procurando algum para assumir seu consultrio.
        Kevin foi dominado por uma forte sensao de urgncia, e medo de que pudesse perd-la se no agisse rapidamente. Precisando de maior proximidade com Leah, 
bateu no espao ao seu lado.
        - Venha aqui. Voc est muito longe.
        Ela aproximou-se e se aninhou na dobra do brao dele.
        - Preciso me aprontar para trabalhar.
        - Ainda  muito cedo - disse Kevin. - E pegarei Carly na casa de Mallory e a manterei comigo o dia todo, se voc concordar.
        -  o que eu gostaria, Kevin. Voc provou que pode tomar conta dela, portanto no vejo motivo para que Carly volte para a creche enquanto eu e ela estivermos 
aqui.
        Ele gostou de ter obtido a confiana de Leah no que dizia respeito a Carly, mas no gostou da parte do "enquanto eu e ela estivermos aqui".
        - A que horas voc tem de estar no hospital?
        - No antes das 8h30. 
        Kevin olhou para o relgio. 
        -Passa um pouco das 7h,
        Ela bateu a ponta do dedo no queixo.
        -Agora, pergunto-me como podemos passar a prxima hora e pouco. Espere, tive uma idia.
        Leah passou a mo pela barriga dele, mas antes que ela alcanasse seu alvo intencional Kevin agarrou-lhe o pulso e deteve-lhe o progresso.
        - Por mais que aprecie sua idia, precisamos ter uma conversa antes.
        Ela levantou o lenol e sorriu.
        - Parece que o seu "moleque travesso" gosta mais da minha idia. Sim, aquele "moleque", definitivamente, tinha vontade prpria.
        - Eu quero conversar sobre a noite passada. Ela afastou-se e fixou  olhar no teto.
        - Voc no precisa dizer nada, Kevin. Sei o que a noite passada significou. Ambos precisvamos de diverso.
        - Diverso? - Aquilo fez com que ele sasse da cama e pegasse uma cala de pijama. Uma vez vestido, sentou-se na beira da cama, ao lado dela.
        - Foi muitssimo mais do que isso para mim, Leah. 
        Ela fechou os olhos e disse:
        - No complique o assunto, dizendo o que voc acredita que eu quero ouvir, Kevin.
        - No lhe dizer que eu no quero que voc v embora em absoluto? Ele no tinha o menor direito de pedir aquilo para Leah, mas no foi capaz de impedir que 
as palavras sassem de sua boca.
        - Voc no fala srio.
        - Sim, eu falo. - E ele falava, mesmo que o pedido fosse feito no momento errado.
        - Voc s est dizendo isso por causa de Carly. 
        Ele entendeu por que ela pensava assim.
        - Admito que no posso suportar o pensamento de voc levando-a para longe de mim, mas no quero perd-la novamente, tambm.
        Leah sentou-se e abraou os joelhos contra o peito.
        - Digamos que eu fosse louca o suficiente para considerar levar nosso relacionamento para o prximo nvel. Aonde iremos daqui? Voc est planejando mudar-se 
para Atlanta e eu estou voltando para o Mississipi. E mesmo se ns resolvssemos isso, viveramos juntos?
        Ele queria mais do que aquilo, contudo, no podia oferecer mais naquele momento. No at que soubesse com certeza o que o futuro lhe reservava.
        - Eu no tenho todas as respostas ainda, mas viver juntos  um comeo. No quero desistir de ns.
        - E o que acontece se voc se cansar de mim?
        - No vou me cansar de voc, Leah. Eu... - Droga, ele no era bom em revelar suas emoes. Nunca fora. - Eu gosto de voc.
        - Eu gosto do meu carro, tambm, Kevin. E se me recordo corretamente, no ltimo vero em Cabo voc disse que gostava de mim, e depois rompeu nosso relacionamento, 
na semana seguinte.
        -  diferente desta vez.
        - O que  diferente, Kevin, a no ser que temos uma filha juntos. 
        Ele tinha de lhe contar a verdade, ms no podia falar tudo at que obtivesse todas as informaes. Informaes que estavam nos resultados de laboratrio 
que Kevin passara a temer o tempo todo.
        Mas podia contar-lhe a nica coisa que talvez fizesse diferena, algo que nunca lhe dissera antes. Decidiu reservar aquela declarao para mais tarde, quando 
esta pudesse ser sua ltima esperana.
        - Como j declarei, tive minhas razes para fazer o que fiz no ano passado.
        - Voc est certo. J disse isso, Mas em algum momento ter de compartilhar essas razes comigo.
        - Eu sei, mas vai levar mais tempo do que temos essa manh. Quando voc chegar em casa esta noite, prometo que lhe contarei. - Nesse nterim, ele pretendia 
aproveitar a hora que lhes restava e continuar a alimentar sua esperana.
        Kevin rolou para seu lado, puxou-a de costas para seus braos e beijou-a. Mas antes que pudesse utilizar seus poderes de persuaso o telefone tocou novamente. 
Desta vez, o telefone dele.
        Se Mallory ainda no tivesse a custdia temporria de sua filha, Kevin no teria se incomodado em responder. Mas por causa disso pegou o celular e disse 
irritado:
        -Sim.   
        - Voc vai estar em casa esta tarde?
        Ele sentou-se e jogou as pernas para o lado da cama.
        -  quase de manh, Devin. No estou sequer acordado.
        No era necessariamente o caso. A pergunta de seu irmo o deixara bem acordado.
        - Pensei em passar a pelas 15h.
        - Algum motivo em particular? - Kevin desconfiou que j soubesse porqu.
        - Tive de vir ao hospital cedo e fiz o que voc me pediu. Pedi urgncia nos exames. Mas prefiro no discutir isso pelo telefone.
        - Kevin no queria discutir aquilo em absoluto, particularmente se Devin sentia que precisava dar a notcia pessoalmente. Aquilo podia significar apenas 
uma coisa.
        - Certamente. At mais tarde ento.
        Ele desligou o telefone e caiu de costas sobre a cama, sentindo como se seu mundo inteiro estivesse prestes a desmoronar. Leah aninhou-se ao seu lado e beijou-lhe 
o pescoo.
        - Est tudo bem? 
        Nem um pouco.
        - Sim. Devin vai estar no bairro, e queria passar por aqui para ver Carly. - Somente mais uma mentira para adicionar s muitas que ele vinha contando.
        Ela levantou a cabea e examinou-lhe o rosto detalhadamente.
        - Tem certeza de que no h nada errado?
        Kevin no tinha certeza sobre nada, exceto que agora tudo que queria era perder-se em Leah, antes que tivesse que encarar a realidade mais uma vez.
        Com isso em mente, envolveu-a nos braos e sussurrou:
        - Agora vamos voltar  sua idia, enquanto ainda temos tempo.
        
        O OLHAR sombrio no rosto de seu irmo quando ele surgiu na varanda serviu para confirmar as suspeitas de Kevin... a notcia no ia ser boa.
        Por mais que detestasse ouvir a verdade, abriu a porta, deu um passo para o lado e disse:
        - Entre, Dev.
        Eles caminharam pelo hall em silncio e quando chegaram  sala de estar Devin enfiou as mos nos bolsos e olhou em volta.
        - Leah est aqui?
        - No ainda.
        - O beb?
        -Tirando uma soneca. E agora que estabelecemos quem est em casa e quem no est, diga o que voc precisa dizer.
        Devin retirou um envelope do bolso interno do palet e entregou-lhe.
        - Est tudo a.
        Kevin desdobrou o pedao de papel e leu o texto, o qual fazia pouco sentido para ele.
        - Voc se incomoda de me explicar?
        -A boa notcia  que voc ainda est produzindo esperma. A m notcia e que est produzindo to pouco que est clinicamente estril.
        Independentemente do quanto tinha se preparado para ouvir aquela palavra, Kevin ainda queria socar alguma coisa.
        - Isso  muito irnico. Alguns anos atrs, ser estril podia no ter sido to importante assim. Mas agora que tenho Carly eu sinto que nada na minha vida 
significou coisa alguma antes dela. - Antes de Leah, tambm. - Mas suponho que isso  punio adequada para todos os meus pecados anteriores.
        Devin meneou a cabea.
        - Voc nunca vai me convencer de que isso  uma punio divina, Kevin. Muitas coisas ms acontecem para pessoas boas, e isso inclui voc. No pediu para 
ficar doente, no mais do que qualquer outra pessoa.
        Ele nunca ouvira aquilo vindo de seu irmo mais velho. E jamais pensara que ouviria.
        - Eu tenho feito algumas coisas ruins, Dev.
        - O qu? Voc partiu alguns coraes, e tinha uma tendncia a ser egocntrico? Isso no o torna um homem extremamente mau.
        As mulheres que possuam os coraes partidos por ele provavelmente discutiriam essa assero.                           
        - Voc se esqueceu do que eu fiz a Corri.
        -E Aidan agradece a voc todos os dias por ter sado da vida dela para que ele pudesse entrar. Talvez o seu mtodo para terminar o relacionamento tenha sido 
suspeito, mas os dois o perdoaram por isso.
        Quase o mesmo mtodo que ele usara para romper com Leah, somente que evolura de um bilhete para um rpido telefonema.
        - Quando eu contar toda a verdade a Leah, ela no vai me perdoar. 
        Devin pareceu incrdulo.
        - Quer dizer que ela ainda no sabe que voc esteve doente?
        - No, e ainda no estou certo se devo contar. - Ele ergueu o laudo do laboratrio que estivera apertando na mo fechada. -- No depois de ver isso.
        - Como eu lhe disse, Kevin, isso no  o fim do mundo ou de sua paternidade futura. Voc ainda pode ter filhos biolgicos se submeter-se a um dos tratamentos 
atuais. A gravidez teria que ser assistida, significando inseminao ou em vitro, mas ter outro beb no  impossvel.
        A verdade era que ele no queria mais bebs, a menos que pudesse t-los com Leah.
        - Isso no importa. Mesmo que Leah no aceite que no podemos mais ter filhos, quando souber que eu menti sobre tudo, jamais ir querer chegar perto de mim 
novamente.
        Devin observou-o por alguns momentos antes de perguntar:
        - Voc a ama, Kevin?                                               .
        - Sim, amo. - Ele ps o papel sobre a mesa de caf e olhou para seu irmo diretamente. - Mas ainda vou perd-la, Dev.
        -Talvez, mas jamais saber ao certo a no ser que lhe conte tudo. E se no fizer isso, ento, definitivamente, a perder, porque ela vai partir se voc nem 
mesmo tentar convenc-la a ficar.
        Kevin sentia o adeus inevitvel de Leah de forma to certa quanto sentia a alegria de sua filha ao sorrir e seu desgosto ao chorar. Tambm sentia a formao 
da impenetrvel armadura emocional que usara como autoproteo na maior parte da vida.
        Leah tinha sido a nica alma viva capaz de penetrar aquela armadura, e Kevin percebeu que ela provavelmente tentaria novamente. Nas prximas horas, teria 
que decidir se permitiria.
        
        No momento que chegou em casa, Leah sentiu como se os eventos daquela manh nunca tivessem acontecido. Depois de toda a conversa dele sobre um futuro juntos, 
Kevin no tinha parecido nem um pouco satisfeito dev-la.
        Na verdade, quase no falara com ela.
        Tinha estado totalmente calado durante o jantar, respondendo as perguntas sobre seu dia com o beb atravs de palavras sucintas.
        Ento murmurara algo sobre trabalho na sua coluna literria antes de retirar-se para o escritrio.
        Ela no o vira desde ento.
        Talvez Kevin tivesse tido muito tempo para pensar sobre a proposta que fizera, lembrando-se subitamente que no queria compromisso fixo. Independentemente 
das razes dele, ela pretendia quebrar o silncio e descobrir o que estava acontecendo.
        To logo colocou a filha na cama, Leah foi direto ao espao particular de Kevin, disposta a um confronto. Esperava encontr-lo sentado atrs da mesa, digitando 
num teclado, no estendido no pequeno sof de couro preto, olhando para o espao.
        Ela atravessou a sala e aproximou-se.
        - Bloqueio de escritor?
        Quando Kevin virou a cabea na sua direo, Leah ficou surpresa pela tristeza profunda nos olhos dele.
        - Eu no estava escrevendo. Estava pensando.
        - Sobre o qu?
        - Ns. - Ele sentou-se e se recostou nas almofadas. - Precisamos conversar.                                
        - Isso foi o que voc disse esta manh.
        - Depois desta conversa, voc provavelmente vai querer desconsiderar tudo mais que eu falei esta manh.
        - Eu no entendo. - Oh, mas ela temia que entendesse. Bem demais. Ele moveu-se para a beira do sof, passou os braos sobre os joelhos e baixou a cabea.
        - Voc deve manter seus planos de voltar para sua cidade natal no prximo ms.
        Ela liberou uma risada melanclica, embora quisesse chorar.
        - Uau, Kevin. E dizem que as mulheres so volveis. Esta manh voc queria que ns morssemos juntos por tempo indefinido e agora quer que eu v embora. 
Mas no estou surpreendida, razo pela qual eu no tinha muitas esperanas. - No era verdade. Ela comeara a ter esperana. A imaginar uma vida que o inclua.
        Ele ainda se recusava a olh-la.
        - Eu mudei de idia porque no posso lhe dar o que voc precisa. 
        A histria estava se repetindo.
        - Eu sei, Kevin. Voc no pode se comprometer com uma pessoa. No pode amar somente uma mulher, se  que at mesmo tem capacidade de amar algum.
        Finalmente, ele levantou os olhos para ela.
        - Voc est errada, Leah. Eu a amo. Estava apaixonado por voc quando  dispensei no vero passado. Nunca me senti dessa maneira em relao a algum antes 
de voc, ou desde voc.
        Quando o choque diminuiu, Leah lutou para encontrar sua voz. 
        - Se isso for verdade, ento o que acha que preciso que voc no pode me dar?
        - Isso no importa.
        A raiva, tristeza e frustrao de Leah fundiram-se, criando uma perfeita tempestade emocional.
        - Importa para mim, droga! Voc me deve uma explicao, Kevin, e no vou embora at que me d uma.
        Ele esfregou ambas as mos sobre o rosto antes de voltar a encar-la.
        - Voc est certa. Mas vai precisar se sentar. 
        Leah deixou-se cair numa cadeira de frente para ele.
        - Tudo bem. Estou pronta. - Mas estaria de verdade?
        - Antes de eu partir para Atlanta, fiz um exame de laboratrio - comeou Kevin.- Descobri o resultado somente hoje. Aquilo podia ser pior do que Leah tinha 
imaginado.
        - Oh, meu Deus, Kevin, voc est doente?
        - Eu sou estril.
        O pronunciamento levou um instante para penetrar na mente de Leah. Quando finalmente se acomodou, ela disse:
        - Evidncia do contrrio est dormindo no quarto. Sua filha. - Certamente, ele no estava sugerindo... - Se voc est insinuando que ela no  sua filha... 
        - Sei que ela  minha, Leah. Isso resultou de algo que ocorreu antes de rompermos. -. Ele fez uma pausa antes de acrescentar; - Na verdade, esta  a razo 
pela qual eu rompi com voc.
        - Nada do que voc diz faz sentido, Kevin. - E ela precisava que aquilo fizesse sentido.
        Kevin uniu as mos e as apertou com fora.
          - Antes de irmos  viagem para Cabo, eu fui a um mdico. Talvez voc se recorde que eu estava com muito menos energia do que usualmente.
        - Voc achava que era por causa das muitas viagens que, vinha fazendo na ocasio.
        - No era. Contra anemia aplstica idioptica. Passei seis meses fazendo transfuses de sangue, e quando isso no funcionou, Kieran concordou em me doar 
sua medula ssea. Ele salvou minha vida.
        Aquilo explicava o relacionamento renovado entre os irmos.
        - E ele era o par gentico perfeito, porque  seu gmeo. 
        Ele passou a mo pelos cabelos.
        - Sorte minha. Mas a quimioterapia causou...
        - A esterilidade. - Pelo menos agora algumas coisas estavam se encaixando para Leah. - A cicatriz debaixo de seu brao se deve ao cateter central inserido 
perifericamente, que eles usaram para administrar a quimioterapia.
        - Sim.
        Milhares de perguntas passaram pela mente de Leah, mas a mais importante teve precedncia:
        - Por que voc no me contou quando foi diagnosticado? 
        Ele baixou os olhos novamente.
        - Porque voc tinha preocupaes suficientes com seu trabalho.
        - No  uma razo boa o bastante.
        - Eu pensei que poderia morrer e no quis envolv-la nisso. 
        Agora eles estavam indo a algum lugar.
        - Eu sou mdica, Kevin. Poderia t-lo ajudado atravs do processo, respondido todas as suas perguntas. Poderia ter estado ao seu lado.
        O olhar que ele lhe deu era to cheio de tristeza e remorso que bloqueou a respirao de Leah.
        - Eu no queria que voc me visse daquele jeito.
        Ela quis chorar por ele e por tudo que Kevin sofrer. Queria agredi-lo verbalmente por ter deixado o orgulho interferir entre os dois, mesmo que entendesse 
aquilo em algum nvel. Queria voltar no tempo e comear de novo. Mas isso era impossvel.
        Kevin descansou seu brao nas costas do sof e voltou seu perfil para ela.
        - Voc tem todo o direito de ficar furiosa comigo.
        - Quando penso em todas as oportunidades que voc teve para me contar, sim, isso me deixa extremamente zangada - disse ela. - Mas quando penso sobre como 
poderamos ter estado juntos, nos apoiando durante sua doena e minha gravidez, isso me deixa triste por termos perdido tanto tempo.
        O silncio se estendeu antes que Leah fizesse outra pergunta importante, que poderia determinar se ele tinha... ou no tinha... mudado, dependendo da resposta. 
         - Se voc pudesse fazer tudo de novo, teria me contado?
        - Honestamente, no sei, Leah. Talvez, se eu soubesse sobre o beb, mas, ento, talvez no. O fardo era meu para suportar, no seu.
        No era a resposta que ela estava esperando, mas pelo menos agora sabia o que tinha de ser feito, mesmo que a deciso a deixasse de corao partido.
        - Voc est certo, Kevin - disse Leah, ficando de p. - Voc no pode me dar o que preciso, e isso no tem nada a ver com futuros filhos. Meus pais adotaram 
quase 100 crianas durante um espao de 30 anos, e h muitas mais l fora que precisam de lares e famlias.
        Kevin prendeu-lhe o olhar.
        - Se eu soubesse com certeza que voc se sentiria dessa maneira, teria lhe pedido em casamento esta manh.
        Naquela manh ela poderia ter dito sim.
        - Foi melhor assim, Kevin. Voc no me perguntou como eu me sentiria sobre nada. No me deu qualquer escolha. Est to acostumado a dispensar pessoas que 
no sabe nada mais. Compromisso significa ficar ao lado do outro nos bons e nos maus momentos... na sade e na doena. Eu no tenho como saber se voc vai embora 
ou se vai se fechar para mim quando deparar com uma situao difcil. Essa habilidade de compartilhar tem sustentado meus pais e seus pais atravs de seus casamentos. 
Eu no me contento com menos.
        - No sei o que voc quer que eu faa, Leah. - A voz dele era calma e desprovida de emoo.
        Leah queria que ele parecesse menos resignado. Queria que ele discutisse seu caso, baixando a guarda. Que lutasse.  
        - Se eu tivesse de lhe contar isso, Kevin, ento no haveria qualquer esperana para ns.
        Talvez ela o estivesse julgando muito duramente, fechando sua mente para as possibilidades, mas no queria arriscar ser ferida por Kevin novamente. Melhor 
terminar aquilo antes que acontecesse, a despeito da dor que estava sentindo no momento. Por ele e por ela.
        - O que faremos agora, Leah?
        - Eu no sei, Kevin. -- E ela no sabia. - Sei que no estou segura se posso viver aqui com voc.
        - Apenas no faa nada precipitadamente - pediu ele. - Preciso ter Carly na minha vida at que voc v embora ms que vem. No quero pression-la por nada 
mais. Nem mesmo irei toc-la. Posso no gostar disso, mas farei o que tenho de fazer, contanto que voc fique aqui.
        - Preciso pensar sobre isso.
        E isso  o que Leah faria, provavelmente pelo resto da noite. Isto e chorar com vontade.
           
        
        
                          CAPTULO ONZE
        
        
        
        POR CAUSA do choro interminvel de Carly, Kevin quase no ouviu a campainha.
        - Obrigada por vir, mame - disse ele depois de abrir a porta e conduzir Lucy para a cozinha.              
        - Obrigada por me telefonar, querido. - Ela colocou a bolsa e as chaves no balco e sorriu. - Estou feliz por ajudar. Agora, deixe-me ver a menininha.
        Kevin entregou o beb para a av e encostou-se contra um dos armrios da cozinha para observ-las juntas.
        Felizmente a fascinao de Carly pelo colar de prolas da av fizera seu choro cessar. Se ele soubesse que um colar acabaria com o choro da criana, teria 
contatado o joalheiro local e ordenado um o mais rpido possvel.
        - Ela esteve irritada durante toda a manh e no quis comer - disse ele mesmo que Carly parecesse tudo menos irritada naquele momento.
        Lucy no pareceu se importar que o beb agarrasse as prolas e as enfiasse na boca.
        - Ela pode estar com a dentio despontando.
        - No  muito cedo para os dentes? - Cada dia surgia mais uma novidade, e Kevin no gostava que ela estivesse crescendo to depressa.
        Lucy deu um tapinha no traseiro de Carly, enquanto caminhava em volta da cozinha.
        - Seu irmo Aidan teve o primeiro dente aos quatro meses e a boca toda em dez meses. Tive de desmam-lo mais cedo que o resto de vocs.
        Quando sua me moveu-se ao lado dele, Kevin afastou uma mecha de cabelos da testa de Carly.
        - Ela no parece normal hoje. Eu provavelmente reagi de forma muito exagerada, mas  duro quando no consigo deix-la feliz independentemente de todas as 
minhas tentativas.
        Lucy inclinou a cabea e olhou para ele por alguns momentos.
        - Agora voc entende, no entende?
        - Entendo o qu?
        - Como  amar algum mais do que a si prprio.
        De alguma maneira, aquilo doa. Mas ela estava absolutamente certa.
        - Sim, eu entendo. E imagino que essas preocupaes no vo parar muito em breve.
        - Elas nunca param, Kevin. Esta  a razo porque sou to cautelosa no que diz respeito a voc. Levei tempo para me recuperar quando quase o perdi no parto. 
E sei o quanto voc ressentiu-se disso, tanto quando estava crescendo como mais recentemente, durante sua doena. A qualquer hora que uma criana sofre, os pais 
tambm sofrem, se so realmente pais.
        Finalmente, uma admisso de culpa da me dele. Mas de algum modo Kevin sentiu como se no mais precisasse expor seu descontentamento. Ela fizera o que fizera 
por amor a ele.
        - Est tudo bem, mame. Ser pai tem me ajudado a compreender sua tendncia em me tratar como criana e em preocupar-se incessantemente. Eu superei isso.
        - Ento voc me perdoa por sufoc-lo constantemente com os cordes do meu avental?
        Kevin sorriu, mas o sorriso rapidamente desapareceu. Sorrir no era algo que tinha vontade de fazer depois de sua confrontao com Leah.
        - Sim, eu a perdo. Conquanto que voc me perdoe por todas as vezes que errei. Aparentemente, no aprendi com meus erros, porque os cometi novamente.
        Ela colocou a palma da mo na face dele.
        - O que voc fez, meu doce rapaz?
        Kevin pegou Carly dos braos da me e colocou-a no balano, depois puxou uma cadeira da mesa do caf da manh.
        - Sente-se. Isso pode levar algum tempo. - Depois que sua me se acomodou, Kevin contou o que havia transpirado entre ele e Leah trs dias atrs. Terminou 
com: - Eu causei um estrago permanente no nosso relacionamento, no contando a Leah o que ela precisava ouvir. Agora no h esperana para ns.
        - Oh, Kevin. Sempre haver esperana. Voc somente tem de continuar acreditando e aproveitando o tempo que ainda tem com ela.
        Carly chorou novamente, fazendo Kevin tir-la da cadeira de balano.
        - Isso  o que eu quero dizer, mame. Ela parece estar com alguma dor.
        Lucy franziu o cenho e sentiu a testa de Carly.
        -Aparentemente, ela no tem febre, mas isso no significa nada. Ouvi dizer que o vrus de uma gripe terrvel est evoluindo. Ela pode ter pegado o vrus 
na creche.
        - Verdade. Mas at agora ela no tem outro sintoma.
        - Se pegou o vrus, voc logo saber. E se isso acontecer, d-lhe a maior quantidade de lquidos que puder. Criancinhas desidratam muito rapidamente. - Ela 
olhou para seu relgio e levantou-se. - Sinto muito precisar correr, mas tenho uma reunio com a diretoria da biblioteca em 15 minutos. Ficarei feliz em voltar depois, 
se voc quiser.
        Kevin levantou-se tambm com Carly embrulhada seguramente nos braos. Naquele momento, sua filha no parecia nem um pouco aflita. Talvez um dentinho estivesse 
nascendo.
        - Apreciei muito seu conselho, mame. - Mas ele ainda no possua um plano de ao no que se referia aos seus problemas com a me de sua filha. - Eu gostaria 
de saber o que fazer.
        - Isso  fcil, querido. Ligue para Leah se voc ainda est preocupado com o beb. Afinal de contas, ela  pediatra.
        - Eu quis dizer que no sei o que fazer com relao a Leah. O pensamento de v-la partir est me matando.
        Novamente sua me acariciou-lhe o rosto.
        - Se eu fosse voc, comearia por lhe dar algum espao.
        - ELA est bem, Kevin.
        
        Considerando o modo que Carly se comportava no momento, alegre por observar seu mobile acima do bero, chutando os pezinhos contra o colcho, Kevin tinha 
de concordar.
        - Voc no a viu esta manh, Leah. O choro dela era diferente, como se alguma coisa a estivesse machucando.
        Ela voltou do bero e o fitou.
        - Eu chequei a temperatura e examinei a barriga de Carly. Uma vez que ela no tem nenhum outro sintoma, provavelmente sente uma pequena dor de barriga. O 
cereal pode no estar combinando com ela.
        - Ela recusa qualquer cereal - disse ele, - Tomou somente um pouco da mamadeira esta manh e no quis mais nada desde ento. Na verdade, no tem se alimentado 
bem nos ltimos dias.
        Leah checou seu relgio.
        - Passam somente alguns minutos do meio-dia. Tente lhe dar outra mamadeira dentro de uma hora ou coisa assim.
        - E se ela no aceitar?
        - Ento me ligue e verei o que fazer. - Leah inclinou-se e beijou o rosto da filha. -Mame vai voltar para o trabalho agora. Tente ser boazinha com papai.
        Quando Leah saiu do quarto, Kevin seguiu-a at o hall.
        - Voc se incomoda de parar por um segundo para falar comigo?
         Ela virou-se e cruzou os braos sob os seios.
        - E disso que se trata, Kevin? Voc me chamou em casa a fim de que pudssemos conversar?
        Ele decidiu tentar amenizar a atmosfera usando um pouco de seu charme.
        - Voc  a melhor pediatra que conheo.
        A expresso cnica de Leah dizia que ela no estava impressionada.
        - Eu sou a nica pediatra que voc conhece. Contudo, Carly tem sua prpria mdica e voc encontrar o nmero dela pregado no refrigerador. Mas estou quase 
certa de que sabia disso, o que me traz de volta  primeira teoria. Seu pedido para que eu viesse at aqui no era somente por causa de Carly.
        A tentativa de charme foi substituda por ira.
        - Se voc sinceramente acha que eu usaria nossa filha como uma pea de jogo, ento sua opinio sobre mim  pior do que eu pensava.
        Ela esfregou as tmporas e olhou para o cho.
        - No sei o que pensar. Sei que Carly parece perfeitamente bem e que poderamos ter lidado com isso pelo telefone.
        Mesmo um suspiro profundo no fez nada para aliviar sua raiva.
        - Isso lhe serviria muito bem, no  mesmo? Sem conexo pessoal ou coisa assim. Voc no fala comigo h trs dias, e sequer olhou para mim agora.
        Leah finalmente ergueu o olhar para ele.
        - Voc me prometeu que no faria isso.
        - Prometi que no tocaria em voc. O que no significa que no podemos ser civilizados. Talvez isso seja o que est errado com nossa filha. Ela sente a tenso 
entre ns, e no est nada feliz com isso, assim como eu no.
        - Talvez seja apenas o calor, Kevin. 
        Houston poderia estar sofrendo com uma onda de calor severo nas ltimas duas semanas, mas a temperatura na casa tinha sido reduzida. Kevin teria preferido 
um discurso bombstico ao silncio de Leah.
        - Talvez voc esteja inclinada a me punir pelas prximas semanas. 
        Ela desviou o olhar novamente, indicando a Kevin que ele tocara na verdade.                                                       
        - Eu realmente preciso ir - disse ela. - Estamos oferecendo exames de rotina no hospital esta tarde, e tenho de examinar pelo menos 20 crianas. Tambm preciso 
falar com Macy antes de comear minhas consultas.                                          
        ... Apreenso o assolou.
        - Sobre o qu?
        - Como falei noites atrs, no me sinto confortvel morando aqui com voc, Acredito que seria melhor se levasse Carly e voltssemos para o apartamento.  
        Pnico substituiu apreenso.
        - No faa isso, Leah. No a tire de mim ainda. Deixe-me ter esse tempo com ela.                         
        - Preciso voltar ao trabalho, Kevin.
        -V em frente! - Ele fez um gesto impulsivo em direo ao pequeno escritrio. - Volte para o trabalho, mas primeiro, quero deixar uma coisa bem clara: voc 
pode me detestar por tanto tempo quanto quiser, e pode levar Carly para fora da casa ou fora do estado, mas eu no vou me afastar. Planejo estar na vida da minha 
filha permanentemente, e isso significa aniversrios e formaturas e, se Deus quiser, lev-la pela nave da igreja at o altar. Se eu tivesse uma chance, ns compartilharamos 
tudo isso juntos, como uma famlia. Porm, uma vez que isso no  mais uma opo, voc precisa pensar bastante sobre como quer lidar com nosso futuro relacionamento. 
Qualquer conflito entre ns vai afetar Carly.
        - No posso fazer isso agora, Kevin. - Ela olhou para o hall, mas antes de desaparecer de vista encarou-o e disse: - Se voc notar qualquer sintoma a mais 
no beb e ficar preocupado, leve-a para o hospital e pergunte pela dra. Roundtree, a chefe da pediatria. Ela me localizar.
        Kevin queria impedi-la de ir embora, implorar uma vez mais, convenc-la que ele tinha, de fato, se tornado a espcie de homem que podia ser fiel e honesto. 
Queria contar-lhe novamente que a amava. Em vez disso, deixou-a ir embota, sabendo que era apenas uma questo de tempo at que Leah partisse para sempre... a menos 
que ele pudesse encontrar um meio de convenc-la que eles pertenciam um ao outro. Se pelo menos tivesse uma pista de como fazer isso.
        
        A CAFETERIA estava lotada tanto com funcionrios como com familiares de pacientes, todavia no levou muito tempo para Leah localizar sua ex-colega de casa 
sentada perto da janela. No muitas mdicas residentes pareciam supermodelos louras.
        - Voc tem um minuto? - perguntou quando chegou  mesa.
         Macy ergueu os olhos do sanduche que estava comendo e indicou uma cadeira com a mo.
        - Sente-se. Voc est com uma aparncia horrvel.
        Leah sentia-se horrvel. Pegou uma cadeira e uniu as mos  sua frente.
        - Eu preciso lhe pedir um favor.
        - Contanto que isso no envolva ser bab. Voc sabe como me sinto em relao a crianas.             
        - Quero me mudar de volta com Carly, se no tiver problema para voc.
        Macy parecia genuinamente surpresa.
        - O que aconteceu com voc e o imbecil? 
        Leah soltou um suspiro profundo.
        -  uma longa histria.
        - Ele fez alguma coisa vil? Porque, se for o caso... -- Ela pegou uma faca de manteiga e ergueu-a como um bisturi. - Apenas me diga aonde encontr-lo.
        -  complicado, Macy. Coisas que eu no planejei, aconteceram. - Fazer amor com ele novamente. Apaixonar-se por Kevin, por exemplo. Como se um dia tivesse 
deixado de am-lo. - Agora tudo parece ter sado do controle, e preciso me afastar dessa situao.
        Macy deixou a faca de lado e recostou-se na cadeira.
        - Voc dormiu com ele?
        - Somente uma vez. - E eles no tinham dormido muito. - Na verdade, quatro vezes em 12 horas.
        Macy arregalou os olhos.
        - Quatro vezes? Eu no sabia que o homem tinha tanta energia. E tambm no conhecia este seu lado.
        - No preciso dizer que fazia muito tempo. - Para ambos.
        - E agora voc deixou todos esses sentimentos se embaralharem em confuso. - Macy parecia bastante desgostosa. - Eu no lhe avisei sobre isso?
        Todos os avisos do mundo no poderiam ter impedido que os sentimentos de Leah por Kevin ressurgissem. Mesmo agora, ela ainda o amava, alguma coisa que no 
ousava admitir.
        - No  somente sexo, Macy. Poucos dias atrs, eu soube exatamente por que ele rompeu comigo.                                
        - Outra mulher? 
        - Anemia aplstica. 
        Macy ficou boquiaberta.
        - Esta  nova. Eu j ouvi "Um cachorro comeu meu celular" e "Estou me mudando para a Malsia para viver numa cabana", mas nunca ouvi um cara inventar uma 
doena como desculpa.
        Sua ex-colega de casa sempre fora ctica no que dizia respeito a relacionamentos. Leah comeara a concluir que talvez Macy tivesse uma justificativa para 
seu ceticismo.                                         
        - Ele no inventou a doena. Kevin foi submetido a um transplante de medula ssea, oito meses atrs.
        - Obviamente, ele foi bem-sucedido.
        - Sim. Somente que, com a quimioterapia, talvez no possa ter...
        - Mais filhos. No  de admirar que ele quisesse reivindicar Carly.
        -Ter mais filhos no teria tanta importncia, para mim. Pelo menos no no grau que Kevin assumiu que teria. Mas esta  apenas uma razo pela qual ele escondeu 
a verdade de mim.
        - Quais so as outras? - perguntou Macy.
        - Ele no quis me envolver na severidade da doena e prejudicar a minha carreira.
        Macy deu um sorriso travesso.
        - No posso acreditar que vou dizer isso, mas minha opinio sobre o cretino acabou de melhorar. Quem pensaria que o sujeito tinha alguma honra? Mas no estou 
entendendo por que voc quer se mudar, agora que ele se abriu.
        Ela ficou surpreendida ao ouvir Macy dizer algo favorvel acerca de Kevin, e tambm por estar sugerindo que Leah permanecesse na relao,
        - O problema  que ele no me contou no minuto que me mudei com ele. E tambm teve muitas oportunidades de revelar o segredo desde ento.
        - Mas voc no deveria levar em considerao o fato de que ele finalmente lhe contou? - perguntou Macy.
        Aqui vinha a parte complicada.
        - Sim, mas Kevin tambm falou que se pudesse fazer tudo de novo ainda no me contaria, porque o problema era dele, no meu. E este  o ponto crucial do assunto. 
Ele no tem ideia do que um compromisso com algum realmente significa. No que me diz respeito, no posso estar envolvida com algum que no ser aberto e franco, 
querendo compartilhar o que quer que a vida lance sobre voc.
        Macy ficou sentada em silncio por um momento, parecendo pensativa. 
        - No fica enfadonho ser to rgida ao ponto que voc no pode ceder um pouco e aceitar que as pessoas cometam erros por boas razes? 
        Certamente ela no ouvira sua amiga corretamente.
        - No sei o que voc est dizendo.
        Macy sentou-se empertigada e cruzou os braos, parecendo uma me desaprovadora, prestes a dar um sermo.
        - Vamos apenas pensar sobre isso um minuto. Ele no lhe contou no incio que estava doente para proteg-la. Voc lhe disse que tinha um namorado, uma mentira 
infame, para se proteger. E se bem me recordo, voc no tentou arduamente entrar em contato com Kevin quando descobriu que estava grvida, o que tambm me leva a 
acreditar que isso tinha a ver com autoproteo. Estou no rumo certo?
        Leah detestou admitir. Macy colocara alguns pontos vlidos.
        - Mesmo assim, no poso mais viver com ele.  doloroso demais saber que talvez ns no possamos resolver nossas diferenas.
        - Voc nunca as resolver se desistir agora. A menos que seu dilema envolva a recusa de Kevin em ter um compromisso verdadeiro.
        - Ele quer se casar comigo. Eu simplesmente no sinto que posso confiar que Kevin ficar por perto se sofrermos algum golpe da vida.
        Macy pegou as mos de Leah nas suas.
        -Voc sabe que a amo como meu laparosepio favorito, Leah. Voc  uma das mdicas melhores e mais brilhantes por aqui. Vai ser uma pediatra de alto nvel. 
Mas agora est agindo de maneira to tola porque no pode ver o que  certo na sua frente.
        Macy realmente a chamara de tola?
        - Voc se importa de explicar minha aparente falta de inteligncia? Macy ergueu o dedo indicador.
        - Primeiramente, a menos que Kevin venha a ser um pai de baixa qualidade, no  uma boa idia que voc negue a Carly a oportunidade de ligar-se a ele. - 
Ela juntou o dedo do meio ao indicador. - Em segundo lugar, voc poderia parar e considerar por que est realmente fugindo.                                      
        Claramente, Macy estava inclinada a dissecar os motivos de Leah. 
        - Eu no sabia que voc havia mudado de especialidade, de cirurgia para psiquiatria - disse Leah.
        - Estou apenas sendo direta, Cordero, como sempre fui. Pelo que pude deduzir, voc est com medo de perder Kevin porque viu muitas perdas na sua vida inteira. 
Tanto com as crianas que seus pais adotaram enquanto voc crescia como com as crianas que trata sendo mdica agora. Est recusando as possibilidades porque  mais 
fcil proteger-se de novas perdas. Mas, como dizem: "Quem no arrisca no petisca,"
        Embora Macy pudesse muito bem estar correta nisso tudo, Leah sentia que seu corao no poderia aceitar outra perda se isso envolvesse Kevin abandonando-a 
mais uma vez. Mas concordaria com a declarao de sua amiga sobre o relacionamento de Carly com Kevin.
        - Voc est certa sobre uma coisa: no me mudarei com o beb agora, especialmente porque estaremos partindo para o Mississipi em poucas semanas. Ela precisa 
conhecer melhor o pai no tempo que nos resta em Houston.
        - Ento voc no v nenhuma espcie de futuro com o pai do beb? - perguntou Macy.
        - No nesta atual contingncia. No a menos que Kevin encontre um meio de me provar que est nessa relao por longo perodo.
        -- Ento talvez voc devesse lhe dar uma oportunidade para provar isso. - Macy levantou-se da mesa. - Estou indo para uma cirurgia, mas estou feliz que tivemos 
esta conversa, dra. Cordero. Boa sorte com seu dilema, mas lembre-se, d um tempo, essas coisas tm um modo de se resolverem por si mesmas. Apostaria minha Harley 
que alguma coisa acontecer para faz-la mudar de idia. E quando isso acontecer, procure-me e me conte que estou certa sobre tudo.                              
        QUANDO CARLY comeou a chorar, Kevin voltou ao quarto do beb e tirou-a do bero.
        - Ei, menininha. Sei exatamente como voc se sente.
        Ele pegou uma mamadeira da cozinha e carregou sua filha para a sala de estar, onde se acomodou numa poltrona reclinvel e tentou novamente aliment-la. E 
mais uma vez ela recusou, seu choro aumentando de volume. Kevin desistiu da batalha com a mamadeira e segurou-a contra o ombro, at que os soluos se transformaram 
em fungadas.
        Pelo menos descobrira como cal-la por um momento. Depois de alguns minutos, sentiu que ela adormecera, e pensou em recoloca-la no bero de forma que pudesse 
voltar a trabalhar. Tinha alguns currculos de redatores em perspectiva para examinar. Alguns artigos sobre beisebol para analisar. Precisava surgir com um tpico 
para sua prxima coluna.
        Mas enquanto continuava a segurar a filha, Kevin percebeu que no havia lugar algum que quisesse estar mais do que ali. Embora pretendesse continuar participando 
da vida da filha, como dissera a Leah mais cedo, no teria muitas oportunidades como a atual, depois de agosto. Talvez mesmo aps um ou dois dias, se Leah resolvesse 
voltar para a casa que dividia com Macy.
        Kevin fechou os olhos e decidiu que um pequeno cochilo compensaria sua falta de descanso das ltimas noites. No sabia quando pegara no sono, ou por quanto 
tempo tinha cochilado, mas reconheceu a angstia de sua filha quando Carly ficou tensa nos seus braos, levantou as pernas para cima e liberou um choro penetrante, 
como nada que ele ouvira antes.
        Ele aninhou-a nos braos e notou a cor acinzentada de sua pele o modo como o pequeno peito subia e descia rapidamente, como se ela lutasse para respirar. 
        Temendo por sua filha, as palavras de Mallory soaram na sua mente: ... no deixe ningum engan-lo em pensar que homens no tm instintos no que diz respeito 
a seus filhos. Tudo que voc tem afazer  seguir esses instintos...
        Seus instintos gritavam que sua garotinha estava correndo srio perigo.
        
        - VOC  chamada na sala de emergncia, dra. Cordero.
        Leah retirou o estetoscpio dos ouvidos e dirigiu-se para o residente magricela do segundo ano, parado na soleira da porta da sala de exames.
        - No estou cobrindo  emergncia hoje, Paul.
        Ele entrou na sala e pegou a prancheta sobre o balco. 
        -Eu sei, mas isto tem a ver com sua filha. Estou aqui para assumir seu lugar.
        Ou Kevin entrara em pnico, ou alguma coisa estava seriamente errada com Carly. Leah tinha um terrvel pressentimento que a ltima opo era verdadeira.
        Depois de murmurar um pedido de desculpas para a me do pr-escolar que estivera examinando, Leah saiu correndo da sala e foi para o elevador que levava 
 sala de emergncia. Apertou o boto de descida diversas vezes, e quando o elevador no chegou imediatamente, optou por descer as escadas de dois em dois degraus. 
Chegou ao primeiro andar e passou por diversos pacientes enquanto se dirigia diretamente para a entrada dos funcionrios, digitando o cdigo duas vezes antes que 
as portas finalmente se abrissem.                                                         
        Uma vez no corredor da ala de enfermagem, Leah se aproximou da atendente sentada atrs do balco.
        - Minha filha  Carly Cordero O'Brien. Onde ela est?
        - Sala 6 - disse a jovem, seguido por: - Seu marido est l com ela agora, dra. Cordero.
        Porque o bem-estar de Carly era primordial em sua mente, Leah no viu razo para corrigir a declarao da mulher sobre seu estado civil e o de Kevin. Em 
vez disso, correu pelo corredor e virou um canto para encontrar Alice Roundtree em p do lado de fora de um cubculo com Kevin. Puro medo diminuiu seus passos, fazendo 
seu corao disparar violentamente.
        Quando Alice a avistou, acenou-lhe.
        - Aqui est ela agora.
        - Onde est Carly? - disse Leah quando alcanou os dois.
        - A equipe mdica est trabalhando nela agora, portanto voc precisa permanecer aqui por alguns minutos.
        O gosto amargo de blis subiu  garganta de Leah.
        - Trabalhando nela?
        -  invaginao, Leah - disse Alice.
        A palavra no era estranha para Leah, apenas inteiramente inesperada e amedrontadora.
        - Eu a deixei no mais do que duas horas atrs, Alice. No posso acreditar que errei esse diagnstico.
        Normalmente o sorriso bondoso de Alice seria confortante, mas naquele momento pareceu tenso.
        - Voc aprendeu atravs de seu treino que algumas vezes  difcil detectar uma doena -- murmurou ela. - Antes de tudo, essa ocorrncia  mais comum nas 
crianas do sexo masculino do que nas meninas, e, em segundo lugar,  enganosa na sua apresentao. Sem mencionar que voc estava pensando como me, no como mdica. 
Como mdicas, ns algumas vezes reagimos quando se refere  sade de nossos prprios filhos, porque achamos inimaginvel que nossos bebs fiquem doentes.
        - Isso no  desculpa, Alice.
        - Voc  humana, Leah. E se isso a faz sentir-se melhor, quando meu filho tinha trs anos caiu de um balano num playground e quebrou a clavcula. - Ela 
dirigiu seu sorriso para Kevin. - Eu erroneamente presumi, uma vez que ele estava tentando subir nas prateleiras de livros naquela  noite, que ele estivesse bem. 
No tirei o raio x at o dia seguinte e foi somente depois que ele gritou, quando eu tentei vesti-lo naquela manh, que  descobri que ele tinha quebrado a clavcula.
        Aquilo ofereceu muito pouco consolo a Leah.
        - Quando Kevin me chamou em casa para examin-la, eu apalpei a barriguinha de Carly e no senti nada. Ela parecia perfeitamente normal na hora.
        - Novamente, esta  a natureza dessa doena - disse Alice.
        - Algum, por favor, pode me explicar o que est acontecendo com minha filha? - pediu Kevin, evidenciando estresse na expresso facial e no tom de voz.
        - Eu estava prestes a fazer isso antes de voc chegar, Leah - disse Alice. - A menos que voc queira explicar a ele.
        Todos os termos mdicos que Leah armazenara no seu crebro, todas as peas de conhecimento que ganhara num curso completo de dez anos, temporariamente desapareceram.
        - Agora eu no posso pensar, portanto, v em frente.
        - H uma parte do intestino de Carly que se dobrou como um periscpio - continuou Alice. - Normalmente, um procedimento no invasivo pode ser feito a fim 
de recoloc-lo no lugar, mas lamento que at agora isso no funcionou. Vamos ter de lev-la para a cirurgia.
        Cirurgia. A palavra surgiu como uma bomba detonada na cabea de Leah.
        - Vocs tentaram tudo?
        Alice pousou uma mo gentil no brao dela.
        - O mximo que estamos dispostos a tentar. Ela est mostrando sinais de acidez no sangue, e est em estado de semichoque, portanto, precisamos agir rapidamente.
        O mundo de repente pareceu surreal, deixando Leah muda. Quando ela oscilou levemente, Kevin ps um brao em volta de seus ombros, como se sentisse que ela 
poderia desmaiar.
        - Ento voc acredita que isso  absolutamente necessrio? - perguntou ele como se estivesse pronto para assumir o controle. Leah estava disposta a permitir 
que ele assumisse.
        - Em minha opinio mdica, esta  a melhor opo para Carly - respondeu Alice. - E se Leah estivesse tratando de alguma outra criana, ela concordaria.
        A mesma enfermeira com quem Leah falara antes de aproximar-se deles, apareceu com um fichrio na mo.
        - Aqui est o formulrio de consentimento para a cirurgia do beb, dra. Roundtree.
        Quando Alice deu os documentos para ela, Leah gelou. Kevin imediatamente pegou a prancheta, folheou as pginas e rascunhou seu nome, como se sentisse a urgncia 
da situao.
        Depois que sua mente assimilou a realidade do que estava acontecendo, Leah disse:
        - Eu quero instrumentar durante o procedimento.
        - Isso no  permitido ou aconselhvel - disse Alice.- Franklin vai fazer a operao e ele  o melhor cirurgio pediatra do estado. - Novamente voltou-se 
para Kevin. - Um dos benefcios de ser afiliada a esse hospital.
        Leah no se importava se o cirurgio geral concordaria em fazer isso, ela ainda queria estar presente.
        - Ela  minha filha, Alice. Precisa que eu...
        - Seja me dela, no sua mdica.
        Leah virou-se ao som da voz familiar vindo atrs dela, Uma voz pertencendo a ningum menos do que sua ex-colega de casa.
        - Como voc soube que ela estava aqui, Macy?
        - Vi o nome dela no quadro de cirurgia e eu vou instrumentar, no voc.
        - Mas voc no faz pediatria.
        - Voc est absolutamente correta. Usualmente, eu evito isso como vestidos de noiva. Todavia, uma vez que este  um caso muito especial que requer ateno 
muito especial, estou fazendo uma exceo. Voc pode me agradecer mais tarde. - Ela terminou seu comentrio com seu sorriso marca registrada.
        Sem dvida, Leah se sentiu melhor sabendo que Macy, que carregava a reputao de uma das cirurgias mais talentosas do hospital, estaria l para tomar conta 
de Carly. Contudo, no se sentiria completamente tranqila at que aquela provao terminasse e ela estivesse segura que seu beb estava bem.
        - Preciso v-la antes que a levem.
        Alice abriu a porta e olhou dentro do quarto.
        - Eles esto trazendo Carly para fora agora. Mas ns somente temos alguns minutos.
        Quando eles empurraram a maa atravs da porta aberta, Leah tomou seu lugar de um lado, enquanto Kevin moveu-se para o lado oposto. Mesmo depois de todas 
as vezes que ela lidara com crianas doentes, nada se comparava com ver o tubo nasogstrico e medicao intravenosa invadindo o minsculo corpo de sua filha. Nada 
doa mais do que saber que no podia ajudar dessa vez.
        - Oi, meu amorzinho, mame est aqui - murmurou Leah enquanto tocava a mo de Carly, lutando contra as lgrimas que se recusava a derramar at mais tarde. 
Uma guerra que quase perdeu quando Kevin inclinou-se sobre a grade, beijou o rosto da filha e sussurrou:
        - Papai tambm est aqui, menininha. E estarei aqui quando voc acordar.
        Enquanto Leah estava prestes a desmoronar, Kevin parecera confiante, forte. Todavia, ao notar agora os olhos lacrimejantes dele, ela reconheceu que ele tambm 
estava arrasado pela doena da filha.
        Antes que eles levassem Carly embora, Leah beijou a pequena testa, e passou a mo sobre os cabelinhos macios. Quando ouviu seu beb chorar, comeou a perguntar 
se poderia subir no elevador com ela, mas no estava certa por quanto tempo mais poderia segurar-se. Em vez disso, observou Macy acompanhando sua filha na primeira 
parte da jornada na qual Leah no podia tomar parte.
        - Quanto tempo levar a cirurgia? - Kevin perguntou a Alice quando as portas do elevador fecharam-se.                 
        - Pelo menos uma hora. At ento, tudo que vocs podem fazer  esperar. :
           
        
        
                          CAPTULO DOZE
     
        
       
        AQUELA HORA de espera seria a mais longa da vida de Kevin. E ainda assim,15 minutos depois do tempo esperado, nenhuma notcia que a cirurgia houvesse finalmente 
terminado. Pelo menos agora ele entendia plenamente o que sua me lhe dissera... ter um filho significa amar algum mais do que a si prprio. Se pudesse tomar o 
lugar de Carly, faria isso alegremente.
        Qualquer coisa para parar o sofrimento de seu beb e de Leah tambm, embora ela preferisse sofrer em silncio.
        Desde que eles haviam sado da sala de espera da ala cirrgica para a sala do staff, por insistncia de Leah, eles quase no se falavam. Ele escolhera o 
sof na esperana que ela se sentasse ao seu lado. Em vez disso, Leah se sentara numa cadeira oposta ao sof, apoiando o queixo na palma da mo. A expresso parecia 
relativamente calma, e aquilo preocupou Kevin mais do que se ela estivesse chorando de modo incontrolvel. Talvez o choque j tivesse cedido, ou talvez aquele silncio 
significasse alguma outra coisa.
        - Voc no est falando comigo porque pensa que  culpa minha, de alguma forma? - perguntou ele.
        - No  culpa de ningum. 
        Pelo menos ela no o estava culpando, ou a si mesma.
        - Ento, por que no fala comigo?
        - Porque no estou com vontade de conversar. - Ela deu-lhe um olhar superficial. - Voc realmente no deveria estar aqui, Kevin.
        Ela no poderia estar falando srio.
        - Se pensa que vou deixar Carly nessa situao somente porque voc no me quer aqui...
        - Eu quis dizer que voc no deveria estar no hospital. Submeter-se  quimioterapia compromete seu sistema imunolgico.
        - Meu sistema imunolgico est timo. Fui liberado pelo meu mdico e s tenho outra consulta agendada para daqui a seis meses.
        - Isso  muito bom. - Ela falou de maneira educada e descomprometida, mas pelo menos parecia preocupada com seu bem-estar. Kevin estava mais preocupado com 
a sade da filha.
        Kevin checou o relgio da parede e notou que outros cinco minutos haviam se passado desde a ltima vez que olhara.
        - Por que ser que est demorando tanto tempo?
        - Cirurgia no tem um horrio exato para terminar - disse ela enquanto mantinha o olhar fixo na porta.
        Kevin abaixou a cabea e passou a mo sobre a nuca.
        - Eu me diverti pesadamente mais vezes do que posso contar. Feri pessoas que amei e tive momentos de inutilidade. Por essas razes, talvez eu tenha ficado 
doente. Mas Carly no fez nada para merecer isso, motivo pelo qual considero a situao injusta.
        - Eu sei, mas, como lhe disse antes, vejo isso todos os dias, crianas sofrendo por nenhuma razo aparente, com horrveis conseqncias.
        Aquilo criou uma nova srie de perguntas na mente de Kevin. Perguntas que ele temia fazer, embora precisasse saber as respostas.
        - Preciso que me conte todas as possibilidades da situao, Leah. Qualquer coisa que possa acontecer, independentemente do quanto seja ruim.
        - Voc no quer saber, Kevin.
        Foi quando ele percebeu a extenso do fardo que ela suportava pelo peso de seu conhecimento mdico.
        - Sim, quero saber. Tudo. Eu posso lidar com isso.
        Quando ela ficou silenciosa novamente, Kevin pensou que podia ter de forar o assunto, at que finalmente Leah disse:
        - Se o procedimento da laparoscopia no funcionar, ele tero de abrir-lhe a barriga. H tambm uma possibilidade de um pedao do intestino ter de ser removido, 
se estiver necrosado. Ela pode ter uma reocorrncia nos prximos dias, embora isso no seja comum, a menos que haja outro problema oculto.
        - Isso  provvel?
        - No  usual, mas qualquer coisa  possvel. Kevin sentiu que ela ainda estava escondendo algo.
        - O que voc no est me contando, Leah?
        - Ela pode morrer.
        A declarao teve o impacto de um golpe nas suas entranhas.
        - Isso no vai acontecer, Leah. No pode acontecer. A porta se abriu seguida pelo comentrio:
        - Viemos to logo recebemos seu recado. 
        Kevin desviou a ateno de Leah para sua me, que entrou na sala, sentou-se ao seu lado e abraou-o fortemente. Seu pai entrou na sala com passo mais despreocupado 
e permaneceu de p, como se estivesse incerto do que fazer em seguida. Ele olhou para Kevin depois para Leah e perguntou:
        - Como est nossa mocinha?
        - Ela estava estvel quando eles a levaram para a cirurgia - disse Leah, parecendo um pouco mdica. - Pelo que sabemos, a operao ainda est em curso.
        Lucy colocou a mo aberta sobre o pescoo.
         - Sinto-me horrvel por no ter insistido com Kevin para traz-la ao hospital imediatamente quando a vi esta manh.
        Quando Leah nivelou seu olhar ao dele, Kevin lamentou no ter contando a ela sobre a visita da me ou que havia ligado para os pais pouco tempo atrs.
        - Pedi a minha me para passar l em casa quando comecei a perceber a mudana no comportamento de Carly - explicou ele. - Eu queria me certificar de que 
no estava tirando concluses precipitadas.  
        - E pensei que ela estivesse provavelmente com a dentio despontando, Leah - acrescentou a me dele. -- Se seu soubesse o quanto isso era srio...
        - Est tudo bem, sra. O'Brien - disse Leah, dando-lhe um pequeno sorriso. - Eu errei o diagnstico, e sou mdica.
        - Essa cirurgia corrigir o problema? - perguntou Dermot.
        - Assim esperamos. - Leah levantou-se e pegou uma xcara de caf da garrafa trmica sobre o balco. Ento se virou e ofereceu: - Algum quer uma xcara?
        - Eu gostaria de tomar um cafezinho - disse Lucy, levantando-se e juntando-se a Leah.
        Dermot ocupou o lugar que a mulher dele acabara de vagar. 
        - A espera  a pior parte - murmurou ele. - Lembro-me de quando Kevin nasceu e eles o levaram embora antes que ns oficialmente tivssemos lhe dado as boas 
vindas ao mundo. Minha esposa no deixou o hospital at que eles trouxessem esse rapazinho de volta.
        - Eu tive trs rapazinhos com menos de seis anos em casa - acrescentou Lucy. - Por quase um ms, Dermot teve que tomar conta deles e de um recm-nascido.
        Esta era a primeira vez que Kevin ouvia aquela parte da histria.
        - Voc no foi para casa com Kieran?
         Lucy balanou a cabea.
        - Eu no podia deixar voc sozinho naquele lugar.
         Kevin estava incrdulo.
        - Mas Kieran no precisava de voc, tambm?
        - Sim, mas voc precisava mais de mim. - Ela voltou para o sof e sentou-se no brao. - Justamente como Carly precisa de vocs dois agora, e precisar at 
mesmo depois que crescer e tiver sua prpria famlia. - Ela deu a Kevin um olhar significativo. -  claro, de certo modo ela sempre precisar de vocs. Isso me faz 
lembrar o provrbio chins: "Para entender o amor de seus pais voc precisa criar seus prprios filhos."
        Quando Leah abruptamente voltou-se em direo ao balco, Kevin desconfiou que ela pudesse estar chorando. Seu pai parecia ter notado tambm, pois se levantou 
e disse:
        - Meu amor, vamos comprar aquele ursinho que voc esteve olhando quando passamos na loja de presentes.
        Lucy o olhou como se ele tivesse perdido a razo.
        - Eu gostaria de estar aqui quando a cirurgia terminar, Dermot. 
        Dermot moveu a cabea em direo a Leah, que ainda mantinha as costas voltadas para eles.
        - Kevin nos avisar pelo celular se no estivermos de volta quando a cirurgia terminar.
        Depois de olhar para Leah, a expresso de Lucy revelou compreenso e ela levantou-se.
        -  uma idia formidvel, querido.
        Kevin ficou de p e deu ao pai um rpido abrao, grato pela observao astuta e pela oportunidade de estar sozinho com Leah. Para consol-la, se ela deixasse.
        - Farei, sem duvidam uma ligao to logo saibamos de alguma coisa.
        No minuto que seus pais saram, Kevin caminhou para trs de Leah e descansou a mo sobre o ombro dela.
        - Voc est bem, querida?
        Quando Leah se virou para falar, Kevin testemunhou o muro de proteo que ela erguera comear a se desintegrar quando algumas lgrimas deslizaram pelo rosto 
bonito. Lgrimas que ela rapidamente secou com os dedos. Quando ele tentou abra-la, Leah esquivou-se e disse:
        - No faa isso.
         Independentemente de quanta dor aquilo lhe causava, ele se recusou a desistir.
        - Voc me disse que no sabia se podia confiar em mim no momento que uma situao difcil surgisse - disse ele. - Estou aqui, Leah. Para voc e para Carly. 
Deixe-me ajud-la a passar por isso.
        Ela dirigiu-se para a janela, novamente dando as costas para ele.  
         - No tenho condies de precisar de voc.
        E novamente Kevin se aproximou por trs e colocou as mos sobre os ombros dela.
        - Mas voc precisa de mim e eu preciso de voc. Eu a amo, Leah, mais do que voc pode imaginar.
        - No faa isso comigo, Kevin. 
        Ele girou-a para encar-lo.
        - Somente porque voc no quer ouvir isso no torna os sentimentos menos verdadeiros.
        Quando a bravata de Leah foi completamente superada, Kevin puxou-a para seus braos e ficou grato que, dessa vez, ela no resistira. Em vez disso, agarrou 
a frente de sua camisa e pressionou o rosto contra seu peito largo, o corpo inteiro tremendo pela angstia. Por longos momentos ele a abraou, dizendo-lhe que tudo 
ficaria bem, dando-lhe apoio, assim como a si mesmo.
        Quando a porta abriu-se, Kevin olhou por sobre o ombro e viu Macy entrar na sala.
        - Desculpe interromper - comeou ela -, mas estou aqui para fazer um relatrio oficial, se vocs dois j acabaram de se acariciar.
        Leah afastou-se de Kevin, parecendo uma adolescente que acabara de ser pega abraando o namorado no assento de trs de um carro.
        - Terminou? - perguntou ela enquanto pegava um leno de papel da caixa em cima do balco.
        Macy soltou a mscara cirrgica e jogou-a numa lata de lixo prxima.
        - Sim, e a cirurgia foi um sucesso. Franklin pegou aquela pequena dobra na barriga de Carly e deslizou-a de volta para o lugar certo, e fez isso atravs 
de um escopo. Ela est boa para ir embora, ou estar em poucos dias.
        - Graas a Deus - murmurou Leah.
        - Graas a Deus - ecoou Kevin. - Quando poderemos v-la?
        - Agora, mas vocs somente podero ficar alguns minutos, e isso porque Leah tem influncia. Caso contrrio, eles os fariam esperar at que a levassem para 
a sala de recuperao.
        Quando Macy e Leah saram lado a lado, Kevin as seguiu e ouviu enquanto elas trocaram informaes sobre detalhes tcnicos que no significavam nada para 
ele. Uma conversa envolvendo tecido saturado e anestesia, que estava alm de sua compreenso. Por um lado, sentiu-se um estranho olhando. Por outro, pela primeira 
vez, verdadeiramente viu Leah como mdica, um conceito que tinha sido quase abstrato at agora.
        Elas passaram por um conjunto de portas duplas, viraram um canto e entraram numa rea com uma fila de camas protegidas com cortinas. Lembranas indesejveis 
de sua prpria experincia voltaram  memria de Kevin. Ele odiava hospitais. Detestava cheiros estreis, o zumbido de monitores, o ambiente sbrio. Mas aquelas 
coisas que detestava tambm simbolizavam um recurso de sustento  vida.
        Dessa vez, a vida de sua filha, percebeu quando Macy os conduziu a um cubculo no canto, onde Carly jazia sobre uma cama coberta com lenol branco, um mini 
roupo amarelo, estampado com ursinhos vermelhos, cobrindo o pequeno torso, os olhos fechados contra as luzes fluorescentes.
        Havia tantos tubos saindo de vrias partes do corpinho de sua filha que Kevin no sabia onde alguns comeavam e outros terminavam. Leah moveu-se para o lado 
da cama enquanto ele ficou atrs, quase com medo de chegar mais perto, como se pudesse quebr-la se respirasse forte sobre ela.
        Leah pressionou os ns dos dedos contra o rosto de Carly.
        - Sua cor parece boa.
        No que dizia respeito a Kevin, sua filha parecia completamente indefesa, e ele sentiu-se indefeso.
        - Ela est um pouco dopada - acrescentou Macy. - Agora eu tenho uma vescula biliar a ser tratada, portanto, preciso ir. E vocs tambm. Ambos podero v-la 
novamente quando eles a levarem para a unidade de UTI da pediatria dentro de uma hora:
        O estmago de Kevin contraiu-se.
        - Porque a UTI?
        -  de praxe - disse Leah. - Se a noite transcorrer sem problemas, eles a transferem para o quarto pela manh.
        Macy voltou-se para Kevin e apontou para ele.
        -Voc, tome conta das duas, a menos que queira se ver comigo depois.
        Kevin no se importou particularmente com as ameaas de Macy, no quando pretendia cuidar de sua filha e de Leah a qualquer custo. Mas no tinha certeza 
o quo bem poderia fazer isso at que tivesse algum tempo para se recompor.
        Com aquele pensamento, pressionou um beijo na testa de Carly e afastou-se da cama.
        - Verei voc logo, doura.
        Ele saiu do quarto de recuperao rapidamente, com Leah seguindo-o no muito atrs. Ele refez o caminho que eles tinham seguido mais cedo, mas dessa vez 
Kevin optou por passar pelo saguo, procurando por alguma forma de refgio, onde pudesse pensar.
        - Kevin, onde voc est indo? - gritou Leah enquanto ele continuava caminhando ao longo do corredor.
        Ele levantou a mo como resposta, mas no falou. Naquele momento, no podia.
        Depois de encontrar uma sada, atravessou as portas de vidro giratrias e localizou um local ao lado do edifcio, longe da humanidade, onde poderia lidar 
com seus sentimentos sozinhos. Inclinou-se para a frente contra o muro de tijolos e descansou a cabea sobre o brao dobrado.
        O medo pelo bem-estar de sua filha era to agudo que ele achava difcil respirar.
        Homens no choram.
        As palavras ecoavam na sua mente, lembranas de um tempo quando ele era um garoto de estatura muito baixa para resolver suas prprias batalhas sem a assistncia 
de seu irmo gmeo. Mas lutava de qualquer modo. Aprendera a chutar forte e a ferir com palavras. Aprendera como endurecer e como proteger suas emoes depois que 
crescera o suficiente para se virar sozinho. Aqueles hbitos o tinham seguido pela vida adulta, influenciando todos os relacionamentos que j tivera, at que finalmente 
descobriu que usar charme como arma funcionava bem. Isso no passava de um meio de esconder o garoto magrinho que de algumas maneiras ainda existia. O garoto que 
preferiria lutar a admitir que estava sobrepujado.
        Ele estava cansado de lutar, mas temia que se finalmente chorasse, jamais parada. As lgrimas caam apesar de sua preocupao, silenciosas e invisveis. 
Kevin permitiu que as emoes extravasassem, liberando anos de sentimentos reprimidos. Um ato final que significava que sua transformao era completa. Quase completa, 
porque ele ainda no podia imaginar revelar sua dor para ningum, nem mesmo para Leah. Especialmente no para Leah.           
        E embora se sentisse melhor de algum modo, uma solido muito familiar prevaleceu. Talvez aquela fosse a ltima fase de sua redeno... aprender que nada 
doa mais do que experimentar sua angstia sozinho.
        
        - AQUI est papai, Carly. - Leah girou o beb no colo a fim de que ela pudesse ficar de frente para a porta do quarto do hospital, onde Kevin estava em p 
agora. Os cabelos dele estavam midos do banho, o rosto no completamente barbeado, camiseta e jeans eram desbotados, mas mesmo assim a aparncia de Kevin no era 
desagradvel. Nada nele era nem um pouco desagradvel, percebeu Leah quando ele caminhou para a cadeira de balano e pegou a filha nos braos fortes e slidos.
        Depois que Carly agarrou o lbio inferior dele, Kevin afastou-lhe a mozinha e beijou-lhe a palma.
        - Voc e sua me tiveram uma boa tarde?
        - Tivemos aproximadamente uma hora juntas sozinhas, Kevin. Pensei que voc fosse ficar em casa e dormir um pouco. - Pelos ltimos cinco dias, ele mantivera 
viglia pela filha quase 24 horas por dia, e o estresse comeara a se evidenciar nos seus olhos.
        Quando Kevin sentou-se no sof, Carly imediatamente descansou a cabea no ombro dele e enfiou dois dedos na boca do pai, Leah achou aquilo notvel, uma vez 
que ela estivera se contorcendo e fazendo rebulio na ltima meia hora.
        Claramente, agora que seu pai voltara, tudo estava certo com o mundinho de sua filha, e aquilo fez Leah refletir. Se retornasse para o Mississipi... correo, 
quando retornasse... Carly iria sentir muita falta de Kevin. Ento, novamente, ela tambm.
        - Voc deve estar muito atrasado com seu trabalho - disse ela, afastando da mente todos os pensamentos sobre o ms de agosto.
        Kevin assentiu, sentando-se na cama de acompanhante.
        - Trabalhei no meu laptop enquanto Carly dormia. Tambm convenci uma funcionria daqui a conectar-me  internet sem fio do hospital, mas no conte a ningum. 
No quero que ela tenha problemas.
        Leah no pde evitar de se perguntar o que ele fizera exatamente para convenc-la.
        - Voc prometeu a ela uma seo de ccegas na dispensa? 
        Ele franziu o cenho.
        - Eu pedi por favor.
        Ela sentiu-se de alguma forma envergonhada por parecer uma amante ciumenta. Francamente, estava com cimes. Vira o modo como as mulheres olhavam para ele, 
desde as enfermeiras do laboratrio at as senhoras que entregavam as refeies. Todas as vezes que notava um daqueles olhares furtivos, quisera gritar: "Ele  meu, 
no se aproxime." Todavia, no tinha boa razo ou direito de fazer isso.
        Quando Kevin esfregou seus olhos com a mo livre, Leah murmurou:
        - Voc parece totalmente esgotado. Ficarei no quarto com Carly esta noite.
        - Uma vez que ela vai para casa pela manh, ficarei. Posso tolerar esta imitao de cama mais uma noite. Voc vai para casa e durma.
        Homem teimoso e sexy.
        - Voc precisa dormir mais do que eu, pois no me deixou passar nenhuma noite aqui.
        - No, voc ficou na sala de planto e veio aqui a cada 15 minutos. Voc  quem precisa de um descanso, porque no sou eu que lido com pacientes o dia inteiro 
- argumentou Kevin.
        -Talvez devssemos jogar uma moeda e tirar cara e coroa - sugeriu ela.
        - Talvez seja melhor terminarmos a discusso e ficarmos os dois. Vou pegar uma cadeira.
        Leah suspirou.
        - Isso  ridculo. Voc vai para casa dormir numa cama decente e eu ficarei. Ponto final.
        Ele sorriu.
        - No se eu no lhe der o sof, e estou j aqui. Obviamente, ele no iria ceder.
        - timo. Dormirei na cadeira.
        - Nenhum de vocs dormir na cadeira ou no sof - veio a voz da me de Kevin, que entrou com seu marido triunfante.
        Dermot parou no meio do quarto e os saudou, seu sorriso quase to grande quanto sua barriga.                     
        - Os O'Brien esto a servio. - Lucy aproximou-se de Kevin e estendeu os braos.
        - D-me essa preciosidade.
        Kevin se levantou, entregou-lhe o beb e bateu nas costas do pai.
        - Eu no esperava ver vocs dois novamente hoje.
        - Ns no samos daqui - disse Lucy. - Jenna est em trabalho de parto na ala de maternidade.
        Dermot checou seu relgio.
        - Ela deve dar  luz a outro O'Brien dentro de uma hora.
        - Ento, por que vocs no est l? - perguntou Kevin. Leah estava se perguntando a mesma coisa.
        - Tenho certeza que eles adorariam a presena de vocs quando o beb nascer.
        Dermot olhou para Leah com uma careta.
        - Eu prefiro continuar observando da sala de espera, moa. 
        Lucy andou pelo quarto quando Carly comeou a se agitar.
        - Ele desmaia  vista de uma simples bolha. Alm do mais, Logan sabe que estamos aqui com voc e nos avisar quando tivermos nosso novo neto. Nesse nterim, 
Dermot e eu decidimos que vocs dois precisam de um descanso. Esta  a razo pela qual vamos assumir o turno da noite e olhar Carly, a fim de que vocs possam passar 
a noite em casa.
        - O que voc quer dizer com turno? - O tom de Kevin refletia a mesma confuso que Leah estava sentindo.
        Dermot ps os dois dedos mnimos na boca e assobiou, ganhando uma carranca de Lucy e um lbio trmulo de Carly. Em resposta, os irmos O'Brien apareceram... 
Devin de jaleco do laboratrio, Aidan de terno e gravata, Kieran de camiseta e cala de moletom e, nos fundos, Mallory, usando roupa casual de trabalho. Eles estavam 
alinhados contra a parede como se estivessem prontos para uma inspeo.
        - Eu convidei o cl aqui para ajudar a tomar conta do beb esta noite, e cada um deles far sua parte. - Dermot encarou os filhos e assumiu o papel de sargento. 
- Crianas, sua me e eu ficaremos at as 21h, uma vez que meus ossos esto velhos demais para dormir num sof. Quem ser o prximo?
        - Eu serei o prximo - disse Devin. - Farei planto na emergncia, mas no at meia-noite. Preciso de algum para tomar meu lugar 15 minutos antes disso, 
uma vez que tenho de dirigir meu carro para meu hospital.
        Mallory levantou a mo.
        - Eu voltarei ento, mas prometi a Whit que no estaria em casa muito depois das 2h, e ele estar de p ento.
        Kieran deu um passo  frente.
        - Estarei aqui s 2h. Ficarei tanto tempo quanto necessrio, uma vez que no estou dormindo muito esses dias.
        - Nervosismo pr-casamento? - perguntou Kevin.
        - Erica est segurando favores sexuais at o casamento - disse Aidan, ganhando uma zombaria de Kieran e um olhar severo da me.
        - Se voc pode ficar at as 6h, Kieran, ficarei at as 9h. Corri j deve ter acabado de vomitar a essas altura.
        Mallory inclinou-se para a frente e olhou para Aidan.
        - Grvida novamente?
        - Sim.
        Uma rodada de parabns se seguiu e Leah achou notvel que a famlia tratasse gravidez como uma ocorrncia de todos os dias.
        - Ento acredito que estamos combinados - disse Lucy. - Voltaremos de manh, a fim de que vocs dois possam dormir at um pouco mais tarde.
        - Podemos dar algum palpite no assunto? - perguntou Kevin. Depois que todos responderam com "No" em unssono perfeito, ele deu a Leah um olhar apologtico. 
-Voc concorda com isso?
        Como ela poderia protestar contra aquela demonstrao de apoio? No podia, mesmo se isso significasse ficar sozinha com Kevin pela primeira vez em uma semana. 
Tal possibilidade deixou-a tanto tolamente excitada quanto cautelosa.
        - Est bem, desde que no daremos muito trabalho para todos. Dermot enfiou as mos nos bolsos.
        - Trabalho nenhum. Mas primeiro tenho uma histria a lhe contar, Leah. - Quando todos os cinco gemeram simultaneamente, ele levantou a mo e silenciou-os. 
- A me de Kevin aterrissou no meu condado na Irlanda muitos anos atrs, e quando eu a avistei soube que jamais poderia ficar sem ela. Esta  a razo pela qual viajei 
atravs do oceano para este grande pas, deixando meus pais para trs, para torn-la minha noiva. Posso imaginar como minha vida teria sido triste sem ela.
        - H um sentido para essa conversa, papai? - perguntou Kevin, sua voz com um trao de impacincia.
        - Sim, filho. O sentido : lute pelo que quer e no deixe esta moa ir embora. - Aquilo motivou alguns sorrisos dos presentes, antes que ele continuasse: 
- Leve-a para casa, fale com ela, e depois que fizer isso, no perca tempo. Se no conseguir convenc-la a ser sua noiva com conversa, ento termine o assunto na 
cama.
        Lucy o olhou com o semblante repreensivo.
        - Voc poderia passar o dia todo sem dizer isso, meu velho. 
        Aidan riu.
        -- Parece que voc vai dormir no sof de qualquer maneira, papai. 
        Dermot passou os braos em volta dos ombros de Lucy.
        - Meu amor, quando tivemos nossas brigas no passado, a reconciliao entre os lenis era a melhor parte, mesmo que cada vez fizssemos um desses rufies.
        Ela deu-lhe um sorriso afetuoso.
        - Se isso fosse verdade, Dermot, ento ns teramos pelo menos 600 filhos, no seis.
        - Informao demais, mame - murmurou Mallory. - Podem nos dispensar agora, antes de sermos sujeitos a mais comentrios perturbadores sobre sua vida amorosa 
com papai?
        - No to rpido. - Logan entrou no quarto, com cmera na mo e um olhar orgulhoso no rosto. - Eu quero que vocs todos vejam Patrick Avery O'Brien. Quatro 
quilos e o garoto mais bonito do universo.
        Todos se juntaram para ver o mais novo O'Brien na tela digital, exceto Leah e Kevin. Ela ainda estava se refazendo do choque das histrias e da oferta, e 
a expresso triste nos olhos de Kevin indicava o que o estava fazendo se conter. Quando ele pegou o beb dos braos de sua me e segurou Carly junto ao peito, confirmou 
a conjectura de Leah: Kevin precisava ter a prpria filha nos braos para lembr-lo do que ele j tinha, no o que talvez nunca tivesse. Ela sentiu que ele estava 
sofrendo mais do que jamais se permitiria, e aquilo era ainda um problema. Se ao menos ele lhe oferecesse abertura naquele sofrimento, ento talvez houvesse uma 
chance para eles. Mas, aps a cirurgia de Carly, Kevin estabelecera sua determinao de lidar sozinho com seus sentimentos, quando deixara o hospital sem nenhuma 
explicao.
        Percebendo que esquecera suas maneiras, Leah atravessou o quarto e estendeu a mo para o cunhado.
        - Posso dar uma olhada?
        Logan sorriu e entregou-lhe a cmera.
        - Com prazer.
        Leah examinou a imagem digital do doce beb de cabelos escuros e rosto redondo, que no parecia muito feliz em ter sido arrancado da segurana do tero da 
me para um mundo brilhantemente iluminado e estranho.   
        -Ele  lindo, Logan - disse ela quando lhe devolveu a cmera. - D meus parabns a Jenna.
        - Ele se parece um pouco com nosso ex-carteiro, o sr. Finklestein - disse Kieran.
        Logan deu ao irmo um olhar que podia secar um p de pimenteira.
        - Espere at ter seu primeiro filho, Kieran. Se ele herdar seu ego, a cabea dele ser duas vezes maior que o corpo.
        Lucy bateu palmas e empurrou todos em direo  porta.
        - Vo embora e deixe-nos em paz, mas voltem a tempo, conforme combinado. Logan, desceremos at o berrio para ver o beb antes de ir embora.
        Seguindo o adeus de todos, os filhos rapidamente saram, trocando farpas e gracejos pelo caminho.
        Lucy se aproximou de Kevin e estendeu os braos.
        - Agora  hora de vocs dois irem, a fim de que eu possa dar a mamadeira  nossa neta e coloc-la na cama.
        Mas antes que ela pudesse recuperar Carly, Dermot pegou o beb nos seus braos musculosos e girou com ela.
        - Voc dois devem lembrar que esta pequenina  uma ddiva. Ela os uniu duas vezes agora: primeiro, com seu nascimento, depois, atravs de uma doena avassaladora 
que deveria ensin-los como a vida pode rapidamente mudar diante de nossos olhos. Ela sofrer mais se vocs no a honrarem com o amor que sentem um pelo outro.
        Lucy passou seu brao pela cintura de Dermot.
        - Seu pai est certo, Kevin. Ela merece tudo isso.
        Dermot entregou Carly de volta a Lucy, sua expresso ainda sbria.
        - Leah, embora tenha sido um pouco travesso quando era menino, Kevin cresceu e tornou-se um bom homem. E embora seja um iniciante vagaroso, ele a ama, moa. 
Se voc tem algum sentimento por ele, ento seria meu maior desejo que lhe dissesse isso, a fim de que Kevin pare de uivar como um lobo ferido. - Dermot ento apontou 
para Kevin. - Voc precisa engolir seu orgulho como se fosse o dia de Todos os Santos, rapaz. E no volte aqui amanh cedo dizendo que no resolveu nada.
        QUANDO CHEGARAM em casa, Kevin no sabia bem por onde comear, mas um pedido de desculpas pela coero familiar parecia um bom lugar para iniciar.
        - Desculpe pela emboscada da minha famlia.
        Leah tirou os sapatos e deixou-se cair no sof da sala, cruzando as pernas sobre as almofadas.
        - Est tudo bem, Achei a histria de seus pais interessante. No me recordo de voc ter me contado como eles se conheceram.
        Kevin aproveitou a chance e optou por sentar-se ao lado dela, deixando um espao entre eles.
        - Nunca pensei muito a respeito disso. - At aquela noite, quando a mensagem tocou fundo seu corao. - Mas posso me identificar com o que meu pai estava 
dizendo.
        Ela agarrou uma almofada e abraou-a contra o peito.
        - Como assim?
        - Eu me senti da mesma maneira ao seu respeito na primeira vez que a vi. Apenas no percebi isso at recentemente. E esta  a razo pela qual eu estaria 
disposto a esquecer Atlanta e me mudar para o Mississipi se voc disser a palavra.
        A expresso de Leah mostrou surpresa.
        - E quanto  sua famlia, Kevin.
        - Voc e Carly so minha famlia, Leah. E amo ambas, mais do que qualquer emprego possa oferecer.
        - Eu o amo tambm, mas imagino se isso  o suficiente. Ns ainda temos outros assuntos para lidar.
        -  um comeo. - Hora de abordar aqueles outros assuntos. - No outro dia, depois que vi Carly em recuperao, eu no pude sair do hospital to rapidamente. 
Por isso sa e chorei, feito um beb. No me lembro da ltima vez que fiz isso.
        Ela descansou a mo no brao que ele estendera sobre o encosto do sof.
        - Oh, Kevin,  a isso que estou me referindo. Voc deveria ter me deixado apoi-lo naquele momento, como me apoiou durante toda essa provao.
        - Eu sei, Leah. Nunca me senti to sozinho como me senti naqueles momentos. Nunca soube o quanto precisava de voc at ento.
        Leah voltou os olhos para a almofada e comeou a torcer as pontas.
        - Macy mencionou alguma coisa para mim dias atrs, e percebi que ela est certa. Eu estava com tanto medo de perd-lo novamente que estabeleci uma profecia. 
Se eu continuasse a acreditar que voc iria me deixar mais cedo ou mais tarde, ento eu nunca teria de encarar essa perda. Portanto, no estou exatamente isenta 
de culpa nessa situao, tambm.
        Ele tomou-lhe a mo e quando ela no a retirou do seu aperto Kevin considerou aquilo uma pequena vitria.
        - Eu lhe prometo o seguinte: vou gastar todas as horas de todos os dias provando a voc que falei srio sobre no desistir de ns. E se isso no convenc-la, 
estarei no Mississipi todos os fins de semana, talvez mesmo durante a semana, at voc ter certeza que estou nisso por longo perodo de tempo.
        Quando ela ficou silenciosa, Kevin prendeu a respirao at que Leah encontrasse seu olhar.
        - Ainda estou com medo.
        - Honestamente, eu tambm, Leah. Mas no com medo suficiente para no lutar por voc.
        Ele testemunhou o momento que a resistncia dela esmoreceu quando Leah sorriu.
        - Isso  tudo que eu precisava ouvir.
        Ela moveu-se para o colo dele, pegou-lhe o rosto com as mos e beijou-o. Kevin no podia lembrar-se de se sentir to satisfeito, to pronto para enfrentar 
o mundo.
        Depois que eles se separaram, ela disse:
        -Voc vai amar o Mississipi.
        A alegria de Kevin foi evidenciada num sorriso. 
         - Voc est cansada?
        - Nem um pouco.
        - Est com fome?
        - No por comida.                                   
        - Ento eu sugiro que aceitemos o conselho do meu pai e tenhamos o resto de nossa conversa na cama.
        Leah pressionou uma srie de beijos ao longo do queixo dele.
        - Concordo. No importa o que deu errado com nosso relacionamento antes, e que problemas poderemos encontrar no futuro, sempre fizemos amor em perfeita sintonia, 
e provavelmente sempre faremos. Sinto que nosso ato de amor  alguma coisa certa.
        Kevin no podia argumentar contra aquilo.
        - Fizemos outra coisa certa tambm.
        Juntos eles sorriram e ao mesmo tempo disseram:
        - Carly.
        LEAH PEGOU Kevin pela mo e conduziu-o ao quarto com a cama onde eles tinham feito amor pela primeira vez.
        Um lugar adequado para recomear, decidiu ela. Uma fuso dos melhores momentos do passado deles e a promessa de mais no futuro.
        Kevin no se incomodou em apagar as luzes antes de comear a despi-la, e ela, honestamente, no se importou.
        Ela queria ver o rosto dele, ver cada centmetro do corpo bonito quando lhe devolvesse o favor. Mas em vez de se livrarem de suas roupas eles permaneceram 
no centro do quarto por um longo tempo, simplesmente se abraando, at que Kevin soltou-a, sentou-se na ponta da cama e abaixou a cabea.
        Leah moveu-se ao lado dele e inclinou a cabea contra o ombro largo.
        - Kevin, qual  o problema?
        - Eu estava prestes a pegar um preservativo quando percebi que ns no precisamos de um, e isso est me consumindo por dentro. Ver a foto do filho de Logan 
esta noite somente reforou o quanto me sinto inadequado.
        Ela lhe deu um beijo no rosto.
        - Kevin, ser biologicamente capaz de gerar filhos faz de voc um doador de esperma, no necessariamente um homem bom. Ser um pai incrvel faz, e voc  um 
pai excepcional. Alm do mais, eu vi os resultados do laboratrio. Ainda h esperana. Afinal de contas, nunca pensei que estaramos juntos novamente, e olhe o que 
aconteceu.
        - Mas eu quero lhe dar tudo, minha querida. E por isso esta situao  to difcil.
        Nunca na sua mais remota imaginao Leah acreditara que veria esse lado dele. Ou que poderia am-lo ainda mais. Todavia, naquele momento, ela amava.
        - Voc j me deu um lindo beb, Kevin. E se de algum modo eu fiz voc duvidar de si mesmo, ento sinto muito.
        Ela deitou-se de costas na cama e estendeu os braos para ele.
        - Venha c e esquea o preservativo. No quero nada entre ns.
        Kevin juntou-se a ela na cama e rapidamente eles despiram um ao outro. Como sempre, ele usou mos e boca com incrvel sensualidade, com toda a segurana 
de um homem que conhecia tudo sobre o corpo dela.
        Mas no momento que Leah estava prestes a lhe implorar pressa, ele moveu-se sobre ela, abraou-a e observou-lhe os olhos.
        - Case-se comigo, Leah.
        Ele a tinha exatamente onde a queria, e sabia disso.
        - Voc  cruel, Kevin, nem sempre joga limpo.
        - Mas dessa vez estou jogando para sempre. Prometo-lhe que sempre a amarei, querida.
        Leah sentiu que no havia falsidade naquela promessa. Ele crescera no carter, mas ela vira vislumbres disso desde o momento que eles haviam se conhecido, 
razo pela qual se apaixonara to facilmente por Kevin. Razo de am-lo tanto agora. Razo de dar aquele salto final de f.
        - Sim, eu me casarei com voc, mas somente se terminar de fazer amor comigo neste minuto.
        - Sou definitivamente seu homem - disse ele quando a penetrou. Sim, ele era seu homem. Todo seu. E a conhecia melhor do que qualquer homem. Podia lhe fazer 
coisas que nenhum homem j fizera.
        O ato de amor deles foi to apaixonado como sempre, mas Leah notou sutis diferenas. Kevin segurou-se um pouco mais, abraou-a um pouco mais apertado, tanto 
antes como depois de estarem totalmente saciados e lutando por ar. Eles permaneceram entrelaados por longo tempo at que finalmente ele rolou de costas e aninhou-a 
contra seu peito. Nas horas seguintes, cochilaram e acordaram diversas vezes, mas cada vez que Leah inadvertidamente se afastava, ele a puxava de volta. Todavia, 
ela no se sentiu sufocada ou tensa de forma alguma. Sentiu-se amada.
        Logo depois do raiar da aurora, Leah abriu os olhos e viu Kevin observando-a.
        - Pensei que voc nunca mais acordaria - disse ele.
        Ela espreguiou-se e passou os braos em volta do pescoo dele.
        - Por qu? Voc tinha algo em mente?
        - Decidi que quero fazer isso antes que deixemos Houston - disse ele abruptamente.
        Leah sorriu.
        - Diferente da noiva de seu irmo, no planejo no proporcionar favores sexuais em nenhum momento.
        Kevin franziu o cenho.
        - Eu quis dizer que quero me casar antes de deixarmos a cidade. Gostaria de ter a famlia inteira no casamento.
        Leah podia pensar em vrias razes pela quais aquilo poderia ser um problema.
        - Faltam apenas trs semanas, Kevin. Como podemos planejar um casamento quando estou terminando meu estgio em ps-graduao e voc est trabalhando tambm, 
tomando conta de nossa filha?
        - Confie em mim. J tenho tudo calculado.
        
        - OBRIGADO por nos deixar compartilhar seu grande dia, irmo. Kieran apertou a mo que Kevin ofereceu-lhe e sorriu.
        - Sem problemas. Meu casamento  seu casamento.
        O casamento em questo tinha acontecido na propriedade de Avery Fordyce, o sogro extremamente rico de Logan. Kevin nunca vira jardins to extensos, sem mencionar 
a manso.
        Excetuando uma rara manh chuvosa de agosto, tudo correra como fora planejado com a cerimnia ao pr do sol. O pai dos gmeos servira como padrinho oficial, 
e os irmos, juntamente com Whit, os demais padrinhos. As madrinhas da noiva foram Mallory, as cunhadas e a filha de Erica, Stormy. Assumindo o papel de pajens, 
as gmeas de Mallory tinham se divertido a valer, lanando ptalas de rosas em seus primos que estavam sentados na platia. E aquela platia tinha sido constituda 
de parentes e amigos e velhos colegas de faculdade, e at mesmo algumas velhas namoradas, que eram ainda amigas da famlia.
        Nada extraordinrio ou incomum nisso. Desde, Kevin podia recordar, a casa deles sempre tinha sido um porto seguro para crianas. Uma vez que voc era pego 
na teia da famlia O'Brien, era difcil, seno impossvel, desligar-se, mesmo que ele tivesse tentado, felizmente sem sucesso.
        Kevin estava surpreso que, a despeito do curto tempo de planejamento, pelo menos para Leah, a cerimnia acontecera sem problemas, a no ser por um pastor 
desnorteado.
        - Eu quase enlouqueci quando o reverendo Aldine continuou nos confundindo.
        - Eu sei - disse Kieran. - Ele chegou perto de nos casar com as mulheres erradas.
        Kevin riu.
        - Sim, e pensei que o fato de eu usar um smoking e voc terno e gravata remediaria isso.
        - Eu lhe disse para cortar os cabelos, Kev.
        Ele tinha de admitir que eles eram agora a definio de irmos gmeos idnticos. Certa poca, Kevin teria preferido roer unhas a ter algum o confundindo 
com seu irmo. Agora, sentia-se honrado. Apenas uma mudana a mais na sua vida para se unir a todas as outras.
        - Vou cortar os cabelos antes de nos mudarmos. Achei que seria divertido ver quem ns poderamos confundir, como nos velhos tempos.
        Kieran afrouxou a gravata e desabotoou o palet.
        - Estou pronto para uma espcie diferente de diverso e no vai acontecer at que eu tire Erica daqui.
        Kevin lembrou-se da regra de "sem sexo at a cerimnia" de Erica. Devia ter sido duro para seu irmo.
        - Estou surpreso que voc esteja andando ereto, uma vez que jejuou por semanas.
        Kieran deu um sorriso malicioso.
        - Na verdade, isso somente durou cerca de quatro dias. De modo algum, um choque para Kevin.
        --Voc no conseguiu se segurar, certo?
        - Erica no conseguiu. Ela veio at minha casa uma noite e eu a fiz implorar por isso.
        Sim, certo...                                          .
        - Pelo qu? Cerca de dois minutos?
        - Digamos trinta segundos.
        Eles compartilharam outra risada antes que Kieran olhasse em volta e dissesse:
        - Isso  um jardim da infncia ou o qu?
        Kevin teve de concordar com aquilo. A sua direita, o filho mais velho de Devin, Sean, junto com o enteado de Logan, J. D., estavam sobre mos e joelhos, 
brincando de esconde-esconde por baixo das mesas redondas colocadas para a recepo, enquanto Lucy e Maddie entravam e saam dos arbustos prximos, suas saias levantadas 
at os joelhos. Ento vinha a seo de bebs. Com Patrick nos braos, Jenna estava sentada prxima a Corri, que brincava com sua filhinha, Emma. Stormy equilibrava 
Carly no seu quadril, enquanto Erica e Leah olhavam.
        Leah...
        Kevin nunca se esqueceria de v-la caminhar pela nave usando o vestido de noiva branco sem alas que contrastava com sua pele dourada. Sempre se recordaria 
do modo como ela o olhara, como se ele importasse mais do que tudo no mundo. Ele nunca a vira mais bonita, exceto nas manhs quando ela o acordava com um beijo. 
E tambm  noite, quando segurava a filha nos braos. Kevin no sabia o que fizera para merec-la, mas se recusou a questionar isso por mais tempo. Aceitou que tinha 
sido abenoado e que o tempo deles havia finalmente chegado.
        Dermot estava de p e bateu com uma colher em sua taa de champanhe, sinalizando que o momento chegara para p tradicional brinde de casamento, que o fez 
ganhar um olhar cauteloso de Lucy. Kevin e Kieran se reuniram novamente s suas esposas e todos ficaram juntos, braos em volta das cinturas para esperar as palavras 
sbias do patriarca dos O'Brien.
        Leah inclinou-se em direo a Kevin e sussurrou:
        - Ouvi dizer que eu deveria me preparar para qualquer coisa.
        - Voc est certa - disse Kevin. - Com papai, qualquer coisa que vier  sua mente sai de sua boca.
        Depois de pigarrear e ganhar a ateno de todos, Dermot comeou:
        - Primeiro, quero honrar meus filhos caulas, uma vez conhecidos como os ltimos O'Brien solteiros convictos, antes que cassem na armadilha hoje. Para Kieran, 
que seu amor por sua noiva possa ser to grande quanto seus bceps detestveis. E Erica, que voc sempre seja o sol matinal dele. E que vocs dois me dem outro 
neto dentro de um ano.
        Dermot esperou at que as risadas cessassem, antes de erguer seu clice na direo de Kevin e Leah, sua expresso muito mais sbria do que antes.
        - E para meu filho Kevin. Nunca pensei que viveria tempo suficiente para ver voc se casar. Um curto ano atrs, estou certo de que voc no acreditava que 
viveria para ver isso, tambm. Mas aqui est voc, com sua bela noiva e sua filhinha, tendo sobrevivido s tempestades. Embora a distncia possa nos separar a partir 
de hoje, sabemos que voc precisa ir para onde seu corao o leva, e seu corao agora pertence a Leah. Kieran, Erica, Kevin e Leah, desejo vida longa para vocs 
todos.
        Quando a multido aplaudiu, Kevin sorriu para Leah e ela devolveu-lhe o sorriso. Ento, ele a beijou, e mais aplausos soaram. Quando eles se afastaram, Kevin 
notou que Kieran estava ainda trocando um beijo intenso com Erica.
        - Pare com isso - disse ele. - A vem mame.
        Kieran instantaneamente quebrou o contato com sua esposa e olhou em volta, vendo Lucy ainda sentada  mesa com o pai deles.
        - Muito engraado, Kev.
        Kevin no pde deixar de rir, mesmo quando Leah o cutucou e disse:
        - Seja gentil com seu irmo. Lembre-se, foi ele quem nos salvou de irmos ao tribunal.
        Erica abafou sua prpria risada por trs da mo antes de acrescentar:
        - Leah contou-me que voc j vendeu sua casa, Kevin.
        - Sim, e  uma coisa boa, uma vez que fizemos uma oferta numa casa de fazenda restaurada quando visitamos os pais de Leah no fim de semana passado.
        Kieran meneou a cabea.
        - Estou tentando imaginar voc morando numa casa de fazenda numa cidade rural.
        - Noble Oak fica somente a 15 minutos de Jackson, e  uma casa de fazenda imensa - disse Leah. - Trs andares, com cinco quartos.
        Quartos que Kevin esperava encher com filhos um dia, ou biolgicos ou adotados. Qualquer coisa para fazer Leah feliz.
        - Um ano atrs, eu no podia imaginar isso tambm, Kieran.
        Mas, como seu pai, ele desejava ir a qualquer lugar que a vida com Leah e Carly o levasse. E estava ansioso por isso.
        
        
        
     EPLOGO
        
        
        
        Mississipi Trs anos depois
        
        - PAPAI, PAPAI!
        Kevin girou na cadeira e se preparou para a exuberncia de cabelos cacheados antes que ela subisse no seu colo. Ela abraou fortemente seu pescoo e depois 
se inclinou para trs e olhou-o com toda a excitao de uma jogadora de beisebol que acabara de ganhar um campeonato.
        - D-me um beijo de boa-noite.
        Ele estalou um beijo no rosto da filha e colocou-a de p na hora que uma Leah de cenho franzido entrou.
        - Parece-me que sua me no est muito feliz com voc no momento, garotinha.
        - Eu j a coloquei na cama uma vez e disse-lhe que voc iria logo. 
        Carly passou de artista fugitiva para anjo em questo de segundos.
        - Eu beijei o papai. 
        Leah apontou por trs dela.
        - Agora que fez isso,  hora de ir para a cama. Voc pode brincar  vontade amanh cedo.
        Carly voltou-se para Kevin novamente.
        - Beije o beb.
        - Eu j beijei Paul James - disse ele. - E ele j est dormindo, que  onde voc deveria estar.
        -No P.J., papai bobo. - Ela apontou para a barriga da me. - Este beb.
        Leah deu-lhe um sorriso dissimulado enquanto o rodeava. Oh, puxa vida, ela ainda podia fazer seu sangue ferver em qualquer momento com aquele olhar. Ele 
levantou a bainha da blusa dela com uma das mos, pegou-lhe o quadril com a outra e pressionou seus lbios contra a leve protuberncia da barriga grvida. Aquele 
beb especial levara dois anos para ser feito, seguindo diversos procedimentos pouco agradveis e uma pequena ajuda da cincia. Mas o sucesso nunca teve um sabor 
to doce. Ele olhou para Leah e deu seu sorriso.
        - Eu beijarei o beb mais vezes um pouco mais tarde.
        Carly deu uma risadinha e apressou-se em ir embora, parecendo satisfeita com a evoluo dos eventos. Leah sentou-se no colo dele e beijou-o com determinao. 
Um beijo ardente, destinado a distra-lo, como se j no tivesse feito isso ao entrar no escritrio.
        - Quanto tempo voc vai levar para vir para a cama, meu marido sexy?
        - Se voc sair daqui, poderei ir em 15 minutos, 20 no mximo. Tenho apenas de fechar minha ltima coluna.
        Ela observou-lhe os olhos por um longo tempo. - Voc est triste por deixar a coluna para trs? 
        Ele ficaria mais triste se tivesse de deix-la para trs.
        - Talvez um pouco. Mas estou ansioso pelo desafio de possuir uma revista. - Ele comprara e comeara a renovar uma revista de esportes regional. Felizmente, 
tinha uma boa equipe editorial, o que lhe deixava tempo para cuidar de Carly e de sua mais nova adio, Paul James, o menino abandonado de dez meses que viera para 
eles atravs da clnica gratuita onde Leah trabalhava meio expediente. Ele nascera viciado em drogas, com diversos outros problemas de sade, devido a seu nascimento 
prematuro. Eles tinham concordado em adot-lo mesmo sabendo que seus cuidados envolveriam um compromisso a longo prazo. Mas Kevin no se importava com compromissos 
naqueles dias.
        Leah escorregou do colo dele e soprou-lhe um beijo enquanto se virava em direo a porta.
        -Apresse-se. Meus hormnios esto tumultuados. 
        Assim tambm estava a maior parte da anatomia de Kevin.
        - Com certeza. Agora saia antes que eu a dispa aqui mesmo e a leve para uma cavalgada no tapete.
        - Promessas, promessas - murmurou ela antes de sair e fechar a porta.
        Voltando aos negcios, Kevin girou a cadeira e colocou suas mos no teclado do computador. Vinha pensando h dias em como terminar a coluna que escrevera 
por diversos anos. Ento, alguma coisa lhe ocorreu... estava finalmente pronto para terminar a coluna que abandonara no dia que Leah voltara para sua vida. No mesmo 
dia que descobrira sobre sua filha.
        
        Seo de esportes de O'Brien.
        Agosto
        Edio final
        Quatro anos atrs eu descobri que encarar a morte pode mudar sua vida, e no necessariamente de um modo ruim. Saber que voc pode no sobreviver a uma doena 
 um choque terrvel que o devasta completamente e o deixa quase sem esperanas. Mas fui bastante abenoado em vencer isso com a ajuda da famlia e de amigos, e, 
mais importante, da mulher que finalmente se tornou minha esposa. Vocs todos me viram escrever sobre ela antes... Leah, a mdica mais bonita na face da Terra. Tudo 
bem, ento talvez ela no estivesse por perto durante minha batalha com a anemia, que quase acabou comigo, mas ela, definitivamente, ajudou a salvar minha vida depois. 
Assim como outra pessoa que significa mais para mim do que posso expressar.
        Ela  minha alegria, meu anjo da guarda, uma de minhas razes de viver. Mais do que isso,  o ponto luminoso do meu dia, e no posso imaginar minha vida 
sem ela.
        Seu nome  Carly, tem trs anos de idade e  to pequenina como uma baliza de golfe. Mas tem um grande sorriso e um corao maior ainda, e j pode capturar 
uma bola. Imagine isso.
        Numa simples declarao, ela  a melhor coisa que eu j fiz. A melhor parte de mim. O melhor erro que j cometi.
        
        
        
        
       Prximo Lanamento
        NOVO DESPERTAR
        Fiona Harper
        
        Ellie ergueu o rosto para encar-lo e estremeceu.
        - Voc est com frio? - ele indagou.
        Ellie comeou a protestar, mas Mark se livrou do palet e cuidadosamente ajeitou-o ao redor dos ombros femininos. Essa deveria ser a noite dos clichs. Isso 
tambm era algo que ele havia feito por mais vezes do que conseguia se lembrar... Era um dos seus movimentos, fazia parte do jogo da seduo.
        Mas com Ellie estava sendo diferente. Ela estava com frio, e ele teria feito qualquer coisa para remediar isso. Mark no estava fazendo nenhum tipo de jogo.
        Principalmente porque ele no sabia quais seriam as regras com ela. Ellie o fazia se sentir diferente... Inseguro, incerto... Como se ele no estivesse no 
controle da situao.
        Mark dirigiu o olhar para as luzes de cada janela de Lark-ford. Ele realmente deveria voltar para os seus convidados.
        Ellie se moveu levemente, e o contato do tecido entre os seus dedos o lembrou que ele ainda estava segurando firmemente nas lapelas do palet. Ele realmente 
deveria ir. Porm, Ellie o estava encarando, seu olhar exibia um brilho doce e amvel. Ela o havia encarado com esse mesmo olhar no instante em que ele se aproximara 
do jardim.
        Mark havia apreciado aquele olhar, e tambm o estava apreciando agora. No havia nem sinal de ganncia ou falsidade no brilho dos olhos dela.
        E isso era uma coisa rara nesse mundo. Mark a observara durante a festa, o tdio estava estampado nas faces dela. Era como se ela estivesse vendo algo que 
ningum mais parecia notar.
        E quando ele se virou para encarar Melodie e o produtor musical com quem esteve conversando, Mark sentiu subitamente como se estivesse vendo o grupo inteiro 
atravs dos olhos de Ellie. Era como se ele tivesse ganhado um culos de raio-X que pudesse diminuir a claridade e o brilho, e revelar o que eles realmente eram. 
Mas no jardim do lado de fora da casa, tudo parecia ser verdadeiramente real.
        Contudo, ele se sentia um pouco desconfortvel. Seu corao batia desenfreado dentro do peito... E no era devido  corrida que ele havia feito atravs do 
jardim.
        Ela estava incrivelmente prxima. Os sentimentos claramente escritos em suas faces delicadas. Ele podia sentir-lhe o hlito quente em seu pescoo, fazendo 
com que os cabelos de sua nuca se arrepiassem. Mark agarrou as lapelas do palet, puxando-a gentilmente para mais perto de seu corpo at que seus rostos ficassem 
a apenas alguns centmetros de distncia.
        Normalmente, Mark teria avanado a essa altura, aproveitado a vantagem enquanto a tivesse.
        Contudo, ele preferiu esperar. O que exatamente, ele no tinha certeza.
        O mundo pareceu encolher em direo ao pequeno espao ente os seus lbios e os dela.
Special 26 - Seu melhor erro - Kristi Gold


   
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